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Performance musical e políticas emancipatórias: uma etnografia na ...

Performance musical e políticas emancipatórias: uma etnografia na ...

Já há trabalhos

Já há trabalhos nas áreas de Sociologia da Música, na Etnomusicologia e na Educação Musical, revelando que a música pode proporcionar a produção de subjetividades, de agência e produção de diferença pelos sujeitos envolvidos (Blacking, 1990b, 1995; Seeger, 1988; Müller, 2000;). Para o etnomusicólogo Stokes (1994), a performance musical tem sido vista cada vez mais como um espaço no qual significados são gerados e não simplesmente ‘refletidos’; marcas étnicas, como outras, são produtos da negociação de processos múltiplos e historicamente constituídos de construção das diferenças (Stokes, 2001, p. 22). As musicistas e músicos da Orquestra, provavelmente se encontram, também, enquanto portadores de diferenças que precisam articular seus deslocamentos, seus “entre-lugares” (Bhabha (2005), os interstícios de respiro da própria singularidade, combinados/administrados com as expectativas dos demais, e intercambiando valores e as buscas de algum poder ou lugar de importância entre suas/seus companheiras/os de orquestra. Assim, tenho a hipótese de que os deslocamentos identitários, as negociações culturais, e talvez outras experiências com a subalternidade devam ocorrer na esfera macro social, e/ou familiar e/ou em outros grupos musicais onde tocam as/os jovens musicistas e músicos; cenários que podem contribuir com dados férteis sobre: como, individualmente, se dão as (re)elaborações culturais fronteiriças? Como chegam na Orquestra enquanto sujeitos já constituídos, em alguma medida, em/por lugares híbridos? Por exemplo, de que posturas ou valores da hegemonia heteronormativa alguns deles se valem na Orquestra, mas não em seu outro grupo musical? Por que? Ou ao contrário, será a Orquestra seu lugar de (maior) alteridade? Os Estudos Feministas e os Estudos de Gênero em geral apontam para a importância de se observar as opressões humanas no âmbito das identidades sociais, relacionados com os determinismos que estruturalmente garantem e perpetuam os valores e modos de vida hegemônicos; eles demonstram que as opressões de gênero e das sexualidades são somente uma das várias instâncias de desigualdade na mútua imbricação de um conjunto de marcadores/diferenças sociais – classe, etnia, geração, gênero, sexualidades – entre as quais se encontram desigualdades; e em geral, mais de uma diferença marca e reafirma, num mesmo sujeito, a subalternidade (Scott, 1990; Fraser, 2001; Butler, 2001; 2003). Judith Butler, (2001) no livro Mecanismos Psíquicos do Poder, muito fundamentado em Foucault, denuncia a opressão e os sofrimentos psíquicos conseqüentes da heteronormatividade e argumenta sobre a importância de se localizar a fonte de poder, porque muitas vezes – e quase sempre nos casos de subalternidade assegurada por duas fontes ou mais – uma delas passa a ser o próprio sujeito: “O poder, que em princípio, aparece como externo, exercendo pressão sobre o sujeito, 4

pressionando o sujeito para a subordinação, assume uma forma psíquica que constitui a identidade do sujeito (Butler, 2001, p. 13). Proponho, assim, investigar em que medida e como a música se insere nesse contexto, enquanto possibilidade de subjetivação, de produção de agenciamentos (Guattari, 1993) e de devir em Deleuze (2000), como políticas emancipatórias dos discursos identitários de sexualidades, gênero e classe e, a medida e o modo como se interseccionam. Nas palavras de Cardoso Jr. (1999), quando discute conceitos onto-políticos no pensamento de Gilles Deleuze, afirma: “O devir possui um caráter eminentemente político que está presente em todo tipo de ação. [...] A liberação de uma singularidade é um acontecimento na ordem política” (p. 23). Desta forma, poderemos observar em que medida as dinâmicas e o movimento das minorias identitárias determinam e configuram o grupo social majoritário. A esse respeito, Cardoso Jr. argumenta: Acontece que os fluxos de fuga proporcionados pela agitação da minoria não são uma passagem para fora do campo social, não são uma fuga do campo social. Ao contrário, as linhas moleculares são constitutivas do campo social, isto é, de suas segmentaridades duras. São as minorias em seus movimentos de fuga que traçam os devires e as fronteiras do político em um campo social (Cardoso, 1999:26). Desta forma buscarei, mais especificamente identificar, caracterizar e analisar as performances musicais da Itiberê Orquestra Família, relacionadas às buscas de singularização nas identidades das sexualidades, gênero e classe dos/nos sujeitos envolvidos e, também, as dinâmicas pelas quais ali se entrelaçam, se reforçam e/ou se interrompem, na intenção de caracterizar a interseccionalidade dos discursos identitários e suas respectivas políticas. Metodologia Ressaltando o caráter social da música “devido ao fato de que a prática em si implica em relações entre as pessoas que tocam juntas, e induz, ao mesmo tempo, a um processo de diferenciação entre grupos [...]” (Bozon, 1999, p. 148), pretendo desenvolver um extenso trabalho de campo com os atores sociais em suas performances musicais, acompanhando suas agendas festivas, de trabalho, ensaios, performances públicas, bem como o fazer musical “despretensioso”, no fluxo de suas vidas cotidianas. Utilizando o método etnográfico, pretendo abordar os significados êmicos inerentes aos atores sociais, através da descrição densa e detalhada e a inserção intensa e freqüente no cenário da pesquisa: o âmbito da dinâmica de suas performances musicais, em seus cotidianos (Geertz, 1978). Através da 5

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