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Performance musical e políticas emancipatórias: uma etnografia na ...

Performance musical e políticas emancipatórias: uma etnografia na ...

observação

observação nas atividades musicais, sociais, individuais e coletivas, com registros em diário de campo, registros em áudio e vídeo e entrevistas, buscarei informações com profundidade sobre como estão contemplados nas performances musicais dos integrantes da Orquestra, seus discursos identitários e possíveis estratégias emancipatórias. Nas palavras de Seeger (1992), para quem a etnografia deve dar conta de temas como Poder e Hegemonia, os significados musicais em geral são “o produto de experiências passadas e o relacionamento dos eventos musicais com outros processos e eventos na comunidade” (p.26). Através da imersão neste cenário, que valorize a natureza e a abrangência do objeto desta investigação, estarei atenta às relações sociais do grupo, tentando captar suas sutilezas e verificar a existência de uma possível relação entre os discursos identitários – os que são manifestados e os que estão invisíveis – dos/nos integrantes da Orquestra e suas performances musicais. Eric Wolf chama a atenção para o fato de que pode estar invisível ou inconsciente o poder que dá sustentação à normatividade instituída nas relações: As questões de significado não precisam subir ao nível da consciência. [...] O poder está implicado no significado por seu papel na sustentação de uma versão de significação como verdadeira, fecunda ou bela contra outras possibilidades que possam ameaçar a verdade, a fecundidade ou a beleza. [...] Todas as ordens culturais [...] estão ancoradas em postulados que não podem ser verificados nem falsificados, mas que devem ser tratados como inquestionáveis; para torna-los inquestionáveis, são cercados de sacralidade. [..] A asserção cultural de que o mundo é moldado dessa forma, e não de outra, tem de ser repetida e posta em prática, para que não seja questionada e negada (Wolf, 2003, p. 337). Como enfatiza Mariza Peirano (2001), “a etnografia é bem mais que um mero descrever de atos presenciados ou (re)contados – a boa etnografia leva em conta o aspecto comunicativo essencial que se dá entre o pesquisador e nativo, o ‘contexto da situação’, que revela os múltiplos sentidos dos encontros sociais” (p. 11). Desta forma, espero poder responder a questões como: com quais regulações eles convivem na sociedade mais ampla e como elas se dão nos seus marcadores sociais de diferença? Em que medida e como as singularidades são postas na Orquestra? O que se dá – para além dos esforços individuais para tocar na Orquestra, e para além dos seus resultados/produtos musicais acabados – entre as/os integrantes, que têm em comum, em suas vidas, a performance musical? Que vínculos, que trocas, como se caracterizam as relações sociais entre as/os instrumentistas? Referências Bibliográficas: BAUMAN, Zygmunt. Modernidade Líquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2001. ______________. Em busca da Política. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2000. 6

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