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1 Gênero e sexualidade nas práticas escolares - Fazendo Gênero ...

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Anais do VII Seminário

Anais do VII Seminário Fazendo Gênero 28, 29 e 30 de 2006 Nos últimos anos uma pluralidade de estudos - na esteira de perspectivas que utilizam o gênero como categoria de análise - vêm destacando sua importância na produção da desigualdade no espaço escolar. Diferentes reflexões e investigações sobre as práticas escolares, incluindo as teorias sobre currículos não puderam mais prescindir de análises acerca das relações de poder. Se considerarmos que “gênero é mais do que uma identidade aprendida, é uma categoria imersa nas instituições sociais” 2 , a escola (assim como outras instituições) ao expressar relações sociais de gênero também é generificada. E, sob esta condição, a escola também produz (e não apenas reproduz) preconceitos, desigualdades, posições hierárquicas e normativas em seus múltiplos processos. 3 Embora, como já afirmado, seja possível perceber uma multiplicação de estudos na história da educação que analisem seus objetos de pesquisa a partir de questões relacionais de gênero e mesmo sexuais, há ainda lacunas importantes no que se refere a escolarização dos saberes em disciplinas escolares e de como seu ensino tem sido organizado e praticado ao longo do tempo, sob a perspectiva de gênero. É, tentando pensar em como o ensino de História e suas práticas históricas convocam e subjetivam os sujeitos escolares, que se inserem as reflexões desse texto. Certamente muitas outras análises são possíveis e devem ser realizadas considerando a abrangência temática que o processo de escolarização supõe. Contudo, tomo aqui as palavras de Guacira Lopes Louro como minhas: uma “história da educação na perspectiva do gênero é mais do que uma opção teórica ou pedagógica; é uma opção política” 4 . O exercício que tenho me proposto na pesquisa - “O ensino de História e a escolarização de diferenças e desigualdades de gênero no espaço escolar” 5 - busca investigar o “como em escolarização”. Mais especialmente de que forma os dispositivos inerentes a prática do ensino de História - em suas múltiplas formas, quais sejam: inserção social e cultural; apropriação de saberes; relações com outras instâncias de circulação e difusão de saberes - têm contribuído para o processo de generificação do sujeito escolar, e como (re) produzem diferenças e desigualdades de gênero. Nesta pesquisa as principais dimensões de análise são aquelas relacionadas ao gênero e a sexualidade, isto porque se percebe que na 2 LOURO, 1995, p.103. 3 LOURO, 1997. 4 LOURO, 1995, p.124. 5 Pesquisa em andamento, iniciada no segundo semestre de 2005 e desenvolvida no Grupo de Pesquisa: relações de Gênero e Família – Centro de Ciências da Educação, Universidade do Estado de Santa Catarina. As reflexões desse texto constituem-se em um recorte desta pesquisa e trazem apenas alguns apontamentos iniciais e gerais da investigação em apenas uma das fontes analisadas, no caso em questão: o livro didático de História. As outras fontes da pesquisa são: propostas curriculares para o ensino de História, nacionais e estaduais; materiais didáticos utilizados por professores/as (provas, atividades, pesquisas, etc.) e entrevistas orais. 2

Anais do VII Seminário Fazendo Gênero 28, 29 e 30 de 2006 sociedade ocidental estas duas dimensões são bastante significativas para a definição de posições de sujeito. Segundo Foucault, todos precisamos de um verdadeiro sexo, de uma definição sexual, por isso todo o imenso aparato para produzir a verdade sobre o sexo desde alguns séculos. 6 Assim, concordo com Fernando Seffner quando este diz que questões envolvendo classe, raça, etnia, pertencimento religioso, nacionalidade, naturalidade, geração de alguém certamente são muito importantes, mas é o conhecimento que possamos ter sobre o gênero e a sexualidade de um indivíduo que efetivamente funciona quando se procura “definir quem” é esse indivíduo. 7 E ainda, são estas definições que podem nos fazer rever todo o conhecimento que temos das outras dimensões da sua identidade. Escrevendo e inscrevendo práticas e relações: ensino de história e livro didático. O ensino de História e as práticas que o envolvem historicamente tem sido tomado como significativo objeto de estudo e investigação de historiadores/as da educação nas últimas duas décadas. Essas produções fazem parte das pesquisas e discussões sobre a história das disciplinas escolares realizadas por pesquisadores/as, sobretudo, franceses/as e ingleses/as, que têm privilegiado os processos de elaboração dos currículos, de construção de procedimentos metodológicos e da definição de políticas voltadas para o ensino de determinadas disciplinas nas escolas, em diferentes níveis de escolarização. A investigação histórica das disciplinas escolares nos últimos anos tem procurado desvendar não apenas os processos de sua constituição e de consolidação, como também as modalidades de sua difusão e apropriação, sejam por diferentes propostas curriculares ou por livros didáticos e publicações educacionais. Nesse sentido, recentemente o livros didático vem sendo incorporado como importante fonte de análise para se investigar a escolarização dos saberes e de como seu ensino tem sido organizado e praticado ao longo do tempo. A trajetória do livro didático no Brasil revela que ele mudou muito. Não foram apenas revisões em relação aos conteúdos, foram mudanças importantes na própria produção do livro didático que passou de uma produção praticamente artesanal a uma produção em escala industrial, com a implantação de uma poderosa indústria editorial. A partir de 1970 é possível perceber mudanças profundas em relação à linguagem utilizada, ao próprio formato do livro, a formatação dos textos, as imagens, etc. Nesse sentido, o livro didático de História publicado entre as décadas de 1970 a 2000 muito pouco se parece com o livro didático de História 6 FOUCAULT, 1988, p.56. 7 SEFFNER, 2005, p.03. 3

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