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1 Gênero e sexualidade nas práticas escolares - Fazendo Gênero ...

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Anais do VII Seminário

Anais do VII Seminário Fazendo Gênero 28, 29 e 30 de 2006 anterior a década de 1960. 8 As pesquisas realizadas sobre o livro didático de História, em sua grande maioria, investigam discursos veiculados - ao longo de sua história - em relação a determinadas noções sobre “nação”, “cidadania”, “identidade”, entre outros. Poucos e esparsos são os estudos sobre os discursos veiculados nestes livros tendo o gênero como uma categoria de análise. 9 O que a leitura dos livros didáticos de História tem a dizer sobre a produção de diferenças e desigualdades de gênero? Abaixo cito alguns trechos, retirados de livros didáticos de História que circularam em diferentes tempos e níveis de ensino, dão pistas para que busquemos pensar esta pergunta: Parece que desde que se iniciou a época pastoril, que é a época patriarcal por excellencia, a mulher passou a ser um instrumento, uma cousa, um objecto, em fim, de que o homem se valia para satisfazer seus desejos e nada mais. O homem, quanto mais coragem e força revelasse nos ataques e na defeza, tanto mais liberdade tinha para possuir várias mulheres. Como que para conservar alguma cousa dos costumes passados, uma só, entretanto, era considerada a esposa official. 10 A maior parte das tarefas penosas que tinham de ser feitas recaiam sobre as mulheres. O homem primitivo nada sabia de cavalheirismo. Quando o pequeno grupo humano mudava-se de lugar, as mulheres e meninas carregavam o pouco ou muito que havia a carregar, enquanto os homens andavam leves e livres, com as suas armas, prontos para qualquer eventualidade. O cuidado com as crianças era exclusiva obrigação das mulheres. Costuma-se supor que as mulheres é que começaram a agricultura. Isto é altamente provável. 11 Em muitas comunidades antigas, os homens e as mulheres dividiam as tarefas. Como as mulheres quase sempre estavam grávidas ou amamentando, tinham de se dedicar a tarefas que não exigiam movimento nem força bruta. Assim, a caça, a pesca e a criação de animais ficaram com os homens. As mulheres trabalhavam na agricultura, na tecelagem, cuidavam das crianças e das habitações. Era uma divisão natural do trabalho. (...) A partir do momento em que o trabalho feminino foi se reduzindo ao lar e que os homens se tornaram os chefes incontestáveis da família, as mulheres se tornaram quase propriedades do marido, Começava uma longa história de opressão machista sobre as mulheres. Séculos e séculos com as mulheres sem direito de estudar tanto como os homens, sem direito de participar plenamente da vida pública e intelectual, obrigadas a obedecer aos homens como doces cabras. 12 8 Em razão do limite de página sugerido pelo evento (7 páginas) não me deterei, aqui, em aprofundar a discussão sobre a história do livro didático de História. Sugiro os estudos de: BITTENCOURT, 1993; MUNAKATA, 1999 e GATTI Jr., 2004. 9 Apenas para ilustrar cito, aqui, o artigo de MACHADO e LOHN, 2004. 10 Referências aos “costumes” das “primeiras civilizações” em livro didático. BAHLIS, Jorge. História da civilização (Primeiro volume). Porto Alegre: Editor Carlos J. Muller, 1929, p.31. 11 Referência aos “homens primitivos” em livro didático. WELL, H. G. História Universal. Primeiro tomo. Dos começos da vida na terra até o fim do Império de Alexandre o Grande. Tradução de Anísio Teixeira. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1939, p.203. 12 Textos: “Igualdade entre homens e mulheres” e “Propriedade privada e o machismo”, respectivamente. SCHMIDT, Mario Furley. Nova História Crítica. 5ª série. São Paulo: Nova Geração, 1999, p.71. 4

Anais do VII Seminário Fazendo Gênero 28, 29 e 30 de 2006 Ultimamente tenho me detido em leituras bastante prazerosas de dezenas de livros didáticos de História brasileiros 13 e posso afirmar que o gênero feminino certamente não esteve/está ausente de grande parte desses livros. É bem verdade que em muitas – publicações passadas e presentes – as mulheres aparecem apenas como mães, esposas ou filhas de alguns ilustres personagens históricos. Em outros, aparecem como próprias heroínas, referenciadas como tais. Com o próprio desenvolvimento da “mercadoria” livro didático nos últimos anos é possível notar a presença de inúmeros links, boxes, textos dentro de outros textos, bem como uma pluralidade de imagens, que ao fazerem referência a aspectos da história da vida cotidiana, privada, abrem “parênteses” para que questões que envolvem a história das mulheres e das relações de gênero sejam abordadas. Mas, o que se pretende apontar aqui, não é propriamente a presença ou ausência das mulheres nas histórias que vem sendo lidas nas escolas nos últimos anos, mas sim a percepção de como as referências sobre as mulheres e as relações de gênero vêm sendo escritas nestes livros e, principalmente, o que inscrevem estas escritas. Mesmo depois de anos de contestações de movimentos feministas que remontam as décadas de 1960/1970; as iniciativas de transversalizar gênero e sexualidade nas disciplinas escolares dos Parâmetros Curriculares Nacionais em 1997 e todo conjunto de estudos, discussões e debates travados em encontros, simpósios, pesquisas, entre outras instâncias o gênero feminino ainda permanece como um grupo desviante na imensa maioria dos livros didáticos de História, ao passo que o gênero masculino ainda ocupa a “base da elaboração da regra”. A leitura e análise dos livros didáticos de História revelam algumas das permanências neles incrustadas. Práticas sociais que configuram determinadas relações de gênero, homens e mulheres naturalizados em seus papéis sociais como sujeitos a-históricos, atuando na história a partir de atitudes e condições socialmente preestabelecidas. Arquétipos de homens machões, dominadores, fortes e corajosos que “nada sabiam de cavalheirismo”; e de mulheres frágeis, dominadas, obedientes e submissas, “doces cabras”, persistem nos livros pesquisados da década de 1920 a 2000. Há ainda outras continuidades, aos homens cabem as grandes decisões e a definição de rumos da sociedade, as mulheres aparecem quando se fala na história da família, da criança, do patriarcalismo – este último como um modelo explicativo para diferentes sociedades em diferentes tempos e situações. 14 13 A pesquisa dos livros didáticos de História vem sendo realizada no Museu da Escola Catarinene/CEE/UDESC, na Biblioteca Pública Estadual – Florianópolis - em bibliotecas de escolas municipais de Florianópolis e acervo pessoal que vem sendo constituído com ajuda de alunos e alunas que cursam as disciplinas de Metodologia e Prática de Ensino de História I, II e III do Curso de História/UDESC e, nas quais, atuo como docente. 14 Sobre a questão do “patriarcalismo” ver artigos de MACHADO e LOHN, 2004 e CORRÊA, 1981. 5

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