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viii congresso internacional fazendo gênero “racismo e preconce

viii congresso internacional fazendo gênero “racismo e preconce

social fundado na

social fundado na realidade continuada da pobreza e marginalização dos negros, imaginário assumido como a confirmação da preguiça, ignorância, estupidez e incapacidade que os caracterizavam, tal qual propunha a ideologia da vadiagem cujas bases remontavam as teses da herança racial. Nestes termos, perceber como se deu o processo de exclusão de mulheres negras e a resistência dessas mulheres às fabricações discursivas que as desqualificavam, torna-se fundamental para o estudo da formação da identidade profissional da enfermagem brasileira. Tratando especificamente a história do Brasil, é possível afirmar que o paradigma darwinista social utilizado pelas elites políticas e dominantes na Primeira República (1889- 1930) afirmava que negros seriam naturalmente degenerados, projetando-os como sexualmente pervertidos, sujeitos de moral duvidosa ou desviantes sociais, fazendo recair sobre essa parcela significativa da população nacional uma suspeição generalizada. Políticas públicas, ordens médicas e regras de convívio social nivelavam diferenças entre negros e brancos, estes últimos identificados sempre como superiores. Tais princípios eram usados, inclusive, como critérios para definição social de uma pessoa, o que poderia incluí-la ou o seu contrário. As normas impostas pelo bio-poder, que atingiam habitação, higiene, alimentação, sexualidade, religião, literatura, entre outros, produziam juízos de valor que restringiam possibilidades. Como degenerados ou criminosos natos, negros não poderiam ou não deveriam participar da esfera social mais ampla na medida em que a contaminaria física e moralmente, como apregoavam médicos e também advogados (SOUZA CAMPOS, 2003). Nas origens da sociedade republicana, quando não assumidos como crias da casa, negros eram representados como páreas, dada a cristalização de imagens que os associavam a classes sociais perigosas, marcando profundamente as relações sociais no Brasil nas décadas iniciais da República. Assimilados como primitivos diante do estágio evolutivo da espécie humana discursos médicos e jurídicos, transformados em práticas, localizavam na parcela negra da população nacional o perigo da degeneração da raça e outras formas de contaminação social, problema que a ideologia do branqueamento há muito pretendia resolver ii . As visibilidades decorrentes desse processo formalizam a investigação em torno dos modos de exclusão racial e de gênero no ofício da enfermagem durante a primeira metade do século XX. Vale dizer, ao perscrutar a história das mulheres negras no âmbito da história da enfermagem, pretende-se perceber os alcances da opinião pública, forjada pela medicina social, sobre o contingente negro do Brasil contribuindo, assim, para o estudo das

epresentações construídas para as mulheres negras, especificamente, as que interferem na formação da identidade profissional da enfermagem brasileira. A história da enfermagem torna-se particularmente interessante para a história das mulheres negras. Em sua origem profissional, os cursos de formação deveriam evitar a presença negra - assim como a masculina - nos quadros discentes, resultado de um processo de seleção rigidamente instituído. Tal impedimento encontrava suporte no modelo educacional assumido como padrão profissional no Brasil, proposto originalmente por Florence Nigthingale (1820-1910), precursora da enfermagem moderna, bem como em suas intenções de moralizar a ação do cuidado, anteriormente identificada como prática desqualificada e desqualificadora, exercida por mulheres desviantes, vulgares e marginais iii . Contrariando a concepção de democracia que fundou o regime republicano no Brasil, bem como os antecedentes históricos da ação do cuidado realizado em território brasileiro, para a admissão em uma escola de enfermagem considerada padrão era preciso ser mulher, branca, possuir formação educacional e religiosa, esta preferencialmente cristã, entre outros pré-requisitos que restringiam as possibilidades de seleção. Recuperando a documentação que registra a trajetória da história da enfermagem no Brasil, é possível encontrar episódios originais que permitem analisar as relações interétnicas no âmbito da formação profissional. Um desses episódios, vividos por dirigentes e alunas da Escola de Enfermeiras do Departamento Nacional de Saúde Pública, fundada em 1923 na cidade do Rio de Janeiro, desvela o problema: É verdade que a política de organização da escola tinha sido evitar, diplomática e estrategicamente, a admissão de negros, até que a opinião pública em relação à profissão de enfermagem tivesse mudado. Isto era fundamental se pretendia atrair mulheres de melhor classe... mesmo a Academia Naval colocava obstáculos para impedir a admissão de candidatos negros. Todas as vezes em que moças de cor se candidatavam para entrar na escola, havia sempre outras boas razões para que elas não fossem qualificadas, por isso nenhum problema havia surgido até então. Na verdade, havia já na escola três estudantes que, apesar de brancas, mostravam alguns traços de sangue negro. Foi enviada uma carta à imprensa comunicando que nenhuma pretendente havia sido rejeitada por causa da cor, mas não foi convincente, e o Departamento de Saúde achou que seria aconselhável permitir o ingresso de uma moça negra, se acaso se apresentasse alguma que preenchesse todos os requisitos para a admissão. Esta candidata apareceu em março, juntamente com as demais pretendentes sob forte suspeita de que havia sido mandada por um dos jornais, e foi admitida. Isto provocou uma enxurrada de protestos por parte da alunas, mas, após considerar a questão, o Conselho de Estudantes finalmente decidiu que qualquer manifestação de rejeição ou de descortesia para com uma colega de classe demonstraria falta de respeito e de vontade de cooperar, e assim não houve mais dificuldades.

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