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viii congresso internacional fazendo gênero “racismo e preconce

viii congresso internacional fazendo gênero “racismo e preconce

As estudantes deixaram

As estudantes deixaram claro, contudo, que esperavam que não fosse admitida nenhuma outra negra por algum tempo (MOREIRA, 1999). O documento revela que a admissão de uma negra e outras “...que apesar de brancas, mostravam alguns traços de sangue negro...” no interior dos quadros acadêmicos da referida escola derruba a tese da ignorância e dos desvios que as caracterizavam, motivos pelos quais estas seriam naturalmente impossibilitadas de ingressar nos cursos profissionalizantes. O registro comprova que independente da origem étnica ou condição social, mulheres negras poderiam preencher os pré-requisitos exigidos a uma futura enfermeira, o que permite trazer o debate para o campo das representações (CHARTIER, 1991). As evidencias que o registro evoca permitem observar, por outro lado, a resistência de mulheres negras na conquista de seu espaço social, intelectual e profissional, o que implica repensar as bases que forjaram a identidade profissional da enfermagem brasileira ou então, qual seria o motivo para a exclusão das mulheres negras da formação profissional? Analisando a documentação, é possível observar que o desejo de não ver o episódio repetido consubstancia a historiografia recente, quando esta afirma que a sociedade brasileira sempre rejeitou o convívio com aqueles que um dia foram seus cativos, justificando a natureza das restrições impostas (DOMINGUES, 2000). As relações de interdependência entre as práticas do cuidado e as populações negras no Brasil sempre foram muito próximas, ainda que pouco estudadas. Durante todo o processo histórico do Brasil, era intensa a participação de mulheres negras como parteiras, amas de leite, negras domésticas e mães pretas, ou seja, mulheres que cuidavam de enfermos, velhos e crianças - mesmo que para o cuidado das crianças muitas devessem abandonar os seus próprios filhos (DEIAB, 2005). A avaliação histórica da origem brasileira da enfermagem profissional permite supor que a interpretação do cuidado como prática desqualificadora, realizada por mulheres ignorantes, brutalizadas ou vulgares, encontrava na mulher negra o perfil acabado, motivo que a exclui da formação profissional. A mulher negra, no Brasil, assumia as características da enfermagem pré-nightingaleana, tal qual o que Mrs. Sairey Gamp foi para a enfermagem inglesa iv . Ou seja, a presença negra na enfermagem brasileira favoreceria a permanência de uma memória inglória, pautada em representações transformadas em correlatos de verdade, assumindo como cabais as representações que as teorias da degenerescência imprimiam às populações pobres e negras do Brasil. Isto posto, é possível afirmar que o intrincado processo de apropriação dos bens culturais e a espoliação das diferentes culturas afro-descendentes

marginalizaram as mulheres negras no seu próprio mundo, eliminando da memória histórica da enfermagem nacional ações que, no passado, resultaram na prática efetiva do cuidado. Referências bibliográficas CHARTIER, R. O Mundo como Representação, Estudos Avançados, São Paulo, v. 5, n.11, p. 173-191, jan./abr. 1991. DEIAB, R. de A. A Memória afetiva da escravidão, Revista de História da Biblioteca Nacional, ano 1, n. 4, p. 36-40, out. 2005. DOMINGUES, P. J. Uma História mal Contada. Negro, racismo e trabalho no pós-abolição em São Paulo (1989-1930). São Paulo, 2000, 370 f. Dissertação (Mestrado em História) Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências, Universidade de São Paulo. HOUFBAUER, A. Uma história do branqueamento ou o negro em questão. São Paulo, 1999, 375 f. Tese (Doutorado em História) Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências, Universidade de São Paulo. MIRANDA, C. M. L. O Risco e o bordado. Um estudo sobre formação de identidade profissional. Rio de Janeiro: EEAN/UFRJ, 1986. MOREIRA, M. C. N. A Fundação Rockefeller e a construção da identidade profissional de enfermagem n Brasil na Primeira República. História, Ciências, Saúde - Manguinhos, v. 3, p. 621-645, nov. 1998 fev.1999. p. 637. OGUISSO, T. Trajetória Histórica e Legal da Enfermagem. Barueri: Manole, 2005. PERROT, M. Os excluídos da história: homens, mulheres, prisioneiros. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988. SANTOS, G. A. Mulher negra, homem branco. Rio de Janeiro: Pallas, 2004. SOUZA CAMPOS, P. F. de. Os crimes de preto Amaral. Representações da degenerescência em São Paulo. 1920. Assis, 2003. 325 f. Tese (Doutorado em História) Faculdade de Ciências e Letras - Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”.

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