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Gênero e sexualidade nas práticas escolares ST ... - Fazendo Gênero

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A relação de gênero

A relação de gênero constitui nosso foco de interesse pela necessidade de saber como esse fenômeno ocorre no contexto escolar, de forma manifesta, através das condutas e comportamentos motores observados e do discurso dos indivíduos em estudo. A partir dessas considerações, a questão que carece de investigação é assim traduzida: “Como se dá a construção das relações de gênero em alunos e alunas da 4ª série do Ensino Fundamental, na realização das atividades em uma escola municipal da Cidade do Rio de Janeiro?”. Em decorrência dessa interrogante, o estudo tem como objetivo geral analisar o processo de construção das relações de gênero através das atividades realizadas, em sala de aula e na Educação Física, com alunos de ambos os sexos, de 10 anos, que freqüentam a 4ª série do Ensino Fundamental de uma escola municipal da Cidade do Rio de Janeiro. Dentre essas atividades, colocamos em destaque os jogos, realizados no espaço da Educação Física e em sala de aula. Para a consecução do propósito maior, delineamos os seguintes objetivos específicos: a) Mapear os jogos e as atividades em geral, que são valorados pelos meninos e pelas meninas, na perspectiva das relações de gênero. b) Articular os estudos teóricos sobre a relação de gênero, construída socialmente, e a prática no espaço escolar. c) Identificar, mediante a observação, tanto nas atividades escolares em sala de aula quanto no espaço da Educação Física, a articulação das relações de gênero e as possíveis manifestações de poder. d) Interpretar as condutas e os comportamentos motores generificados, bem como os discursos dos alunos e alunas, nas atividades, lúdicas ou não, na Educação Física e na sala de aula. Metodologia e instrumentos Optamos pelo estudo de cunho etnográfico por permitir reconstruir os processos que constituem o cotidiano da situação escolar e a experiência das relações na prática. André (2003a) ressalta que, nesse tipo de investigação, o pesquisador exerce dois papéis, simultaneamente: o papel subjetivo, participante, e o papel objetivo, de observador, em busca da compreensão e explicação do comportamento humano. Também Geertz (1989) se refere à descrição etnográfica como interpretativa, pois interpreta o fluxo do discurso social; o autor acrescenta que “o etnógrafo inscreve o discurso social”. Os instrumentos utilizados foram a observação, o diário de campo e a entrevista. Iniciamos o estudo observando situações, atos e comportamentos das crianças através da “imersão no contexto”, de acordo com Alves-Mazotti (2002). Essa inserção no campo foi realizada durante 22 semanas, em sala de aula e nas aulas de Educação Física, com registros no diário. Seguindo o pensamento de DaMatta (1987), a escrita no diário de campo funcionou como uma

memória social e os registros requereram uma análise num diálogo entre dados e teorias e, reciprocamente, entre teorias e dados. A entrevista semi-estruturada, devidamente validada, foi realizada com 20 crianças, de ambos os sexos e, para estudar as respostas emitidas, utilizamos a estratégia da análise do discurso, segundo Orlandi (2002). Apresentação e discussão dos resultados As observações em sala de aula trouxeram um contraponto em relação ao descrito nas aulas de Educação Física, com diferenças que esclareceram os sentidos das condutas e comportamentos motores das crianças, bem como de seus discursos, pela comunicação entre elas e também pela sua ideologia. A conduta estereotipada se repetia no decorrer das aulas de Educação Física, quando, no jogo de futebol, meninos e meninas constatavam a hegemonia masculina nas condutas dos meninos; percebíamos naquelas ações o exercício da dominação masculina que, segundo Bourdieu (1995) encontra-se suficientemente assegurada para precisar de justificação. Despontava, de maneira marcante, a dicotomia nas atividades físicas de futebol e queimado: futebol é dos meninos e queimado é das meninas. Em várias ocasiões apareceram divergências entre meninos e meninas na realização das atividades. Segundo Daolio (1995) as diferenças motoras entre meninos e meninas são construídas culturalmente; pudemos perceber, além dessa construção, a existência das diferenças intragênero, quando as meninas reclamavam umas das outras em relação à falta de habilidade motora atribuída a algumas delas, fator de exclusão pelas colegas. Em sala de aula, as condutas e comportamentos motores generificados expressavam as relações de poder entre as crianças. As meninas assumiam o comando nos trabalhos em grupo, nos jogos, nas respostas às tarefas propostas pela professora, fazendo acentuadas críticas às condutas e produções dos meninos, mas aceitando como natural o seu comportamento descompromissado. Os dados da entrevista com as crianças foram transcritos e a análise das respostas remetidas aos propósitos do estudo. A partir da observação e das questões formuladas na entrevista - “Que atividades você gosta mais de realizar em sala de aula? Por quê?” e “Quais são os seus jogos preferidos nas aulas de Educação Física? Por quê?” - foram mapeados os jogos e atividades que eram valorados pelas crianças de ambos os sexos. Outras questões formuladas na entrevista exploraram as escolhas das crianças em relação à formação de grupos e equipes, só de meninas, só de meninos ou mistos, em sala de aula e na aula de Educação Física, nos jogos e outras atividades. Um número significativo de meninas preferia equipes mistas para os jogos, enquanto que somente poucas escolheram uma equipe só de meninas. A maioria dos meninos gostaria de formar equipes só de meninos. Em sala de aula, a maior parte

Gênero e sexualidade nas práticas escolares. ST ... - Fazendo Gênero
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