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Gênero e Sexualidade nas Práticas Escolares ... - Fazendo Gênero

Gênero e Sexualidade nas Práticas Escolares ... - Fazendo Gênero

exemplo da revista

exemplo da revista Estudos Feministas da Universidade Federal de Santa Catarina e dos Cadernos PAGU – Unicamp. Silva (2004), que realizou estudo sobre o “estado da arte” (período de 1977 a 2001) na “Formação de professores/educadores para a abordagem da educação sexual na escola” iii , confirmou que a maioria das publicações são oriundas das regiões Sudeste e Sul, com maior concentração no Estado de São Paulo, e afirmou “ que à imensa importância do tema não corresponde uma divulgação de igual peso” (SILVA, 2004, p.9) e que as produções acadêmicas sobre a educação sexual, decorrentes de pós-graduações, não estão ao alcance dos mais interessados, que são os professores. A mesma autora concluiu, ainda, que a área da Educação foi a maior produtora de estudos sobre a educação sexual iv , embora a maioria dos autores sejam graduados em outras áreas: Ciências Biológicas, Psicologia, Enfermagem, Medicina, Filosofia, dentre outras. Destacou, também, que a linha de pesquisa menos explorada é a relativa ao tema da formação do professor/educador em educação sexual, revelando que ainda é incipiente a preocupação com a formação de professores/educadores para a abordagem dessa temática tanto com crianças de baixa idade, quanto com alunos no nível universitário. No ocidente, a educação para a saúde foi influenciada, predominantemente, pelo paradigma cartesiano, que moldou, por sua vez, a práxis educativa voltada para a formação dos profissionais da área. Esse modelo mecanicista é o alicerce conceitual da moderna medicina científica, caracterizada pelo reducionismo, com a visão do corpo como uma máquina e da doença como conseqüência de uma avaria que deve ser consertada pela intervenção médica corretiva. A educação sexual também assumiu o modelo predominante adotado pela educação para saúde, estabelecendo seu foco na doença, representada pelo risco de contaminação por DSTs e Aids , na especialidade da ginecologia e no mercado de preservativos e medicamentos. O sujeito social mulher, visto quase que exclusivamente como reprodutor da espécie, foi reduzido à condição de potencial consumidor, seja como o ícone da redução da natalidade através do uso dos anticoncepcionais, seja na menopausa e terceira idade através da reposição hormonal, ou na gravidez, através dos complexos vitamínicos e exames com crescente incorporação tecnológica. Trata-se da etiquetagem iatrogênica das diferentes etapas da vida humana referida por Illich (1975), na qual a vida não é mais uma sucessão de diferentes formas de saúde, mas sim uma seqüência de períodos, cada qual exigindo uma forma particular de consumo terapêutico. A educação sexual hegemônica quase nunca considera os determinantes sociais, culturais, ambientais, étnicos e econômicos intrínsecos a uma política educacional que vise à “mulher” como sujeito social, historicamente condicionado a uma de série de dependências culturais, de gênero, que não mudam repentinamente, apenas com indicativos médicos sanitários, sustentados por 2

campanhas v que preconizam “sexo seguro”, compreendido como a prática do sexo microbiologicamente seguro, uma vez que se apóia na prevenção de infecção por DSTs e AIDS pelo uso da camisinha. A proposta veiculada sobre “sexo seguro” ancora sua ação educativa centrada na prevenção da doença. Em suma: uma abordagem orgânica e intimidadora. Quase não estabelece relação dialógica e em geral despreza o que é essencial para o diálogo com a mulher. São desconsideradas questões de gênero contextualizadas historicamente e espacialmente. A mulher pouco se reconhece nessa abordagem reducionista. Assim, indagamos: a segurança para o exercício da vida sexual está apenas no uso do preservativo? Os condicionantes sócio-culturais têm lugar de expressão na abordagem médicosanitária? O exercício de nossa sexualidade desperta inseguranças? Essas inseguranças são apenas representadas pelo risco da gravidez e infecção por DSTs? Em quais dimensões a mulher, como sujeito social, se vê contextualizada nessas campanhas? Afinal, quem são os profissionais que desempenham o papel de educadores para o exercício da sexualidade e para a promoção da saúde da mulher? Os protagonistas da educação para o sexo seguro quase sempre são profissionais das áreas de saúde ou de educação, formados dentro da concepção orgânico-mecanicista, que segundo Silva(1997) estão despreparados para atuarem como educadores em sexualidade, pois trabalham ainda no plano do senso comum, atrelado ao sexo orgânico, perpetuando valores, conceitos e preconceitos.. Figueiró (1995) concluiu que a educação sexual está muito associada ao enfoque higienista, que reforça a prevenção de doenças como DST/Aids e a gravidez, muitas vezes por meio de abordagens que geram medo e levam ao descrédito, como se a educação sexual se resumisse a esses aspectos. Silva (1997) vi confirmou os resultados de Figueiró (1995) com a verificação de que os estudos sobre sexo em escolas de medicina, ficam dentro de explicações biológicas e mecânicas das características anatômicas, fisiológicas e patológicas e conclui afirmando que a estrutura curricular dos cursos investigados é anacrônica e desatualizada. Outros estudos desenvolvidos sobre o ensino da sexualidade em cursos de graduação de Enfermagem e Medicina revelaram que: o ensino da sexualidade humana é inexistente dentro da estrutura curricular, inexiste a preocupação em ministrar tal ensino por parte da Instituição, incapacidade das docentes de assumirem de fato a responsabilidade pelo ensino na Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (EGRY 1985); os professores não têm consciência de que estão sendo superficiais e pouco reflexivos na abordagem do tema sexualidade no curso de Enfermagem da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto – FAMERP e que os conteúdos 3

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