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Relações de gênero através da produção musical do rap de ...

Relações de gênero através da produção musical do rap de ...

mulheres. Dentro

mulheres. Dentro da construção de uma crítica social sobre a condição que vivenciam nos bairros de periferia e favelas, marcam estas narrativas com a questão de gênero. E retomo as colocações de Blacking (1973) que ressalta que para os estudos sobre música é imprescindível a compreensão do contexto cultural no qual ela é criada. Desprezar esta relação é correr o risco de cometer erros de compreensão do processo de produção musical. Nos raps compostos por homens, poucas são as mulheres que possuem “existência própria”, com voz e autonomia. São os homens que falam sobre as mulheres. Na produção musical das mulheres, algumas especificidades se colocam. Uma delas refere-se exatamente a terem seus problemas abordados, mesmo quando existe a voz masculina. Um outro aspecto é que em muitas destas composições, mais do que “mostrar o caminho certo”, elas privilegiam discutir o problema, com suas contradições e impasses, sem necessariamente querer solucioná-los. A prioridade está em discutir o problema. Volto aqui a pensar a partir do conceito de “conflito” proposto por Simmel, para o qual mais do que uma solução que contente a todos, sua emergência faz refletir sobre a situação e mais do que a solução final, é o “processo” que importa. Nestas composições, sugerem debates que em muitos momentos emergem de relações conflituosas, mas fundamentais para alimentar a dinâmica desta discussão e produção musical perpassada pelas relações de gênero. Referências BAIRROS, Luiza, Nossos feminismos revisitados. Revista de Estudos Feministas. Vol.3, n. 2, Rio de Janeiro: IFCS/UFRJ, 1995. p. 458-463. BENTO, Maria Aparecida Silva. A mulher negra no mercado de trabalho. Revista de Estudos Feministas. Vol.3, n. 2, Rio de Janeiro: IFCS/UFRJ, 1995. p. 479-488. BLACKING, J. How music is man? Seattle: University of Washington Press, 1973. FRADIQUE, T. Fixar o movimento: representações da música rap em Portugal. Lisboa: Dom Quixote, 2003 MORAES, E. (org.) Simmel:Sociologia. São Paulo: Ática, 1983. OLIVEN, Ruben George. O imaginário na música popular brasileira. PAIS, J. M.; BRITO, J. P. CARVALHO, M. V. Sonoridades luso-afro-brasileiras. Lisboa: Imprensa de Ciências Sociais. Estudos de Investigação – 32. 2004. p. 291-322. RIBEIRO, Matilde. Mulheres negras brasileiras: de Bertioga a Beijing. Revista de Estudos Feministas. Vol.3, n. 2, Rio de Janeiro: IFCS/UFRJ, 1995. p.446-457. SILVA, Maria Aparecida. O rap das meninas. Revista de Estudos Feministas. Vol.3, n. 2, Rio de Janeiro: IFCS/UFRJ, 1995. p. 515-524. SOUZA, Angela Maria de. O Movimento do RAP em Florianópolis: A Ilha da Magia é só da Ponte pra lá! Florianópolis: Dissertação de Mestrado. PPGAS-UFSC, 1998. 1 No trabalho de campo que realizei na Grande Florianópolis, é muito comum perceber esta figura da mãe na vida destes rappers. Muitos tem como objetivo conseguir uma “vida melhor” para sua mãe. Em muitas situações estas são também as maiores incentivadoras da carreira musical de seus filhos. Visitei casas e conheci muitas destas mães e vale 6

essaltar que foram muito poucos, os pais com os quais tive contato. Além de alguns conviverem somente com a mãe, é importante levar em consideração a condição de gênero da pesquisadora e as implicações na aproximação com as mães. 2 Esta polarização na forma como as mulheres aparecem nas composições musicais de homens não restringe-se ao rap, Oliven (2004), analisando os sambas da primeira parte do século XX, aponta a recorrência freqüente de dois tipos de mulheres, uma primeira que representa o mundo da ordem (família, trabalho) e a segunda, representada pela amante e associada ao prazer, o que pode implicar em perigo, de abandono, de ser enganado. 3 Importante ressaltar que outras mulheres emergem em outros raps de homens, mesmo sendo poucos, um exemplo é a música “Tributo às mulheres pretas”, de Rappin' Hood, do CD “A trama orgulhosamente apresenta: Rappin'Hood em Sujeito Homem” (2001). 4 Amparada pelas proposições de Simmel, abordo o “conflito como uma forma elementar e necessária do processo de sociação, e não mais como permanente fator dissociativo, não foi além dessa função positiva de manutenção do grupo, de sua coesão, com superação das divergências.” (Apud Moraes Filho, 1983, p. 29) Aqui o conflito é abordado como dinamizador das relações, entre as quais está a de gênero. 5 A música Prostituta é a faixa 5 do CD Na Humilde, de Nega Gizza (2002) – Gravadora Zâmbia/DumDum Records. 5 O Estágio foi realizado entre os meses de novembro-dezembro/2007 e janeiro-fevereiro/2008 no ICS – Instituto de Ciências Sociais na Universidade de Lisboa, com bolsa da CAPES. 6 CD da gravadora Dreamflow (2004). Na transcrição dos trechos da música optei por deixa-la no português de Portugal, conforme busquei na página http://www.h2hteam.org, onde encontrei a transcrição da letra da música. 7 É bastante comum encontrar esta situação de imigrantes ou filhos de migrantes na produção do rap em Portugal. Com suas peculiaridades por sua condição de deslocamento geográfico e sócio-cultural, que muitos reforçam em suas músicas, mesmo sendo nascidos em Portugal. A grande maioria deles negros e provenientes de Angola e Cabo-Verde. Entre os quais, muitos dizem fazer o rap crioulo, inclusive cantado nesta língua, em contraposiçao ao rap tuga, o rap português. 8 CD intitulado “Dias melhores virão...Sonhar é preciso.”, da gravadora Demanda (2007) 10 Como a música é cantada por um homem e uma mulher, a parte sublinhada da letra refere-se ao vocal feminino. 7

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