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ST 38 Márcia Maria Severo Ferraz Vera Lúcia ... - Fazendo Gênero

ST 38 Márcia Maria Severo Ferraz Vera Lúcia ... - Fazendo Gênero

anuência em relação

anuência em relação aos ideais cultuados pelo grupo. Seu poder, “transfigurado em honra, (boa) fama, ou capital simbólico” (Bourdieu, 1995, p. 146), diminui na exata proporção em que seus comportamentos, sentimentos e suas idéias contrariem a opinião geral, que se volta contra ele também na exata proporção da perda de poder ou status. Neste estudo, analisam-se as relações de gênero masculino e feminino nos cartuns da revista Cláudia, intitulados Curvas perigosas, da argentina Maitena, situando-as no contexto específico da dependência desses agentes: ao futebol e à companhia feminina constante. Nele, percebe-se como as angústias femininas e/ou masculinas podem ser retratadas com bom humor e ironia pela cartunista. Para tanto, parte-se da revolução de costumes realizada nos anos 60 que criou uma nova mulher – mais livre para concretizar seus desejos existenciais, profissionais e sexuais – e também um novo homem de contornos pouco claros até alguns anos atrás. Explica-se: a princípio, destituídos dos papéis sociais rígidos a eles destinados, os homens ficaram perdidos, vulneráveis, como se lhes tivessem tirado o chão. Tanto que, nos anos 90, decretou-se a crise do macho. Mas, assim como as mulheres foram à luta eles também não se acomodaram na infelicidade. Empreenderam uma revolução menos barulhenta do que a feminina e hoje já se mostram mais à vontade no lugar que ocupam na sociedade moderna. Dessa forma, um dos aspectos que mais chamam atenção é que o novo homem está começando a dar conta das ansiedades dela – a nova mulher. Apesar de todas as conquistas visíveis e dos avanços de mentalidade, boa parte das mulheres ainda se ressente de não cuidar em tempo integral dos filhos ou de não dar mais atenção à casa – isso quando há filhos ou casa a serem cuidados. Muitas mulheres vivem o dilema de escolher entre uma carreira e uma família. Pois bem, diante de tais angústias femininas, os homens até que estão se saindo bem. Assim, o machismo perdeu terreno e, no seu lugar, entrou a delicadeza, embora o esporte preferido dos homens nunca vá ser discutir a relação, eles hoje estão mais atentos aos movimentos internos de suas companheiras e também se mostram mais participativos na vida familiar. Pais e filhos nunca estiveram tão próximos quanto hoje e o contato mais íntimo com os filhos serviu de trampolim para a maior transformação masculina, pois o amor que os homens aprenderam a dar e a receber de seus filhos fez com que eles tomassem contato com seus próprios sentimentos, sufocados durante séculos. Para Conell (1995), o gênero é sempre uma estrutura contraditória, e é isso que torna possível sua dinâmica histórica, impedindo que a história do gênero seja um eterno e repetitivo ciclo das mesmas e imutáveis categorias.

O padrão agora freqüentemente chamado de “masculinidade tradicional” e vinculado à “família tradicional” é, na verdade, uma forma de gênero historicamente recente, um produto claro do mundo moderno (CONELL, 1995). Todas as formas de política da masculinidade envolvem uma relação com o feminismo. Quer essa seja uma relação de rejeição, ou de coexistência cautelosa ou ainda o apoio caloroso, esse é o centro emocional dos debates atuais. Desse modo, o interesse dos homens na hierarquia do gênero, definida pelo dividendo patriarcal, é real e grande, mas internamente dividido e cruzado por interesses relacionais partilhados com as mulheres (CONELL, 1995). Por mais de uma década, a tendência na teoria feminista tem sido a de reenfatizar a diferença entre homens e mulheres. Isso teve vantagens óbvias em termos de construção do movimento das mulheres, mas também teve seus custos. Numa cultura patriarcal, a diferença é sempre lida em termos hierárquicos, tendo o masculino como pólo de autoridade. A diferença se torna diferença/dominação e esse fato cultural coloca limites a uma política de reforma baseada nos direitos. Mas, de acordo com Conell (1995), se quisermos compreender o gênero como a forma por meio da qual os corpos são trazidos para um processo histórico, então podemos reconhecer contradições nas corporificações existentes e ver grandes possibilidades de re-corporificação para os homens. Nesta pesquisa, analisa-se a relação feminino e masculino nos cartuns de Maitena na revista feminina Cláudia cujos textos de cultura de massa são lidos por muitas pessoas e estão presentes nas suas vidas. Segundo Caldas-Couthard (2005), essa revista para mulheres (e, mais recentemente, as revistas para homens) têm sido objeto de análise crítica sociológica e cultural, já que mantém valores culturais dentro da sociedade. Mais especificamente, selecionou-se Cláudia, publicação da Editora Abril, examinandose os cartuns intitulados Curvas perigosas nos quais se aposta em textos mais curtos e desenhos mais diretos (o que não significa menos elaborados) para abordar uma temática ampla, bem como se admite que esta é a menos “feminina” das suas três coleções. A graça das agruras das mulheres está toda lá, mas acompanhada de outras neuroses contemporâneas como o consumo desenfreado, a tecnologia e a correria cotidiana – os homens, também público cativo da cartunista, ganham mais espaço. Considera-se que, dentre as obras da autora, Mulheres alteradas e Mulheres superadas, essa é a mais profunda e que, além de fazer rir, provoca reflexão. A primeira série, Mulheres alteradas, refere que as mulheres fazem muitas coisas e têm muitas preocupações ao mesmo tempo, o que inclui corpo, alma, casa, filhos, amor, amante e trabalho. Nela, a autora olha ironicamente as estranhezas da condição feminina. Já em Superadas,

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