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1 Gênero e Religião ST. 24 Joice Meire ... - Fazendo Gênero

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2 A observação atenta

2 A observação atenta passou a ser uma das atitudes fundamentais do comportamento civilizado. E determinados comportamentos, como o olhar, por exemplo, passam a assumir uma posição preponderante no controle dos impulsos e das emoções. A vida dos seres humanos dividia-se cada vez mais entre uma esfera íntima e outra pública, entre comportamentos secretos e públicos, enquanto o Estado crescia sobre a sociedade. No final desse processo, quando a burguesia libertou-se das amarras do Estado absolutista e tornou-se hegemônica, a família assumiu o papel da principal instituição destinada a controlar os comportamentos. “Só então, a dependência social da criança face aos pais torna-se particularmente importante como alavanca para a regulação e moldagem socialmente requeridas dos impulsos e das emoções.” (ELIAS, 1990) As mulheres deverão afastar-se de semelhantes livros [pastorais e de cavalaria~como da víbora ou do escorpião; e se alguma estiver tão embevecida neles que se negue a abandona-los, não apenas deve-se arranca-los de suas mãos, mas, vendo-a mal disposta a melhores leituras, os pais e amigos a afastarão de toda leitura e de todos os livros até deixá-la quase na ignorância. (VIVES in: FOUCAULT, 1977) As instruções não deixavam dúvidas quanto ao papel atribuído a mulher cristã na sociedade renascentista. Elas viviam em casa, resguardada pela família e pelos amigos, tendo como sua maior virtude e mais precioso tesouro: a castidade iii . 3. RELEMBRANDO O MODELO DE PERFEIÇÃO A partir do século XIX, o projeto modernizador trouxe consigo o combate a um país inculto e incivilizado, abrindo espaço para um novo modelo de mulher: “perfeita” e “completa”, que a sociedade passara a exigir. Na tentativa de rever este modelo de mulher , utilizamos a memória coletiva das ex-alunas do Colégio Nossa Senhora do Carmo iv , partindo da idéia de que a história se debruça sobre a memória, e se utiliza dela como objeto. “A memória é um fenômeno construído (a sua organização em função das preocupações pessoais e políticas do momento mostra que ela é construída). Quando falo em construção, em nível individual, quero dizer que os modos de construção podem tanto ser conscientes como inconscientes. O que a memória individual grava, recalca, exclui, relembra, é evidentemente o resultado de um verdadeiro trabalho de organização.” (POLLACK,1992) Em se tratando do modelo de mulher que prevaleceu na memória coletiva desde de meados do século XVIII, Garcia (2004) mostra que a idéia de que a mulher deveria zelar pelo seu lar e sua família, permanece.

3 “As mulheres deveriam ser mais educadas do que instruídas, o que justifica a estrutura de ensino baseada na virtude e no sentimento, geradora da imagem ideal de esposa e mãe.” (GARCIA, 2004) “As mulheres não deveriam deixar de lado sua feminilidade e seus cuidados com o marido e os filhos por conta de um emprego.” (GARCIA, 2004) No início do século XX, para as moças de menor poder aquisitivo, surge a possibilidade de profissionalização. E, o magistério passa a ser uma atividade socialmente aceita, entendido como uma “extensão da maternidade”, pois também exigia devoção e sacrifício. Após uma análise sobre a situação feminina, vimos que a religião, a obediência e a educação formaram o tripé de virtudes que sustentara o modelo ideal de perfeição. Primeiramente, porque a proposta educacional era orientada pelos princípios do catolicismo, cujo preceito girava em torno da família e da figura da mulher como mãe. Assim sendo, essa mulher, educada e cristã convicta, estaria imprimindo seus valores a seu grupo social, concretizando, pois, não só um projeto católico de formação individual, mas grandes propósitos educativos e de moral para toda a sociedade. “Se pensarmos um projeto de educação que considere como significativa e válida a visão cristão de homem, tem-se que pensar uma educação que tenha como objeto tais princípios. É preciso que não se esqueça de propiciar ao educando oportunidade de uma relação continua e permanente com Deus, guiando-se pelos princípios de justiça e de liberdade propostos pela lei divina.” (FERNANDES, 1999) Em seguida, o bom comportamento das moças fazia parte do ideal educativo adotado, pois incentivava a perfeição. E, as alunas que destacavam-se durante ano letivo eram premiadas. “Outro recurso, utilizado pelos jesuítas, era a emulação entre os indivíduos e os grupos através de competições, recompensas, provas e outros meios que levassem os alunos a desenvolver o sentimento individual e coletivo, do esforço pessoal associado ao espírito de grupo numa tentativa de compensar o conformismo educativo.” (FERNANDES, 1999) E, finalmente, a boa educação, que na maioria das vezes, deveria vir de família, pois era obrigação das mães instruir suas filhas, preservando-as de “defeitos femininos”, tais como vaidade, paixão e o costume de falar muito. Segundo Fénelon, um dos patronos da educação feminina, era preciso estar atento a imaginação feminina, considerada um dos principais defeitos, fazendo com que a falta de alimento sólido, a jovem desviasse seu interesse para as banalidades e os perigos trazidos pelos romances, comédias e aventuras. Ele considerava a paixão pelo que dizem, como um vício feminino, o que fazia as mulheres falarem em excesso, sendo necessário ensiná-las a rechaçar todo o discurso inútil e a “dizer muito em poucas palavras”. “Era preciso também ensinar as jovens a refletir e a examinar

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