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1 Gênero e Religião ST. 24 Joice Meire ... - Fazendo Gênero

1 Gênero e Religião ST. 24 Joice Meire ... - Fazendo Gênero

4 seus pensamentos antes

4 seus pensamentos antes de falar e, principalmente, a maneira e a hora certa de calarem-se.” (FÉNELON, 1937) Fénelon (1937), criticava os conventos. E, lembra que pelo menos até o século XVIII, eles ainda não eram considerados instituições ideais para a educação de meninas católicas, principalmente por priva-las do convívio com seu meio natural, junto a família. “Eu aprecio muito a educação dos bons conventos”, ponderava o Arcebispo de Cambrai, que fora preceptor do duque de Borgonha, filho de Luís XIV, “mas prefiro a de uma boa mãe, quando está disponível para dispensa-la integralmente à sua filha.” (FÉNELON, 1937) No entanto, também reconhecia os perigos da educação doméstica quando sob os cuidados de uma boa mãe a quem faltassem “as luzes necessárias”, ou a uma má governanta, às quais era preferível, o mais medíocre convento. Tudo isto contribui para erigir um mundo fechado, apartado das preocupações e das “más influências”. Era preciso proteger as meninas dos exemplos nefastos, pois o sentido e o pensamento do coração humano são inclinados para o mal desde a juventude. A sólida formação religiosa e moral exigida pelos colégios específicos em educação feminina, que passaram a surgir após o século XVII, tem como objetivo neutralizar o sentimento de exaltação e o excesso de imaginação, através da introdução de arraigados princípios de fé e virtude, capazes de proporcionar as meninas o controle de si. Tal controle estava presente no rigor vinculado a uma vigilância ininterrupta, e com punições para quem fugisse às regras impostas. Como diz Manoel (1988): “... vigilância de todos os instantes, de todos os movimentos, de todos os atos públicos ou particulares, de forma que a privacidade fosse desmontada e todas ficassem diante de todas sem características próprias, sem marcas pessoais, sem individualidade. Cada passo era medido, estipulado por um conjunto de regras, destinado a modelar a mulher que, além dos ornamentos culturais, da polidez, portasse a marca indelével da educação conservadora. Por isso, comportamentos, linguagem, tudo era vigiado, controlado, moldado.” (MANOEL, 1988) As regras existiam para qualquer atividade, e conseqüentemente contribuíram muito para construção de um modelo de mulher. No entanto, os colégios religiosos, como veremos a seguir, serviram como o abrigo seguro, onde as meninas, tendo Nossa Senhora como parâmetro materno, estariam isoladas, a salvo das maldades mundanas e exercitavam a submissão, a obediência irrestrita. 4. O COLÉGIO: UM LUGAR DE MEMÓRIA E BERÇO DA EDUCAÇÃO RELIGIOSA

5 Rever a história destes colégios é pensar em modelos educativos que se constituíram e marcaram determinadas épocas. A passagem da mulher para o espaço público deve muito à educação religiosa, pois a religião, segundo Perrot (1989) constitui o húmus de toda a educação feminina. Os projetos coletivos de educação feminina trabalhavam com a proposta de que as escolas religiosas adequavam-se aos padrões de comportamentos exigidos pela família patriarcal brasileira v . Em relação a educação feminina, todas as instituições de ensino esforçavam-se para atender aos apelos da sociedade que se modernizava. Os colégios primavam pela construção de espaços físicos confortáveis, cuidando da higiene e da boa aparência. Espaços que proporcionavam tranqüilidade aos pais ao entregar suas filhas, certos de estarem bem acomodadas e protegidas dos perigos da modernização, para a qual deveriam estar preparadas. Esses colégios por serem de cunho religioso, tinham um compromisso com as camadas menos privilegiadas da sociedade. No entanto este compromisso, sempre presente nas intenções dos fundadores, se confrontava com uma situação real contraditória. A sobrevivência dos colégios estava diretamente ligada ao pagamento de mensalidades que incluíam a instrução e a prestação de serviços. Arcar com tais despesas era impraticável para as camadas menos privilegiadas da sociedade que também almejavam educar suas filhas para que elas tivessem oportunidades melhores naquele projeto de modernização. Desta forma os colégios tiveram que conviver com dois tipos de perfis sociais. A aluna rica, cujo objetivo da família era a polidez nos gestos, a fala, o vestuário, o comportamento, como requeria o seu meio social; e a aluna pobre, cuja demanda visava ao ingresso num mercado de trabalho que se abria para a mulher, entre eles o magistério. O colégio Nossa Senhora do Carmo, tinha como o objetivo “formar mulheres completas pelo pleno e harmonioso desenvolvimento de suas faculdades; preparar cristãs instruídas e influentes para o bem: em uma palavra, elevar a vida presente em função da vida eterna” vi . Tal estabelecimento de ensino, é considerado um lugar de memória, pois trata-se de um ponto de referência para a construção da memória de diversas alunas que conviveram juntas durante alguns anos. “Os lugares de memória, são os lugares, com efeito nos três sentidos da palavra, material, simbólico e funcional, simultaneamente, somente em graus diversos... É material por seu conteúdo demográfico; funcional por hipótese, pois garante, ao mesmo tempo, a cristalização da lembrança e sua transmissão; mas simbólica por definição visto que caracteriza por um acontecimento ou uma experiência vividos por um pequeno número uma maioria que deles não participou.” (NORA, 1993) Segundo Golffman (1974) tais colégios poderiam ser definidos como:

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