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O RECREIO DA ESCOLA: momento de interação ... - Fazendo Gênero

O RECREIO DA ESCOLA: momento de interação ... - Fazendo Gênero

O prédio apresenta

O prédio apresenta instalações bem simples, mas com um considerável espaço livre, assim como as demais escolas municipais. Localiza-se num bairro próximo ao centro da cidade, porém numa região populosa e carente de benefícios estruturais. As desigualdades na brincadeira ou as brincadeiras na desigualdade? .Acompanhar os recreios diariamente enquanto orientadora educacional, tornou-se uma tarefa instigante e reveladora no tocante as questões de gênero, oportunizando um maior conhecimento dos comportamentos infantis, os registros e as reflexões ora sistematizadas. Alguns exemplos de violência simbólica (BOURDIEU,1998,p.47), são visíveis desde a primeira atividade do recreio, a distribuição da merenda, para a qual os alunos e as alunas se organizam em uma fila única, sem uma seqüência determinada entre meninos e meninas, quando os meninos empurram as meninas e tomam as suas frentes, sem que as mesmas apresentem uma freqüente atitude de resistência,e não raro cedendo os espaços, apesar da visível insatisfação. Pouquíssimas vezes, quando há troca de empurrões, ocorre a interferência adulta. As meninas portanto, concedem aos meninos o lugar a que tinham direito, como se fosse natural a relação de dominação. A adesão aos dominantes, (meninos) não pára por aí: após receberem as merendas procuram ocupar os cantos, as laterais do pátio, se acomodam em lugares mais próximos da cantina, deixando livres os espaços centrais e amplos que são “tomados” pelos grupos de meninos, como a quadra e os espaços descobertos. Este quadro é constante no decorrer de todo os trinta minutos de recreio, também no desenrolar das brincadeiras, que continuam a representar a visão androcêntrica resultante “da incorporação do preconceito desfavorável contra o feminino”(op.cit.p.44) que encaminha as divisões entre os gêneros, em dois grupos de habitus diferentes (op.cit.p.41): nos dias em que são distribuídos os poucos e avariados brinquedos disponíveis na escola, os meninos se adiantam ao recebimento das bolas, vindo aos berros: “a bola é nossa!”, enquanto as meninas procuram principalmente as cordas, para brincar individualmente, com as cordas pequenas, ou com as maiores, em pequenos grupos só de meninas; algumas vezes, quando a professora da alfabetização propõe que tragam brinquedos para que tenham momentos de lazer em separado de outras turmas, as meninas trazem bonecas e panelinhas, enquanto os meninos trazem carrinhos e bolas; não há meninas que “brincam de luta”, mas que se queixam por serem incomodadas

pelos “atletas de luta livre” porque receberam ocasionalmente um golpe ou porque ignorando-as, eles atrapalham suas brincadeiras, passando pelo meio, ou ainda por “entrarem sem ser chamados”; Durante o recreio, é explícita a segregação de gênero: meninas e meninos se fazem afastados; independente de faixa etária, turma ou série, se aglutinam dentro dos grupos masculinos e femininos. No intuito de obter mais elementos para esta discussão, foi realizada uma pequena entrevista com alguns alunos e alunas dispostos aleatoriamente pelas professoras, sendo três meninos e três meninas de cada turma. Perguntados se gostavam de brincar entre meninos e meninas, as turmas menores apresentaram-se veementemente contrárias às brincadeiras mistas e as meninas ainda justificaram que os meninos “bagunçam muito”, enquanto estes confirmam também sua opção por ficar entre si, justificando que as meninas não sabem jogar bola como eles. Desde cedo então, efetiva-se o trabalho de dominação simbólica no qual , a representação androcêntrica da reprodução biológica e da reprodução social se vê investida da objetividade do senso comum, visto como senso prático, dóxico, sobre o sentido das práticas (op.cit.p.45) Fica patente que a segregação de gênero é vista como fator natural e positivo pela maioria de meninos e meninas, embora, já exista uma tímida atuação em contrário, perceptível tanto nas observações, quanto nas falas daquelas e daqueles que timidamente disseram ou “depende” ou “tanto faz” que as brincadeiras aconteçam entre elas e eles. Diante da situação exposta, percebemos que o momento no qual deveria acontecer a interação entre meninos e meninas, desenvolver-se valores como respeito, solidariedade e cooperação, é minado pela segregação e pelo reforçamento às desigualdades de gênero. Acreditamos assim, que se faz necessária a intervenção adulta (RODRIGUES, 2003,p.60) no intuito de minimizar tais sintomas, remetendo-nos a advertência de Moreno (1999,p.74): Não intervir equivale a apoiar o modelo existente. Se acreditamos deixando que meninos e meninas façam ‘o que querem’ estamos deixando-os em liberdade, equivocamo-nos, porque tenderão a

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