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O RECREIO DA ESCOLA: momento de interação ... - Fazendo Gênero

O RECREIO DA ESCOLA: momento de interação ... - Fazendo Gênero

eproduzir os esquemas e

eproduzir os esquemas e modelos do seu meio, ou seja, estarão à mercê do ambiente. A única brincadeira da qual participam meninos e meninas juntos/as, acontece entre as turmas maiores: são os “pegas” ou “tocas”, especialmente o de “polícia e ladrão”, no qual fazem um revezamento, os meninos pegando as meninas e as meninas pegando os meninos, ou seja, um grupo é polícia e o outro é ladrão; a polícia é quem sai para prender o ladrão que tenta fugir. Nunca funcionam grupos heterogêneos de polícia ou de ladrão e o antagonismo de grupo é temperado pelas regras do jogo, de ter que segurar e render o outro (o outro gênero). .Estão representadas assim a “constância dos habitus”,( BOURDIEU,op. cit.) que conduzem às permanências na aparente mudança. Atitudes e gestos associados à construção da virilidade e violência são exibidos durante o jogo de futebol, quando os meninos gritam, berram palavrões, comemoram e se punem também, com chutes, empurrões e até eliminação, sem haver queixas ou reclamações: criam e aceitam suas próprias regras, como num código de honra masculina, no qual a agressividade “inscreve-se em uma natureza biológica e se torna um habitus, lei social incorporada.”(op.cit.p.64). A ordem androcêntrica predominante promove a exaltação aos valores masculinos e ao mesmo tempo os torna exigência. Assim nos fala Bourdieu (op.cit.p.64): A virilidade, entendida como capacidade reprodutiva,sexual e so- cial, mas também como aptidão ao combate e ao exercício da vi- olência (sobretudo em caso de vingança), é, acima de tudo uma carga. Aos que não cumprem as determinações estereotipadas do masculino dominante, restam a desvalorização social, o preconceito, a exclusão e até mesmo a agressão física; um menino chegou a reclamar que nunca era aceito para brincar com os demais que o xingavam de “palavras feias”, de “borboletinha”, de “abelhinha” e procuravam esbarrar nele com força, empurravam-no, enquanto andava ou brincava com as meninas da sua sala . Ao ser indagado pelos motivos desta situação, afirmou que tudo começou depois de uma apresentação de dança, da qual participou como único menino.. A coragem do menino que dançou entre as meninas é oposta às formas de

“coragem” atribuídas ao masculino, sendo interpretada pelos meninos como uma falta de virtude, de virilidade, merecedora de punição pelo grupo. Pudemos ainda observar todos os dias, meninas que passam todo o tempo do recreio “passeando” para lá e para cá, e conversando em duas ou três, às vezes de braços dados, o que pode ser demonstrativo das inscrições sociais e simbólicas do adestramento, da contenção física no corpo feminino, que abdica dos movimentos próprios da infância, porém, incentivados apenas aos meninos. Outras, as maiores, da quarta-série, se reúnem no lado mais sossegado, para fazerem “desfiles”, para um ou dois meninos por elas convidados, a quem compete classificar “a mais bonita”, entre risos e euforia das meninas que, param o desfile, se aparece algum interessado em assisti-lo, sem ter sido convidado. O aparente poder de escolha das meninas nada mais é do que mais uma concessão ao macho, (no caso, o escolhido),e uma experiência precoce do que deverá se prolongar pelas estruturas de dominação como “fronteira mágica entre os dominantes e os dominados,que a magia do poder simbólico desencadeia” (op.cit.p.51), tornando-se passivo objeto estético tanto no espaço público social, como no privado, sob a provável futura sacralização do casamento, com todas as suas funções objetivadas e visões subjetivadas, conforme a ordem androcêntrica. Outras tantas situações indicativas de androcentrismo, segregação de gênero, modelos estereotipados do masculino e feminino, dominação simbólica ocorrem durante o recreio. Para o momento, no entanto, julgamos suficientes as que foram relatadas. O que nos resta fazer? Diante das constatações de que o recreio da escola está sendo muito mais um momento de sedimentação da ordem androcêntrica vigente, de segregação de gênero, de reforçamento de modelos estereotipados do masculino e do feminino, do que um espaço de interação humana voltado para a construção de uma ordem da diversidade, do respeito mútuo, do combate aos preconceitos, pensamos que nos compete algo mais que a perplexidade. Principalmente, se... Concordamos que: A escola é uma caricatura da sociedade. Por ela passam, como não passam por nenhum outro lugar, limitadas por diminutivos, todas as idéias que uma sociedade quer transmitir para

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