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MEMÓRIA E ORALIDADE: - Fazendo Gênero - UFSC

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instância, que estas

instância, que estas não tivessem o poder de decisão sobre os seus próprios corpos. Isto significaria a condição de passividade, de voz calada, enfim, de objeto que esperaria dos pais, da comunidade, de Deus a determinação final do seu destino. Neste sentido, o fato das jovens se reunirem em uma “brincadeira” em que elas são protagonistas criando uma arte que também reflete sobre suas vidas, individual e coletiva, lês dá uma condição de sujeitos criadores de sua cultura. Ainda que nesta cultura se reflete também a ideologia da classe dominante, a condição de sujeito lhes permitia criar, e criar, no melhor sentido do termo, de não só reproduzir a lógica determinada. Primeiro porque são mulheres protagonizando uma cultura. Segundo porque seus versos também traziam questões que não deveriam ser levantadas por mulheres da época, como as que expressavam o desejo sexual, por exemplo, por bocas ainda não casadas. E mais do que o desejo, o incentivo a “promiscuidade” (como se pode notar em alguns versos) que logicamente entra em conflito com a regra de relação monogâmica que deveria garantir a não mescla. Além disso, o próprio casamento era questionado em muitos versos. Assim como o amor idealizado era desmistificado em outros que levantavam questões como a traição, a insegurança e o não desejo pelo companheiro. Assim, a Ratoeira é um exemplo do que Mohanty chama atenção: a experiência diária está delineada não somente pelo discurso hegemônico, mas também contem elementos de resistência a este discurso. Dessa forma, ainda de acordo com Mohanty, o nosso trabalho não pode se resumir em expressar e revelar a experiência marginalizada, mas também recordar e re-narrar as experiências cotidianas de dominação e resistência, e situá-las em relação com fenômenos históricos mais amplos, pois isto pode contribuir a uma consciência de oposição que é mais do que uma mera contraposição. Esta proposta, então, é a fundamental neste trabalho. Observar estes fenômenos dentro da história como um todo neste caso implica estudá-la desde a colonização branca no Brasil até os tempos atuais. Trata-se de observar embriões que de determinado período de resistência passam à agente de transformação em outro. Ou seja, quantas mudanças hoje passaram por “inocentes” questionamentos dentro de um fenômeno que aparentemente parecia apenas reproduzir a lógica da época? Observar isto significa mais do que re-escrever a história, significa, sobretudo, compreender melhor o presente e os complexos paradoxos das nossas atuais manifestações culturais. Algo extremamente positivo, pois com maior compreensão aumenta também nossa capacidade de transformação. 6

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA BOSI, Ecléa. Memória e Sociedade: lembranças de velhos. – 3ª ed. – São Paulo: Companhia das Letras, 1994. CABRAL, Oswaldo R. História de Santa Catarina. 1ª edição. Florianópolis: Secretaria da Educação e Cultura, 1968. FERREIRA, Marieta de Morais, Amado, Janaína (org.) Usos e Abusos da História Oral. – 6ª edição - Rio de Janeiro: Ed. Fundação Getúlio Vargas, 2005. FERREIRA, Sérgio Luiz (organizador). Histórias Quase Todas Verdadeiras. 300 Anos de Santo Antônio e Sambaqui. – Florianópolis: Ed. das Águas, 1998. MATOS, Maria Izilda S. de. Estudos de Gênero: percursos e possibilidades na historiografia contemporânea. In Cadernos Pagu (11), 1998: p.67-75. RICHARD, Nelly. Experiência e representação: o feminino, o latino-americano. In Intervenções críticas: arte. Cultura, gênero e política. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2002: p.142-155. SCHMIDT, Rita Teresinha. A crítica na mira da crítica. STOLKE, Verena. La mujer es puro cuento: la cultura del género. In Revista Estudos Feministas, v.12, n.2, 2004: p.77-105. STONE-MEDIATORE, Shari. Chandra Mohanty y la revalorización de la ‘experiencia’. Hiparpia, v.10, n.1, 1999: p.85-110. THOMPSON, Paul. A Voz do Passado – História Oral. Tradução Lólio Lourenço de Oliveira. – Rio de Janeiro: Paz e Terra, 3ª edição, 1992. VICH, Víctor y ZAVALA, Virginia. Oralidad y poder – Herramientas metodológicas. – Bogotá: Grupo Editorial Norma, 2004. Autora: Adriana Carvalho – Mestrado em Literatura – UFSC. Palavras chaves: literatura, gênero e oralidade. Simpósio Temático: 56. 7

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