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trabalho do - Fazendo Gênero

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Esta sobrecarga de

Esta sobrecarga de obrigações e responsabilidades impõe restrições quanto ao tempo do lazer das meninas. Por outro lado, os meninos foram desobrigados de cumprirem com tais tarefas, oportunizando uma dilatação do tempo livre. O lazer, a socialização e a rua passam a ser cenários exclusivos dos meninos. Preocupada em conhecer melhor esta dinâmica, esta pesquisa surgiu com objetivo de fazer uma análise comparativa entre dois grupos de estudantes, aqueles possuidores de obrigações com o trabalho doméstico familiar (OTDF) e aqueles que não as possuem, quanto as opções de lazer. Estes grupos representam um recorte amostral (n = 831) do Mapa do Lazer Juvenil de Canoas/RS 1 (n = 2.608). Como objetivos específicos, buscou-se identificar o peso das variáveis gênero, raça, local de moradia, idade e número de irmãos na configuração desta realidade. As obrigações com o trabalho doméstico familiar foram aferidas a partir de três variáveis: cuidar dos irmãos, fazer comida, varrer e limpar a casa. Para cada uma das questões, havia três possibilidades de resposta: “sempre”, “às vezes” e “nunca”. Os estudantes indicados como possuindo obrigações com o trabalho doméstico familiar foram aqueles que assinalaram três vezes o “sempre” ou duas vezes o “sempre” e uma vez o “às vezes” (4,5%). Os estudantes indicados como não possuidores de obrigações com o trabalho doméstico familiar foram aqueles que assinalaram três vezes o “nunca” ou duas vezes o “nunca” e uma vez o “às vezes” (13,4%). As outras possibilidades de configuração das respostas foram descartadas desta amostragem. As informações obtidas permitiram criar um banco de dados que foi submetido à análise de freqüência através do programa estatístico SPSS (Statistical Packge for the Social Sciences) para o Windows, versão 11. Para verificar possíveis associações entre variáveis nominais, utilizou-se o teste estatístico Qui-quadrado para análise de tabela de contingência e estabeleceu-se como nível de significância 5% (p

Podemos destacar também que, quanto maior o grau de pobreza, maiores são as dificuldades que as mulheres têm de modificar seu destino de gênero, pois o componente solidário da manutenção da casa impõem-se como uma necessidade. Esta realidade tem se evidenciado com mais freqüência, principalmente quando o grupo familiar é chefiado pela mulher. Mesmo consciente da opressão e da desigualdade da divisão do trabalho doméstico, são as mulheres que reproduzem este cenário (YÉPEZ e PINHEIRO, 2005; HIRATA e KERGOAT, 2007). Nesta construção social de gênero, percebemos o quanto a imagem do feminino está associado ao lar, independente da condição socioeconômica. As famílias estimulam a ideologia do trabalho, elas a percebem como símbolo de aprendizado, algo importante para o futuro, portanto natural. Essas atribuições, não são entendidas pelos pais como um trabalho que é exercido pelas filhas, mas sim, como uma troca na preservação e manutenção do núcleo familiar (DAUSTER, 1992; MADEIRA, 1997; SARTORI, 2006). Estas obrigações com trabalho doméstico familiar são sobretudo, uma das formas de violência contra as meninas (GÓMEZ e MEIRELLES, 1997). Violência porque lhes impõem a supressão de um tempo importante para sua formação, como por exemplo, tempo para o lazer. Esta complexa realidade está associada há uma amplitude de privações e a reprodução da desigualdade de gênero. Em contextos onde estão presentes as OTDF, o lazer e o tempo para a sua execução são negociados com a família e estão limitados a proximidades da casa ou do seu entorno. Com o avançar da idade esta realidade pode se transmutar para um maior controle de sua sexualidade. Estas são queixas comuns entre meninas e que aparecem de maneira bastante nítida no estudo de Pinho (2006). Estas configurações revelam dois universos distintos, o universo privado de restrições e de controle sobre as meninas e o universo masculino, que desde sua infância é dado o direito ao tempo livre (DUQUE-ARRAZOLA, 1997; MADEIRA, 1997; YEPEZ e PINHEIRO, 2005). Como podemos verificar, os pais educam seus filhos diferentemente e é nesta dupla formação que se ancora as desigualdades de gênero (LOURO, 1995). O impacto desta política sobre o lazer é evidente. No sábado à tarde, o fazer esporte está associado aos não possuidores das OTDF, enquanto que, para estes, o cuidado com a casa (p = 0,000). No sábado à noite, jogar vídeo game está associado aos que não têm OTDF e atividade religiosa com os que tem (p = 0,001). No domingo pela manhã, ver tv/vídeo, descansar e praticar esporte estão associados com os que não tem OTDF e atividade religiosa e cuidados com a casa para os que têm OTDF (p = 0,000). No domingo à tarde, esporte, internet e 3

Download do Trabalho - Fazendo Gênero - UFSC
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