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Escrevendo a história no feminino - Fazendo Gênero - UFSC

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Anais do VII Seminário

Anais do VII Seminário Fazendo Gênero 28, 29 e 30 de 2006 Como podemos perceber, os Estudos de Gênero vêm recebendo uma definição que foge da oposição binária macho/fêmea, interessando-se pelos aspectos sócio-culturais como grau de instrução, etnia, classe social, religião, orientação sexual, idade, entre outros, na formação do cidadão. Relações de gênero implicam, também, relações de poder que podem ser de inúmeros tipos: entre marido e mulher, mãe e filho, professor e aluno, diretor e professor, etc. Como o objeto de estudo deste trabalho é o texto, pretende-se buscar nele marcas lingüísticas que denunciem as questões de gênero aí presentes ; isto é, trazer à tona aquilo que na maioria das vezes ninguém vê, o que os professores preferem não tomar conhecimento, por não saberem como abordar ou por descompromisso com o trabalho de sala de aula. 3. A ANÁLISE CRÍTICA DO DISCURO NA ANÁLISE DE TEXTOS A fim de buscar as evidências, na leitura, das relações de gênero, utilizamos a Análise Crítica do Discurso, que se constitui em uma área multidisciplinar de estudos da linguagem e tem como preocupação central questões como desigualdades sociais, injustiças, racismo, problemas étnicos, discriminação relacionada ao sexo. A ACD apóia-se na materialidade lingüística, buscando investigar a linguagem como um meio de reforçar e também contestar as estruturas sociais. Para Fairclough, teórico da ACD, a linguagem é uma forma de prática social, um veículo que serve para reproduzir as idéias que fazem parte do senso comum e ratificam preconceitos ou diferenças sociais. Por isso, um dos objetivos da ACD é, a partir das marcas lingüísticas, identificar e desnaturalizar essas práticas que estão subjacentes ao discurso. Segundo Heberle, “Em estudos de ACD há a preocupação com a desconstrução ideológica dos textos, com as relações complexas entre texto, conversa, cognição social, poder, sociedade e cultura i ”(199). Fairclough propõe que o discurso seja examinado como reprodução, perpetuação e reflexo das relações sociais existentes, o que contribui para a construção da identidade, das relações entre as pessoas e, de forma mais ampla, das nossas crenças e valores. Dessa forma, o autor propõe três dimensões para a análise de um texto: texto, prática discursiva e prática sócio- cultural, conforme a figura ii . Prática discursiva Prática sócio-cultural 2 texto

Anais do VII Seminário Fazendo Gênero 28, 29 e 30 de 2006 A análise do texto compreende quatro partes: vocabulário, gramática, coesão e estrutura textual. A prática discursiva, compreende o estágio de produção, distribuição, interpretação e consumo dos textos; ela é a ligação entre as dimensões do texto e a prática sócio-cultural, que abrange a análise do discurso com relação aos acontecimentos sociais num determinado momento e local em que o texto foi produzido e publicado. Dessa forma, é interessante ressaltar que o texto não deve ser analisado como um evento isolado, mas levar em conta as condições em que foi escrito, o veículo utilizado para sua publicação e, finalmente, analisar através das marcas lingüísticas a ideologia que traz subjacente ao seu discurso. Dessa forma, buscou-se a partir dos estudos de gênero e da Análise Crítica do Discurso, encaminhar a análise de diversos textos de revistas para adolescentes, propostos para o trabalho de leitura com alunos em sala de aula. A título de exemplificação do trabalho desenvolvido, apresento uma breve metodologia e a análise de um dos textos trabalhados. 4. METODOLOGIA E ANÁLISE Como formanda do Curso de Letras/Português, realizei no mês de junho deste ano meu estágio curricular na área de Lingua Pontuguesa, numa turma da 1ª série do Ensino Médio de uma escola Pública na cidade de Rio Grande (RS). O tema central, escolhido para o estágio, foi Gênero em Discursos. Esta escolha se deu devido aos estudos que havia feito há aproximadamente dois anos na área de Gênero, Leitura e Análise Crítica do Discurso junto a um grupo de estudos na FURG. No ano anterior já havia participado de algumas aulas de leitura com alunos do Ensino Básico, ocasião em que pude discutir algumas dessas questões. Por esse motivo, durante o período de estágio, pude ter um contato maior com os alunos (agora do Ensino Médio), além de desenvolver um trabalho mais profundo, pois tive a oportunidade de discutir vários assuntos, por exemplo, diferenças biológicas, sociais e culturais entre homens e mulheres; a mulher e a permanente busca da beleza; a mulher e a dupla jornada de trabalho e a concepção de mulheres e homens sobre relacionamentos. Outro tópico discutido foi o da prostituição – a visão de mulheres e homens sobre garotos de programa – e, finalmente, a história da luta feminina, através dos tempos, para garantir seu espaço. O texto dessa análise é parte da Revista Capricho de 1º de março de 1998, e traz como título: Feminista & Feminina: Bancar o homem ? Só de brincadeira. Mas já foi diferente. Veja como o feminismo mudou e continua mudando sua vida. Este texto está subdividido em seis partes, em que trata de assuntos como a pílula anticoncepcional, a liberdade de participação 3

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