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Escrevendo a história no feminino - Fazendo Gênero - UFSC

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Anais do VII Seminário

Anais do VII Seminário Fazendo Gênero 28, 29 e 30 de 2006 discussão da mudança, este fragmento continua reforçando os papéis masculinos e femininos na sociedade. O sexto exerto traz como tema a liberdade nos relacionamentos. Aqui, retiro para análise o seguinte fragmento : «O legal é quando os garotos não precisam mais pagar sempre a conta, mas também nao deixam de ser cavalheiros. E as meninas cuidam da própria vida, sem deixar de ser delicadas e românticas.» Mais uma vez temos a reafrimação dos papéis: que homens não precisam pagar sempre a conta, ou seja, de vez em quando podem dividir, mas pagar a conta – o que remete a sustentar a mulher e a casa – fica subentendido como um dever do homem, já que a mulher pode cuidar da vida, fazer o que quiser, porém, não pode deixar de ser romântica e delicada, afinal, se as mulheres não forem românticas e delicadas, nao são « mulheres ». Ao final da discussão dos diferentes fragmentos do texto, solicitei a cada grupo que escrevesse um texto a respeito do seu fragmento. Um grupo, que ficou constituído apenas por meninos, tratou o assunto do seu fragmento com algo extraordinário, dizendo que os homens atualmente «ajudam as mulheres nas tarefas de casa, e até registram e cuidam os filhos ». Mais uma vez vemos que o homem apenas participa como coadjuvante das tarefas domésticas, atribuindo a responsabilidade por essas tarefas e pela educação e cuidado dos filhos às mulheres. Em outro grupo, misto, a tarefa de escrever o texto recaiu sobre um menina, já que as meninas normalmente sao vistas como as que gostam e sabem escrever. Como os meninos não ajudaram na tarefa, ao final, ela resolveu colocar seus nomes de caneta rosa como castigo, causando grandes protestos por parte deles. Através deste ato, podemos perceber que a sociedade continua rotulando meninos e meninas, depositando neles os papéis socialmente construídos que sempre carregaram, de que o homem deve usar azul, pois rosa é cor de mulher e não pega bem para um homem usar essa cor. Este trabalho foi um importante instrumento na desconstrução dos papéis que a sociedade impõe para homens e mulheres/meninos e meninas. A escola continua sendo um dos lugares de reforço desses papéis, quando divide meninos e meninas ou exclui um ou outro de atividades que acham ser exclusivas de um sexo ou outro. Destaco, ainda a importância da ACD na análise dos textos, na busca dos implícitos e na construção do sentido. 5.CONSIDERAÇÕES FINAIS: Com este trabalho buscou-se uma alternativa para o ensino de leitura, através do Gênero, e uma alternativa para a análise dos textos, com base na ACD. A abordagem do tema feito através de revistas para adolescentes favoreceu a participação e o interesse dos alunos, já que o 6

Anais do VII Seminário Fazendo Gênero 28, 29 e 30 de 2006 tema foi abordado com linguagem característica da idade e em um meio de comunicação muito comum, que é esta revista já mencionada, lida por grande parte dos adolescentes. 6. REFERÊNCIAS FUNK, Susana Bornéo, WIDHOLZER, Nara. Gênero em discursos da mídia. Mulheres :Ilha de Santa Catarina, 2005. HEBERLE, Viviane M. Análise Crítica do discurso e estugps de gênero (gender) : subsídios para a leitura e interpretação de textos. ________A representação das experiências femininas em editoriais de revistas para mulheres. Revista Iberoamericana de Discurso y Sociedad, v. 1(3) set, p. 73-86. Barcelona :Editorial Gedisa, 1999. LOURO, Guacira Lopes. Gênero, sexualidade e educação : Uma perspectiva pós estruturalista. Petrópolis : Vozes, 5ª edição, 2003. LOPES, M.J., MEYER, D.E. e WALDOW, V. R.. Nas redes do conceito de Gênero. Gênero e Saúde. Porto Alegre : Artes Médicas, 1996. MAGALHÃES, Izabel. Teoria Crítica do Discurso. Revista Linguagem em (Dis)curso. Volume 4, número especial, 2004. Revista Capricho, 1º de março de 1998. VAN DIJK, Teun A. Análisis Crítico del Discurso.Conferência realizada em 1994. 7

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