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Desafios a partir de permanências e rupturas, seelhanças e ...

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Desafios a partir de permanências e rupturas, seelhanças e

Anais do VII Seminário Fazendo Gênero 28, 29 e 30 de 2006 Preconceito de gêneros na tecnociência: Desafios a partir de permanências e rupturas, seelhanças e diferença n. 38 Silvio de Almeida Carvalho Filho UFRJ/UERJ Palavras chaves: favela, gênero, vulnerabilidades. Favela da Rocinha: as Relações de Gênero nas Memórias de Velhas/os (1930-1980) Ao estudarmos os processos de integração, vulnerabilidade e desvinculações sociais na memória de velhos e velhas da favela da Rocinha, uma das mais importantes do Rio de Janeiro, assim como em alguns depoimentos encontrados em jornais e livros, deparamo-nos como as relações de gênero interferem no grau de acuidade desses processos. O gênero constitui “um produto social, apreendido, representado, institucionalizado e transmitido ao longo de gerações”, envolvendo relações de poder 1 que geram as assimetrias propiciadoras de maior ou menor vulnerabilidade em relação a determinados aspectos do âmbito de vida. Procuramos, numa hermenêutica do quotidiano, ver como se dá alguns exemplos de vivência concreta das relações de gênero e de suas conexões com as condições de vida e trabalho, pois “o gênero, quando tomado como suporte da identidade individual”, não “pode prescindir de outros elementos estruturadores das pessoas”. 2 Muitos dos habitantes da favela da Rocinha, chegados nas décadas de 1940 e de 1950, eram filhos de agricultores pobres do interior. Suas famílias possuíam prole numerosa, indo, às vezes, de quatro a dez filhos, os quais, meninos e meninas, numa faixa variável entre os sete e os dez anos, colaboravam com a formação da renda familiar, trabalhando duro na agricultura, na pecuária ou em outros pequenos misteres. As adolescentes e meninas ainda “ajudavam” nos serviços domésticos e na criação dos irmãos. Logo, as péssimas condições da vida rural brasileira, em regra, fragmentaram a família, dispersando-a ao longo do território brasileiro, levando os filhos e maridos ao êxodo, deixando lares cada vez mais precarizados entregues a “chefias” femininas a sustentarem velhos e crianças. Muitos grupos jamais recomporão sua unidade: partes perdidas, amores e vínculos desfeitos. 3 Alguns deles foram parar na favela que estudamos. Desde o surgimento em fins da 1920, a Rocinha povoou-se, inicialmente com operários fabris ou por outros tipos de trabalhadores manuais, desqualificados, temporários, freqüentemente mal remunerados, portadores de nenhuma ou de baixa escolaridade. Muitos chegavam do interior sem nenhuma profissão urbana definida, aqui aprenderam algum trabalho masculino subalternizado, com seus tios ou irmãos mais velhos migrados, antes deles, para a cidade grande. Através deles também arrumaram indicações para empregadores dessa arraia miúda fluente. Tudo isso indica um saber de transmissão de ofícios e fazeres, no mundo do trabalho, constitutivo da masculinidade nas classes subalternas, numa verdadeira rede de solidariedade de homem para homem. Tornavam-se 1

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