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Corpo, Violência e Poder - Fazendo Gênero

Corpo, Violência e Poder - Fazendo Gênero

cultural e social com as

cultural e social com as percepções que têm das expectativas familiares, das profissões, do sistema escolar e de suas oportunidades, bem como as do mercado de trabalho. Este trabalho pretende pesquisar como essa articulação exprime a inserção desses jovens em um espaço histórico, econômico, social, cultural e político definido. Para isso, a pesquisa apóia-se nas noções de habitus de Pierre Bourdieu e de configuração de Norbert Elias, considerando que o gênero está expresso tanto na primeira quanto na segunda e que se as escolhas profissionais exprimem um processo social amplo, exprimem também relações de gênero. Metodologia A pesquisa entrevistou jovens que cursavam o segundo semestre da terceira série do Ensino Médio, pois este é um momento no qual a necessidade de tomar decisões quanto ao futuro profissional se impõe de maneira mais intensa, devido à proximidade dos exames vestibulares realizados pelas universidades no final de cada ano. Para analisar o modo pelo qual a posição do indivíduo no espaço social afeta as decisões relativas à formação profissional, às expectativas de futuro, bem como a maneira pela qual se articulam, nesse processo de decisão, as diferentes experiências junto à família, à escola, à comunidade ou em relação à cultura na qual estão inseridos, selecionamos duas amostras: • Escola 1: composta por jovens que cursavam uma escola particular, de extrato social alto, cujos pais estão inseridos no mercado de trabalho em postos mais altos na hierarquia empresarial ou trabalham como profissionais liberais; • Escola 2: formada por jovens que cursavam uma escola pública técnica, oriundos de um extrato social médio/baixo. Seus pais são empregados do comércio, proprietários de pequenos negócios, profissionais autônomos ou bancários. As duas escolas estão situadas em bairros muito próximos da cidade de São Paulo: a primeira em uma área residencial, de classe média alta e a segunda em um bairro misto, formado por comércios, edifícios comerciais e residenciais e casas de classe média. Foram feitas entrevistas semi-estruturadas abordando os seguintes temas/ categorias: família, escola, amigos, atividades extra-escola, escolhas profissionais e perspectiva de futuro. As entrevistas forma gravadas, com consentimento dos entrevistados. Da Escola 1 foram entrevistados 12 alunos — 6 garotos e 6 garotas. Da Escola 2 foram entrevistados 21 alunos: 10 garotas e 11 garotos. Entre elas, seis trabalhavam e cinco haviam feito um curso técnico. Todos os jovens entrevistados tinham entre 16 e 18 anos na época 2 e foram selecionados de forma aleatória. Esse trabalho enfocará os resultados relativos às 16 garotas entrevistadas. Quatro anos depois das entrevistas buscou-se novo contato com os entrevistados para retomar o percurso acadêmico feito no período. 2

Resultados O tratamento dos dados levantados nas entrevistas foi feito por meio da análise do conteúdo (BARDIN 1977, p. 39). O referencial teórico de análise se inscreve em dois eixos que se complementam: Norbert Elias e Pierre Bourdieu. Do primeiro autor destacamos a noção fundamental de que o indivíduo só é aquilo que é porque pertence a uma sociedade e a um grupo social que tem uma história: “... tudo o que somos e em que nos transformamos se dá em relação aos outros” (ELIAS, 1994b, p. 57). “Ele [o indivíduo] adquire sua marca individual a partir da história dessas relações, dessas dependências, e assim, num contexto mais amplo, da história de toda a rede humana em que cresce e vive.” (ELIAS, 1994b. p. 31) A formação do indivíduo se dá, pois, na sua relação com o outro, na trama de relações no interior da qual ele nasce e cresce, e na qual penetra ativamente, que possibilita ao mesmo tempo poder pertencer ao grupo, dizer “nós”, e ser um indivíduo singular, poder dizer “eu”. Cada pessoa está inserida em uma estrutura social que, se tem inúmeros elementos comuns a outros indivíduos, se configura de forma única para cada uma, por meio da família, da escola e das diversas instituições das quais ela faz parte. Cada indivíduo está sujeito a forças que se exercem sobre ele e que são exercidas por ele mesmo, que formam uma configuração única no processo de interdependência mantida com os demais integrantes dos grupos a que pertence. É uma noção que permite a análise dos indivíduos, não como algo separado da sociedade, como figuras diferentes ou mesmo antagônicas, mas enredados num entrelaçado flexível de tensões, as quais agem sobre o indivíduo ao mesmo tempo em que ele age sobre elas. Bourdieu desenvolve a noção de habitus, presente também na obra de Elias, aprofundando as mediações pelas quais as estruturas externas são incorporadas às estruturas internas, na forma de disposições, que fundam uma compreensão prática do mundo, uma percepção, uma apreciação, um gosto. O habitus é o “sentido do jogo”, é o “duplo processo de interiorização da exterioridade e da exteriorização da interioridade” (BOURDIEU, 2000, p. 213), concomitantemente individual e coletivo. É o movimento de incorporação das estruturas objetivas ao mesmo tempo em que é a exteriorização das disposições incorporadas. As garotas da Escola 1 são oriundas de famílias nas quais quase todos os pais e mães têm nível superior completo: seus pais cursaram Arquitetura, Engenharia, Rádio e TV, Administração e Medicina. Apenas um dos pais, imigrante da Síria não tem esse nível de escolaridade. Já as mães, todas cursaram uma faculdade: Arquitetura, Psicologia, Artes Plásticas, Administração, Publicidade e Medicina. A psicóloga e a publicitária, no entanto, não exercem atividades remuneradas. Parte dos avôs dessas jovens também tinha nível superior (jornalista, médico, engenheiro químico, engenheiro civil, advogado), enquanto apenas uma das avós o tinha, mas nunca exerceu. As que 3

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