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4 years ago

Corpo, Violência e Poder - Fazendo Gênero

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jovens aqui

jovens aqui entrevistadas confirmam a ampliação das opções profissionais femininas de nível superior, anteriormente concentrado quase que exclusivamente no Magistério e na Enfermagem. Independência financeira e trabalho estão nos planos de todas elas e a carreira é vista como central na vida futura. Casamento, ou uma união estável, está no horizonte da maioria. Conciliar trabalho, casamento e filhos é o que pretendem. Só uma jovem da Escola 1 menciona explicitamente que diminuiria o ritmo ou mesmo pararia de trabalhar quando tivesse um filho. Esse conflito entre carreira e família não é novidade para as mulheres, mas dados demográficos e de pesquisas recentes, entre elas as de Bruschini e Lombardi (2000 e 2007), indicam que as mulheres estão participando cada vez mais ativamente do mercado de trabalho, conquistando melhores posições nas hierarquias, embora permaneçam responsáveis também pelas atividades domésticas e pelos cuidados com as crianças e demais familiares. Apesar da predominância entre as mulheres do trabalho informal, precário e pior remunerado. Conclusão A escolha de uma carreira universitária é a busca ativa de um equilíbrio entre os gostos individuais — eles mesmos com muita freqüência forjados no interior das relações de família ou na escola —, as possibilidades reais de ingresso no curso escolhido, de manutenção durante os anos de formação, de inserção futura no mercado de trabalho e de realização de um projeto de vida. As escolhas profissionais das jovens estudadas acontecem no interior de um campo social, econômico e simbólico no qual está inserido o seu grupo de pertencimento, buscando manter posições sociais conquistadas pela família ou ir além, dando continuidade a um projeto familiar e de classe. Nesse sentido, escolhem carreiras cujo prestígio social lhes permitam pelo menos a manutenção da posição socioeconômica conquistada pela família. São escolhas que expressam relações sociais e de gênero: têm uma base material e também uma base ideativa que dão significado à posição que ocupam e à posição que querem ocupar no futuro. As jovens aqui entrevistadas, pertencentes a um segmento de “elite”, seja ele socioeconômico, seja ele da “elite” do ensino público e privado não estão escolhendo suas carreiras entre aquelas tradicionalmente ligadas à mulher, ou seja, relacionadas à educação e ao cuidado. Pelo contrário, elas abriram seu leque de opções e escolhem também entre aquelas de maior prestígio social. Nesse sentido, se a escolha de uma carreira é um momento de decisão individual, ele é também a busca da concretização de uma aspiração familiar, de classe e de gênero. É o “eu” tomando a forma do “nós”. 6

Bibliografia BARDIN, Laurence. Análise de Conteúdo. Tradução: Luís Antero Reto e Augusto Pinheiro. Lisboa: Edições 70, 1977. BOURDIEU, Pierre. Outline of a theory of practice. Translation: Richard Nice. Cambridge, UK: University Press, 2000. BRUSCHINI, Cristina e LOMBARDI, Maria Rosa A bipolaridade do trabalho feminino no Brasil contemporâneo. Cad. Pesqui., Jul 2000, no.110, p.67-104. __________________________________________ Trabalho, educação e rendimento das mulheres no Brasil em anos recentes. In: HIRATA, Helena e SEGNINI, Liliana (orgs). Organização, trabalho e gênero. São Paulo: Senac, 2007. ELIAS, Norbert. A sociedade dos indivíduos. Tradução Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1994b. HARVEY, David. Condição pós-moderna. Tradução: Adail Ubirajara Sobral e Maria Stela Gonçalves. 7ª edição. São Paulo: Loyola, 1998. LAUREAU, A. Unequal childhoods: class, race, and family life. Los Angeles: University of California Press. 2003. POCHMANN, Marcio. O emprego na globalização. São Paulo: Boitempo, 2001. 1 Os dados aqui apresentados são parte dos resultados da tese de doutorado defendida na Faculdade de Educação da UNICAMP, em fevereiro de 2008, com o título “Tempo de decidir: produção da escolha profissional entre jovens do Ensino Médio.” 2 O número de entrevistados foi diferente em uma escola e outra, pois na Escola 2 foram analisadas outras variáveis, como trabalho e curso técnico, que não faziam parte da realidade da Escola 1 e que não serão objeto de análise no presente trabalho. 3 Ver Laureau (2003). 7

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