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Comida de Mãe - Fazendo Gênero - UFSC

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Viviane Kraieski de Assunção(UFSC) Maternidade, alimentação, gênero ST 6 - Comida e Gênero Fazendo Gênero 8 - Corpo, Violência e Poder Florianópolis, de 25 a 28 de agosto de 2008 Comida de Mãe: As relações entre Maternidade, Alimentação e Gênero Entre fevereiro e abril de 2006, realizei uma etnografia de recepção de programas televisivos de culinária na comunidade do Morro da Caixa,1 no município de Tubarão, sul do Estado de Santa Catarina. A pesquisa de recepção foi realizada apenas com mulheres (sendo que a maioria que se considerava donas-de-casa), pois, quando perguntava a algum homem presente em meu campo se assistiam aos programas de culinária, freqüentemente respondiam: “Claro que não! Este é um programa de mulher!”. Como eram as mulheres que preparavam a maior parte das refeições e eram responsáveis por grande parte das decisões alimentares das famílias com quem convivi, tive oportunidade de observar a alimentação de minhas interlocutoras e de seus familiares. Por meio destes dados de campo, pretendo esboçar neste texto algumas relações entre maternidade e alimentação, procurando entender ambas de forma não determinista nem essencializada, mas constituídas por construções sociais, culturais e históricas. Os atos alimentares, distantes de serem puramente biológicos, estão fortemente relacionados à constituição de identidades, ao gênero e às relações familiares. Concordo com a afirmação de Woortmann de que “a comida “fala” da família, de homens e de mulheres” (Woortmann 1986). Segundo o mesmo autor, através da percepção da comida, o gênero é construído no plano das representações: “Quando se constrói a refeição se constrói o gênero” (Woortmann 1986: 31). A comida não define apenas as identidades (Fischler 1992), mas as relações que os indivíduos mantêm entre si (Da Matta 1986: 56). Como afirma Leach (1964), ao observar um grupo de pessoas durante uma refeição pode-se dizer quem é o chefe da família, quem é o convidado, pela maneira de se comportarem ou pela posição na mesa. Através dos discursos e práticas alimentares, pude observar que a maternidade é um valor fortemente presente nas famílias com quem convivi durante a pesquisa etnográfica. Segundo vários autores, a maternidade é uma questão central na constituição e na sustentação das ideologias de gênero2. O famoso livro da filósofa francesa Elisabeth Badinter (1985) é um marco nos estudos sobre maternidade. Através de uma extensa pesquisa histórica da sociedade francesa, a autora declara que o interesse e a dedicação da mãe à criança não existiram em todas as épocas nem em todas as camadas sociais. Por isso, a autora conclui que o instinto materno é um mito e, portanto, não é universal nem próprio de uma “natureza feminina”. Nos séculos XVII e XVIII, as crianças

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