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Aline Porto Quites - Fazendo Gênero - UFSC

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Gênero, feminismo e cultura popular. ST 56 Aline Porto Quites UFSC Palavras-chave: performance; boneco; gênero. Uma Releitura da Maricota Do Boi-De-Mamão sob uma Ótica Feminista A performance As filhas da Maricota, criada pelo grupo de performance poética Corpo de Letra 1 , consiste num trabalho com formas animadas, réplicas da Maricota, personagem feminina extraída de um folguedo do folclore do litoral catarinense, chamado Boi-de-Mamão 2 . Este possui inúmeras personagens denominadas figuras, sendo que muitas delas apresentam-se em cenas isoladas, que não interferem em sua narrativa, mas tornaram-se indispensáveis nas apresentações, devido à tradição. A Maricota é uma delas. Uma outra característica do Boi-de-mamão é que nele os bonecos não possuem fala. A história é contada por cantorias de um coro. A este também cabe apresentar as personagens. Há um narrador que tradicionalmente é conhecido por Chamador, que é quem organiza a brincadeira 3 . Os bonecos, nesse folguedo, apenas agem, não foram feitos para falar. O Corpo de Letra, por sua vez, resolveu dar voz às suas bonecas, dispensando, assim, um coro ou narrador. Por outro lado, suas “Maricotas” ganharam novas identidades. A proposta da performance As filhas da Maricota era uma apropriação transcultural de um dos elementos do Boi-de-Mamão e não uma reprodução do folguedo tradicional. A escolha da Maricota se deu por ser uma das raras personagens femininas 4 , na maioria das vezes a única, dentro do folguedo, encenado quase que exclusivamente por homens, enquanto que o Corpo de Letra é formado, em sua maioria, por mulheres. Também por ser uma das personagens que mais se destacam, por seu tamanho e por sua dança envolvente. A Maricota, nesse novo contexto, desapropria-se do folclore e passa a integrar uma collage de gênero, política e cotidiano. O boneco pode ser equiparado com um travesti no que diz respeito à noção do gênero enquanto algo construído. Segundo J. Franco, o travestismo constitui “um desafio à idéia de gênero como construção social constituída sobre a base das diferenças sexuais ‘naturais’ 5 ”. Esta autora define o travesti como um ator cuja identidade está sempre estilizada. Portanto, assim como um corpo masculino, vivo, pode estar sob a máscara do feminino, também o boneco, corpo inanimado, pode estar sob a máscara do feminino. Isto possibilita que se veja o feminino com distanciamento, dissociado da mulher como ser biológico, separando o natural do construído. A neutralidade da matéria do boneco recebe uma categoria de gênero. Dessa forma a Maricota, no Boi-de-Mamão, tradicionalmente manipulada por um homem, pode ser entendida como um travestismo dentro de um folguedo tipicmente “masculino”, pois nele as mulheres só participam do coro ou enquanto platéia.

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