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Aline Porto Quites - Fazendo Gênero - UFSC

Aline Porto Quites - Fazendo Gênero - UFSC

segundo Beltrame 17 , a

segundo Beltrame 17 , a cada apresentação pode improvisar falas ou cantos com conteúdos críticos relacionados a acontecimentos da atualidade ou à cultura local. As performances do Corpo de Letra normalmente não seguem uma narrativa, pois são caracterizadas pela fragmentação. O trabalho As filhas da Maricota vem sendo repensado e atualizado a cada vez em que é reapresentado. Alguns textos são mantidos, outros substituídos, mas a estrutura permanece a mesma, sempre relacionando a figura folclórica com a temática feminina. NOTAS 1 Corpo de Letra é um grupo, pertencente ao Núcleo de Estudos de Literatura, Oralidade e Outras Linguagens, da Universidade Federal de Santa Catarina, que executa experimentos performáticos a partir de textos literários, traduzindo-os de maneira intersemiótica. Em seu trabalho depara-se com o código escrito e buscam-se novos desafios. Normalmente os textos são de autores discutidos no curso de Letras. Nos últimos anos, porém, o grupo também tem experimentado escrever textos próprios para a performance, mesclando-os com os de outros autores, consagrados ou não. A poesia no Corpo de Letra é colocada no espaço, tornando-se física, teatralizada. 2 O folguedo tradicional possui uma narrativa que conta a morte e a ressurreição de um boi, em forma de teatro de bonecos. Existem diferentes grupos de Boi-de-Mamão, cada qual com suas variações, mas eles nunca fogem a esse enredo. Os textos são, na maioria, cantados e improvisados e se perpetuam oralmente, podendo ser constantemente modificados, diferenciando-se não só de grupo para grupo, mas também dentro do próprio grupo, de uma apresentação para outra. 3 Os poucos diálogos ocorrem por parte de algumas personagens representadas por atores: Vaqueiro, Mateus, Médico e, muitas vezes, também o Benzedor. 4 Alguns grupos de boi ainda possuem a Catirina, representada não por um boneco, mas por um homem, vestido de mulher. 5 FRANCO, Jean. Marcar diferenças, cruzar fronteiras. Florianópolis: Ed. Mulheres; Belo Horizonte: PUC Minas, 2005. Pg. 165-68. 6 A Maricota do Boi-de-Mamão usa roupas de chitão. Sua saia é ampla para esvoaçar enquanto rodopia. Representa uma mulher vaidosa, por isso usa bolsa, brincos, colares e pulseiras (BELTRAME, Valmor. Teatro de bonecos no Boide-Mamão. Festa e drama dos homens no litoral de Santa Catarina. São Paulo: USP, 1995. 230 p. Dissertação (Mestrado em Artes) – Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo). 7 Para esse momento o Corpo de Letra escolheu a versão cantada pelo grupo de Boi-de-Mamão do Sambaqui. Em Florianópolis, hoje em dia, praticamente cada bairro tem um grupo de Boi. Sambaqui é um desses bairros. Para aprimorar o trabalho, foram feitas entrevistas com dois participantes do grupo de Boi-de-Mamão do Sambaqui (Florianópolis): Valdete de Lima e o presidente da Associação dos Moradores do Sambaqui, Carlos Cunha. Também foi nessa ocasião que assimilamos o provérbio “quem não dança come rosca”, que aparece na canção “Marcha da Maricota”, composta por Alai Diniz, cantada após as apresentações de As filhas... 8 Ex-professora do curso de Artes Cênicas da UDESC, atual doutoranda em Teoria Literária na UFSC e, desde maio de 2006, diretora do grupo Corpo de Letra. 9 A própria Maricota do Boi-de-Mamão varia de grupo para grupo, não sendo em todos a mesma personagem. Em alguns, é conhecida como a moça feia que quer ser “miss”; em outros, uma moça que quer arranjar um marido. Em algumas manifestações da Ilha de Santa Catarina aparece recentemente a figura de Valdemar, que seria o noivo da Maricota. Existem, ainda, diversos tamanhos e tipos de Maricota. Uns mudam seus vestidos, outros mudam o material de confecção, umas são louras e outras são negras (ROMÃO, Samuel; ANDRADE, Milton de. Improvisação e composição da partitura do ator-dançarino: matrizes corporais na dança dramática do Boi-de-Mamão. Não publicado). 10 NERUDA, Pablo. El hondero entusiasta y otras obras. Buenos Aires: Torres Agüero Editor, 1974. 11 ZUMTHOR. Paul. Introdução à poesia oral. São Paulo: Huicitec, 1997. 12 Bata, meu bem é uma canção do CD O peru rodou (2002). Maria da Inglaterra é considerada uma das maiores representantes da cultura popular do Piauí. Analfabeta, possui dificuldade para registrar suas composições, que eram transcritas pelo marido, falecido em dezembro de 2004 (http://www.itaucultural.org.br/index.cfm?cd_pagina=2484). 13 Freira brasileira, de origem norte-americana, assassinada, aos 73 anos de idade, no dia 12 de fevereiro de 2005. Irmã Dorothy estava presente na Amazônia desde a década de setenta junto aos trabalhadores rurais da Região do Xingu. Sua atividade pastoral e missionária buscava a geração de emprego e renda com projetos de reflorestamento em áreas degradadas, junto aos trabalhadores rurais da Transamazônica. Seu trabalho focava-se também na minimização dos

conflitos fundiários na região. Atuou ativamente nos movimentos sociais no Pará, ganhando reconhecimento nacional e internacional. Segundo uma testemunha, antes de receber os disparos que lhe tiraram a vida, ao ser indagada se estava armada, Ir. Dorothy afirmou “Eis a minha arma!” e mostrou a Bíblia Sagrada. Leu ainda alguns trechos das Sagradas Escrituras para aquele que logo em seguida lhe balearia (http://pt.wikipedia.org./wiki/dorothy_stang). 14 a Apud AMARAL, Ana Maria. Teatro de formas animadas: máscaras, bonecos, objetos. 3 . ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1996. 15 MORETTI, Maria de Fátima de Souza. Encanta o objeto em Kantor. 2003. Dissertação (Mestrado em Literatura) – Pós-Graduação em Literatura, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2003. 16 A idéia da espera interminável, representada na peça de Becket, foi extraída para a performance, sugerindo a interminável espera na fila do ponto de ônibus. 17 BELTRAME, Valmor. Op.cit. REFERÊNCIAS AMARAL, Ana Maria. Teatro de formas animadas: máscaras, bonecos, objetos. 3 a . ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1996. BELTRAME, Valmor. Teatro de bonecos no Boi-de-Mamão. Festa e drama dos homens no litoral de Santa Catarina. São Paulo: USP, 1995. 230 p. Dissertação (Mestrado em Artes) – Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo FRANCO, Jean. Marcar diferenças, cruzar fronteiras. Florianópolis: Ed. Mulheres; Belo Horizonte: PUC Minas, 2005. MORETTI, Maria de Fátima de Souza. Encanta o objeto em Kantor. 2003. Dissertação (Mestrado em Literatura) – Pós-Graduação em Literatura, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2003. MORETTI, Maria de Fátima de Souza. Encanta o objeto em Kantor. 2003. Dissertação (Mestrado em Literatura) – Pós-Graduação em Literatura, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2003. NERUDA, Pablo. El hondero entusiasta y otras obras. Buenos Aires: Torres Agüero Editor, 1974. ROMÃO, Samuel; ANDRADE, Milton de. Improvisação e composição da partitura do atordançarino: matrizes corporais na dança dramática do Boi-de-Mamão. Não publicado. ZUMTHOR. Paul.Introdução à poesia oral. São Paulo: Huicitec, 1997.

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