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Fazendo Gênero 8 - Corpo, Violência e Poder Florianópolis, de 25 a ...

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—Pssiu!! E dirige-se a

—Pssiu!! E dirige-se a Laurita: —Vem mexer o feijão aqui, Madama, que vou ali olhar a menina. E chega com um copinho de sopinha e docilmente eleva o bebê que estava no chão para os seus bem torneados braços, dando-lhe a sopinha depois de assoprá-la. Nesta curta cena, que não dura mais que dois minutos, percebemos o grau de transitoriedade de identidade exercido por João, ou seja, próprio do sujeito que se preocupa com a limpeza da casa; se preocupa com os negócios e com a sua eficiência (lavar roupa para os outros); se importa com a vida sexual do seu “agregado”, pois este lhe deve dinheiro e por isso o protege até que o pague, e ainda assim João está alerta com o bem estar do bebê, ou da “menina”, como carinhosamente a chama. Portanto, o confronto com uma realidade interna e externa é extremado em diferentes sujeitos de forma diferente e dependendo da sua intenção. Até aí nenhuma novidade. A diferença está localizada na impetuosidade contundente com que ele age diante de cada contexto e sujeito. 4 À guisa das considerações finais: Jamacy e os caçadores de veado João deflagra um corpo que traz a força do novo como renúncia frente ao conformismo e ao esquecimento absolto das sujeições às quais somos submetidos na expectativa de sermos aceitos. Uma aceitação, porém, que só é lograda na medida em que nos adaptamos sem questionamento. Esse questionamento pode ser vislumbrado na multiplicidade de João Francisco, que às vezes se auto-identifica como Benedito, subdividindo assim as possibilidades de subversão da ordem estabelecida. João é pai - quando trata da “menina”; marido - quando protege Laurita; capoeira - quando luta a partir dos golpes da capoeira para se defender; parceiro romântico - quando docilmente se entrega ao Renato[tinho] com quem o bailar dos corpos nus e iguais deflagram um ato sexual que contraria todas as prerrogativas heterossexuais; amante excepcionalmente apaixonado - quando desfruta da dor de se sentir abandonado à princípio e logo do sofrer quando descobre que este abandono fora legislado pelo inevitável: a morte do Renatinho; ladrão - quando trama junto com o “agregado” o roubo do dinheiro daquele para quem se entregava; malandro da Lapa - quando percebe que Renatinho o estava furtando; dançarino - quando faz show's no bar do Amador; detento -quando apanha antes de ir para a prisão e, chegando lá, paga uma espécie de pedágio para morar na cela; e finalmente se liberta da prisão, por onde passou inúmeras vezes, e ganha o concurso dos caçadores de veado. Parafraseando Adorno (1974, p. 106), pode-se dizer que todas as ações de João foram respostas objetivas à constelação social que objetiva o sujeito no sentido kantiano. Meu muito obrigado. 6

5 Referências 2 ADORNO, Theodor W. Filosofia da nova música. São Paulo, Perspectiva, 1974. FANON, Frantz. Peau noire, masques blancs. Paris: Éditions du Seuil, 1971. LOURO, Guacira Lopes. Um corpo estranho: Ensaios sobre sexualidade e teoria queer. Belo Horizonte: Autêntica, 2004. MADAME Satã. Direção: Karim Aïnouz. Produção: Isabel Diegues, Maurício Andrade Ramos e Walter Salles. [S.l.]: Videofilmes, Wild Bunch, Lumière e Dominant 7, [2002]. MWEWA, M. Indústria cultural e educação do corpo no jogo de capoeira: Estudos sobre a presença da capoeira na sociedade administrada. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós- Graduação em Educação. Universidade Federal de Santa Catarina, 2005. SABAT, Ruth. Uma viagem pós-moderna. In: Resenhas educativas: Uma revista de resenhas de livros, maio 2005. Disponível em: . Acesso em: 15 abr. 2008. SCHWARZ, R. Cultura e política. 2ª ed.. São Paulo: Paz e Terra, 2005. ZUMTHOR, Paul. Performance, recepção e leitura. Trad. Jerusa Pires Ferreira e Suely Fenerich. São Paulo: EDUC, 2000. 1 Doutorando em Ciências da Educação, Universidade Federal de Santa Catarina – CNPq, Université Paris 1 – Panthéon Sorbonne 2 Por conta do limite de páginas nos limitamos a relacionar somente as referências citadas no texto. 7

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