Views
4 years ago

Gênero e sexualidade nas práticas escolares ... - Fazendo Gênero

Gênero e sexualidade nas práticas escolares ... - Fazendo Gênero

comportamentais que

comportamentais que façam com que os adolescentes entendam a vivência sexual como uma atividade individual, pessoal, que envolve o outro, mas não deve ser orientada exclusivamente pelos desejos dele. Daí a idéia de que cada um, moça ou rapaz, deve se proteger durante o ato sexual, buscando o prazer envolvido na relação e no envolvimento com o outro, seja ele hetero, homo ou bissexual, e fugindo dos perigos que o prazer, quando não higienizado, pode proporcionar: doenças sexualmente transmissíveis, Aids e gravidez indesejada. Quando escolhi a orientação/educação sexual na escola como tema de pesquisa pretendia descobrir, dentre outras questões, as justificativas de atuação profissional ativadas pelos professores que se dedicam a esta atividade. Em um primeiro momento, seu discurso apresentava uma justificativa simples: os adolescentes precisavam de orientação/educação sexual. Mas precisavam por quê? Quais os motivos, quais os dilemas vividos pelos adolescentes, o que justificaria esta necessidade de orientação para a vida sexual? Para responder às questões propostas, foi preciso escolher informantes que estivessem diretamente envolvidos nestas atividades. As análises aqui apresentadas têm por base o discurso de professores da rede municipal de ensino do Rio de Janeiro, divididos em duas categorias profissionais: (i) professores que coordenam atividades de orientação/educação sexual em suas escolas e (ii) professores regentes que procuram capacitação para futuro desenvolvimento de atividades de orientação/educação sexual. Existe unanimidade com relação à principal justificativa para existência dos projetos de orientação sexual. Todos os professores afirmaram que seus alunos precisam, e muito, de um projeto de orientação/educação sexual. A unanimidade deixa de existir quando apresentam argumentos para justificar a própria atuação enquanto profissionais da orientação/educação sexual. Suas defesas são sustentadas a partir de quatro críticas principais: (i) a impossibilidade de manter a sexualidade e a afetividade afastadas da escola, (ii) a incapacidade de lidar com a sexualidade adolescente por parte dos outros professores, (iii) a ausência da família enquanto possível orientadora e (iv) a baixa auto-estima dos alunos. As criticas revelam a percepção dos professores com relação à condição adolescente de seus alunos. São todos apresentados como sujeitos que precisam de orientação para a construção de sua personalidade. Aqui, discutirei o primeiro bloco de justificativas. A impossibilidade de conter as manifestações da sexualidade e da afetividade na escola Os professores criticam a visão de que a escola seria somente o locus da distribuição do saber racionalizado e acumulado cientificamente. Em suas análises, afirmam que os sentimentos e as emoções não estão afastados dos bancos escolares, pois são trazidos pelos alunos e têm 2

influência em todos os processos de ensino/aprendizagem. Dizem que os professores precisam estar dispostos a lidar com as emoções dos alunos para que promovam a melhoria dos processos escolares e dos relacionamentos entre docentes e discentes. Deve haver incentivo à fala, ao desabafo, à livre expressão dos sentimentos para “acabar com a ansiedade deles”. Expressões como “ansiedade”, “frustração”, “catarse”, “fala”, “emoção” permeiam o discurso dos entrevistados. Seus argumentos possuem um viés psicológico-ou psicanalítico. Eles pressupõem que a exposição das emoções pode promover tranqüilidade e melhorar a relação entre docentes e discentes. Embora frisem que a orientação/educação sexual não tem “caráter terapêutico”, admitem que freqüentemente precisam conversar com os alunos em grupo ou individualmente para que seus trabalhos possam fluir. Eles dizem que “às vezes eles [os alunos] chegam muito agitados e você tem que baixar a bola deles.” A descoberta da sexualidade é percebida como o momento de uma explosão de emoções. Neste período, os adolescentes “só pensam em sexo” e não conseguem desenvolver suas atividades discentes a contento “a não ser que tenham espaço para falar”. Os professores explicam esta mudança a partir da articulação entre saberes biológicos e psicológicos. Identificam a puberdade como um fenômeno natural “que ocorre neste período”. Os hormônios estão “super agitados” e os meninos e meninas “ficam impossíveis”. Comentam que quando os adolescentes não podem falar, expressam seus sentimentos através de símbolos presentes no cotidiano escolar. É comum observar pênis e vaginas desenhados em diversos espaços escolares, desde banheiros até corredores e salas de aula. Também existem brincadeiras com conotação sexual entre meninos e meninas, assim como entre meninos e meninos. As meninas se queixam de algum menino que tenha lhes “passado a mão” enquanto os meninos negam enfaticamente. Todos estes fenômenos são classificados como “típicos da idade”, mas devem ser controlados e o projeto de orientação sexual “tem esse papel”. A explosão hormonal “típica da adolescência” proporciona um conjunto de mudanças psicológicas nos alunos, o que promove momentos de rebeldia seguida de muitas dúvidas. A orientação/educação sexual na escola existe “primeiro por causa das dúvidas. Eles perguntam muito, assim, no meio da aula eles vêm com o assunto. Ou mesmo em atitudes. Você vê na sala, na escola, desenhos de pênis na cadeira, você vê que é uma forma que eles tão querendo mostrar que eles querem falar do assunto, né. O aluno que fica se masturbando na sala. Aluna no jardim que fica 3

sexualidade, relações de gênero e protagonismo juvenil no ... - UFRN
Appai aproxima a comunidade escolar do universo de livros e ...
A Educação Física na Gestão Escolar - Confef
Escola Básica de 1º Ciclo/Pré-Escolar de São Gonçalo
1 Gênero e Sexualidade nas Práticas Escolares ... - Fazendo Gênero
Gênero e Sexualidade nas práticas escolares ... - Fazendo Gênero
Gênero e sexualidade nas práticas escolares ST ... - Fazendo Gênero
1 Gênero e sexualidade nas práticas escolares - Fazendo Gênero ...
Gênero e Sexualidade nas Práticas Escolares ... - Fazendo Gênero
Gênero e sexualidade nas práticas escolares. ST ... - Fazendo Gênero
SEXUALIDADE E EDUCAÇÃO ESCOLAR NA PRATICA DOCENTE ...
A construção de gênero e sexualidade no currículo - Fazendo Gênero
GÊNERO, SEXUALIDADE E DESEMPENHO ESCOLAR ... - ANPEd
Sexualidade, conflitos de gênero e adoção: Por ... - Fazendo Gênero
Corpo, gênero e sexualidade em travestis de ... - Fazendo Gênero
Questão de gênero e raça: o desempenho ... - Fazendo Gênero
Sexualidade, gênero, cor/raça e idade em ... - Fazendo Gênero
O que os alunos pensam sobre questões de ... - Fazendo Gênero
Práticas discursivas e práticas sexuais na ... - Fazendo Gênero
Imbricações de gênero e raça nas trajetórias escolares - Fazendo ...
Encaminhamentos a recuperação paralela: um ... - Fazendo Gênero
Violência sexual: uma questão de gênero - Fazendo Gênero 10 ...
As crianças em ação: suas falas sobre gênero, sexualidade e ...