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Gênero e sexualidade nas práticas escolares ... - Fazendo Gênero

Gênero e sexualidade nas práticas escolares ... - Fazendo Gênero

esfregando na cadeira.

esfregando na cadeira. São questões que a gente percebe que eles precisam ter um espaço pra poder conversar disso, pra poder falar”. (CLAUDIA) De acordo com os professores, a impossibilidade de conversar, de falar sobre o que está sentido pode promover outras manifestações no cotidiano escolar. A masturbação e as relações sexuais entre os alunos não são incomuns. Uma das professoras comentou que os banheiros de sua escola têm que estar permanentemente sob controle. Caso exista algum descuido por parte do corpo técnico “de nada adianta fazer projeto de orientação/educação sexual”. Todos os entrevistados percebem estas manifestações com muita naturalidade, mas frisam que seu trabalho de orientação/educação sexual objetiva conter este tipo de atitude entre os alunos, incentivando a ampliação da reflexão prévia. Porém, quando diagnosticado o ato, procuram agir seguindo critérios de neutralidade, orientando os alunos sobre os procedimentos necessários. Um exemplo de campo pode exemplificar esta atuação. Em uma das escolas analisadas, um grupo de meninos levou uma menina a um galpão abandonado perto da escola. Lá, praticaram sexo coletivo sem a utilização de qualquer tipo de preservativo. A professora responsável pela orientação/educação sexual na escola foi convocada pela direção. Ela relatou que ao chegar à sala da direção a menina estava cercada pela mãe, pela diretora e por outros professores. Todos muito nervosos, limitavam-se a criticar a atitude da menina. A professora preocupou-se, inicialmente, em receitar uma pílula anticoncepcional do dia seguinte para evitar gravidez e então passou a conversar com seus colegas, com a mãe para depois atender a aluna. Quando a entrevistei, ela ativou seus conhecimentos em psicologia para explicar que acreditava que a menina estava passando por algum tipo de abuso sexual na família. Por isso teria participado do ato sexual coletivo. “Ela queria que a mãe soubesse. Ela queria agredir a mãe”. Sua explicação difere dos outros profissionais que estavam “preocupados apenas em repreender a menina”. Interessante observar que o foco da repreensão e da intervenção psicológica foi a menina. Em nenhum momento os meninos foram citados. Ao perguntar por eles, fui informado que haviam sido suspensos da escola. Este evento revela aspectos da atuação dos saberes pedagógicos, psicológicos e biológicos quando ativados para analisar ou resolver problemas relativos a manifestações da sexualidade adolescente na escola. A orientadora sexual aparece como referência e justifica sua “atuação diferente” por ter “um outro olhar sobre a questão”, mas não acredita que esta seja função 4

exclusiva do orientador sexual, pois defende que todos os professores deveriam estar habilitados a atuar dentro dos mesmos princípios. Considerações finais Os argumentos apresentados pelos professores sublinham a relação entre a escola e outros espaços sociais, como a família e os grupos de sociabilidade juvenis. Aliada à “explosão hormonal” da puberdade, a imbricação entre estas categorias aparece como explicação para o comportamento dos alunos em sala de aula e nos outros espaços escolares. Em seus discursos, inter-relacionam diversas esferas da cultura para explicar e justificar as atitudes dos adolescentes dentro e fora da escola. Suas explicações também demarcam fronteiras entre os orientadores sexuais e os professores de sala de aula. Os outros professores são vistos como profissionais despreparados para “lidar com essas questões”, o que cria relações de dependência com os orientadores sexuais, limita espaços de atuação profissional e justifica a existência da orientação/educação sexual na escola. Referências ALTMANN, H. Verdades e pedagogias na educação sexual em uma escola. Rio de Janeiro: PUC-Rio, 2005. (Tese de doutorado) ___________ Orientação Sexual nos Parâmetros Curriculares Nacionais. In: Revista Estudos Feministas vol. 9 n. 2/2001. BOZON, M. Sociologia da Sexualidade. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2004. BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais. Volume 10 – Pluralidade Cultural e Orientação Sexual/ Secretaria de Educação Fundamental – Brasília. MEC/SEF, 1997. ROSISTOLATO, R.P.R. Sexualidade e escola: uma análise da implantação de políticas públicas de orientação sexual. Rio de Janeiro: PPGSA/UFRJ, 2003 (Dissertação de mestrado). ________________. O ´PROJETO AIDS`: classificações de gênero, adolescência e sexualidade em uma escola carioca. In: Revista Enfoques. Volume 3, número 1, 2004. Disponível em http://www.enfoques.ifcs.ufrj.br ______________“Orientação sexual nas escolas: classificações de gênero em uma escola carioca”. In: Revista Gênero. Volume 4, número 1, 2003. i Para uma análise mais ampla do conceito de orientação sexual na escola, ver ROSISTOLATO (2003, 2004) e ALTMANN (2005). ii Trata-se de uma perspectiva diferente de outros contextos culturais. Nos Estados Unidos da América o controle da gravidez na adolescência, das Doenças Sexualmente Transmissíveis e da Aids vem sendo realizado a partir da ênfase na abstinência sexual pré-conjugal. (BOZON, 2004) 5

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