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Gênero nas Ciências Naturais e Exatas – ST 25 Carla Giovana ...

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Anais do VII Seminário

Anais do VII Seminário Fazendo Gênero 28, 29 e 30 de 2006 Neste texto, procurarei sintetizar alguns aspectos das questões indicadas, tentando mostrar que um novo tipo de conhecimento o conhecimento dialogicamente situado é uma possibilidade advinda da soma entre consciência crítica da relação ciência, tecnologia e sociedade, valores humanistas e atitude feminista. Panoramas de gênero As estatísticas de organismos vinculados aos sistemas de ciência e tecnologia (SCT) discriminadas por sexo têm sido a principal fonte para a construção de indicadores de ciência e tecnologia. A motivação alia a necessidade de se fazer diagnósticos da situação das mulheres, acompanhar o crescimento ou não de sua participação nas várias carreiras, tentar elencar ações passíveis de modificar situações de desigualdade. É recorrente a menção à falta de dados que contemplem a variável sexo, dificultando uma leitura pelo viés do gênero. 3 Esses trabalhos, na maior parte das vezes, mostram que o século XX tem sido significativo no que respeita ao aumento do número de mulheres nas carreiras científicas e tecnológicas, fato que se deve, principalmente, ao acesso legal à educação superior. Embora esse número tenha crescido, carreiras como a engenharia são resistentes a um aumento mais expressivo. Área mais masculina do SCT brasileiro, a engenharia e as ciências da computação têm cerca de 25% de mulheres do total de pesquisadores; há pouca liderança, que vai gradativamente se esfumando com a idade da pesquisadora. Há que se considerar também que a mulher ocupa poucos cargos de decisão nas instituições em que trabalha e nas diversas instâncias dos organismos desse sistema. Melo 4 verificou que o espaço de poder no STC é predominantemente masculino, seja em reitorias, vice-reitorias, pró-reitorias e comitês assessores do Ministério da Educação, CNPq e Capes. Nesses últimos, chama ainda mais atenção o fato de que mesmo nas áreas em que o número de mulheres é superior ao de homens, como as Ciências Humanas, a representatividade feminina não é a que abraça maior poder. A mesma autora investigou o número de bolsas de produtividade e pós-doutorado relativas ao período de 1990 a 1999 e constatou que a distribuição simboliza o viés sexista impregnado na ciência. O maior número desse tipo de bolsa nas mãos das mulheres está nas Ciências Biológicas, a área mais feminina. Em seguida, vêm Humanidades e Ciências Sociais. No que respeita à Engenharia, Melo indica que houve, no período estudado, um pequeno incremento no percentual de mulheres com bolsas de produtividade ou pós-doutorado de 15% em 1990, passou a 18% em 3 A inclusão da variável sexo, assim como raça/ etnia na produção e divulgação de estatísticas do SCT brasileiro foi uma das fortes recomendações do 1º. Encontro Pensando Gênero e Ciências, realizado de 29 a 31 de março de 2006, em Brasília. 4 MELO, Hildete Pereira de, LASTRES, Helena Maria Martins. “Mulher, ciencia e tecnologia no Brasil”. Proyecto Iberoamericano de Ciencia, Tecnología y Género (GENTEC): Reporte Iberoamericano. Madrid: OEI, UNESCO, 2004, p. 85-88. 2

Anais do VII Seminário Fazendo Gênero 28, 29 e 30 de 2006 1999. Esse mesmo trabalho constatou que é crescente o aumento do número de bolsas de iniciação científica concedidas a mulheres, indicador que a autora avalia como positivo. É preciso aguardar a evolução desse quadro para verificar se haverá ou não, e como, uma incorporação dessas jovens pesquisadoras nos mais altos níveis do STC. Os dados apresentados pelo CNPq em seus censos têm sido também úteis para localizar as mulheres nas grandes áreas do conhecimento, sua posição quanto à liderança, idade e disciplinas científicas. Eles são interessantes para fornecer uma espécie de panorama das áreas, também em relação aos estados. Muito embora se tenha confirmado e tentado acompanhar o crescimento da mulher no SCT, e sua representação chegue atualmente a aproximadamente 47% do total de pesquisadores, sua participação é significativamente menor na grande área Engenharia e Ciências da Computação, como apontado. Nesse caso, dos 13.006 pesquisadores 5 , 9.671 (74,35%) são homens e 3.299 (25,36%) mulheres. Ciências Exatas e da Terra, com 31,62% de mulheres, e Agrárias, com 34,50%, vêm, respectivamente, a seguir. Há uma maior tendência ao equilíbrio entre os gêneros nas Ciências Biológicas, da Saúde e Sociais Aplicadas. Nas Ciências Humanas, Lingüística, Letras e Artes o predomínio é de pesquisadoras. Tanto mais se dirige para regiões e/ou estados, mais dissonâncias aparecem. Nos seis estados com maior número de grupos de pesquisa, as mulheres são maioria nas áreas de Ciências Humanas (60,56%), Saúde (56,30%) e Letras, Lingüística e Artes (69,51%); nas Ciências Biológicas e Sociais Aplicadas, há uma distribuição mais eqüitativa; Engenharias e Ciências da Computação (24,27%) e Ciências Exatas e da Terra (29,62%) são as áreas em que há os menores percentuais de mulheres. Fazendo uma leitura dos dados relacionados a Engenharias e Ciências da Computação, quarta área com maior número de doutores no país, vamos encontrar uma diferença de cerca de dois terços, em prol dos homens. Os percentuais variam conforme o estados. Minas Gerais (21,08%), São Paulo (22,11%) e Santa Catarina (22,39%) são as unidades da federação com o mais baixo percentual de mulheres. Nesses estados elas representam pouco mais de 20%, ficando abaixo da média nacional. É no Rio Grande do Sul que a representatividade feminina nas Engenharias e Ciências da Computação chega a quase um terço (28,43%). A UFSC tem o maior centro de ensino e pesquisa da área tecnológica de Santa Catarina. No CTC, há 348 professores 297 homens e 51 mulheres. Considerando-se esse cenário, as mulheres mal chegam a 15%. Se desconsiderarmos nessa análise de proporcionalidade, o Departamento de 5 Dados do censo divulgado pelo CNPq em 2004. Espera-se a divulgação de novos dados em 2006, já que a pesquisa tem sido realizada bianualmente. 3

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