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4 years ago

Este estudo teve como objetivo principal analisar como tem sido

Este estudo teve como objetivo principal analisar como tem sido

A masculinidade, vista

A masculinidade, vista como construção social, não deve ser entendida a partir de uma essência universal, mas como um conjunto de valores em constante mudança. Todavia, a sociedade ocidental tem “naturalizado” um tipo ideal de masculinidade 5 , que tem sido referência para muitos homens e também para muitas mulheres definirem e imporem “o que é ser homem” socialmente. No caso da engenharia, este tipo ideal de masculinidade proposto por CONNEL 6 (1995) tem sido a referência mais provável que se pode verificar nas falas das (os) estudantes de engenharia. Estudar além do “normal” As (os) estudantes de engenharia estudam, elas (es) estudam muito, estudam tanto que muitas vezes, suas vidas se resumem em estudar, por isso, dizem que estudam além do “normal”. Elas (es) permanecem horas tentando resolver um problema de cálculo, ficam quase um mês resolvendo uma complexa lista de exercícios, “viram” noites estudando. Este estudar além do “normal” vai sendo sentido gradativamente pelas (os) alunas (os) ao longo do curso. No início do curso de engenharia a (o) estudante ainda pode ter uma vida “normal”, ou seja, social; participam regularmente das festas, seus fins de semana não são comprometidos, pois ainda conseguem ter diversos momentos de lazer sem restringir seu tempo a resolver problemas centrados em complexos cálculos matemáticos. No entanto, com o decorrer do curso o grau de dificuldade aumenta e quando se iniciam as matérias profissionalizantes, a competição por notas e a vigilância intragrupal torna-se mais visível entre elas (es). Nas últimas fases a preocupação aumenta, pois há uma maior reflexão sobre a mudança de status social que sofrerão após a formatura, ou seja, deixarão de ser estudantes para serem profissionais. Neste período é afirmada certa necessidade de mudar de comportamento, pois sentem que precisarão construir uma postura apropriada para atuar profissionalmente. Os homens, ao refletirem sobre algumas das mudanças subjetivas que vão acontecendo durante o curso, destacam que estas vão se tornando necessárias para atingir o tipo ideal de engenheiro que almejam. Esta necessidade de “virar engenheiro” foi percebida somente nos informantes homens desta pesquisa, pois todos fizeram menção a esta postura. Já as mulheres comentaram o que percebiam que acontecia com seus colegas homens neste contexto, entretanto não afirmaram que isto acontecia com elas também. O tempo utilizado para se estudar é entendido, muitas vezes, como uma renúncia à própria vida pessoal, que começa a ser deixada de lado cada vez mais durante o curso. Esta renúncia é sentida, muitas vezes, como um tipo de sofrimento provocado por um conjunto de fatores, que mais tarde resultará no tipo ideal de engenheira (o) que precisam incorporar de forma parcial ao longo do curso. A renúncia à vida pessoal sofrida pela necessidade de estudar, muitas vezes, se resume na obtenção da nota mínima 7 . Isto provoca nestas (es) estudantes além da sensação de serem os seres 2

escolhidos ao sofrimento, também a conclusão que toda a dificuldade relacionada ao curso é vivenciada por todas (os) sem distinção de gênero, ou seja, o sofrimento não é compreendido como um estado que atinge apenas as alunas, pois todos sofrem. A solidão que estas estudantes assumem sentir não é apenas vivenciada em casa durante todo o tempo que precisam ficar estudando além do “normal”, mas também o próprio contexto da engenharia, as faz sentirem-se excluídas, sem amigas para conversar. Os homens afirmam que o fato de ficarem sozinhos em casa, não os deixam “incomodados”. Segundo eles, não há outro modo de estudar, pois, cálculos matemáticos não exigem muita discussão. Entre os estudantes, além de estarem conformados com o modo de estudar, o contexto da engenharia os compensa a não se sentirem sós, pois nele acabam encontrando muitos colegas homens, os quais podem compartilhar um agradável “papo de homem 8 ”, afirmando assim suas masculinidades. Num espaço onde prevalece o “papo de homem” é difícil se construir a possibilidade das poucas mulheres existentes neste contexto expressarem suas motivações subjetivas. Pois, além destas serem poucas, seus “papos” geralmente não são importantes para os homens; pois quem decide são eles. Para elas, os homens geralmente não dão importância, valor ao que elas pensam, acham, decidem, pois, muitas vezes, sentem que são tratadas com se não existissem nesses momentos de “papo de homem”. Diante destes “papos de homens”, elas se sentem incomodadas por serem mulheres e muitas vezes escutar discursos que atingem seu gênero, logo, suas feminilidades. Conseqüentemente, os homens por ser maioria, decidem os temas das conversas. Geralmente, estes direcionam suas conversas ao simbólico masculino, o qual não é compartilhado totalmente por elas. Ficar calada, não comentar que tal assunto atinge, fere sua identidade de gênero é vista como uma tática para estas mulheres estarem neste campo. As conversas em torno de sexo sem sentimento, que são as mais freqüentes no universo masculino, são as que elas mais vivenciam como algo “desconfortante”. Conforme as estudantes, há algumas táticas utilizadas, as quais têm viabilizado a sobrevivência destas mulheres neste campo majoritariamente ocupado e comandado por homens. O uso do “filtro” sobre os discursos masculinos é compreendido como uma maneira de permanecer no campo da engenharia mais tranqüila, ou seja, sem se incomodar com problemas que geralmente não se deve dar tanta importância, pois já têm outras coisas que as fazem sofrer como o ter que “estudar além do “normal”. Os homens 9 , para se manter neste campo, precisam estar sempre negociando a manutenção de suas masculinidades reprimindo seus próprios sentimentos, que não devem ser divulgados neste contexto. Diante, da complexidade que configuram estas relações, é admitido que tanto os homens como as mulheres sofrem, pois ao escolherem cursar engenharia, já estariam candidatando-se ao sofrimento. 3

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