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4 years ago

Este estudo teve como objetivo principal analisar como tem sido

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As mulheres que cursam

As mulheres que cursam engenharia não são vistas como tão competitivas quanto os homens neste contexto. Uma informante, ao refletir sobre a competição na engenharia, conclui que normalmente as mulheres por serem tão poucas não são vistas como sujeitos competitivos neste contexto. Deste modo, os homens quando se deparam com mulheres competitivas geralmente duvidam de suas capacidades. O aspecto competitivo tem sido um atributo de forte peso para a afirmação da masculinidade no contexto ocidental e capitalista. Nos estudos de SCHIENBINGER (2001) sobre a cultura vinculada a ciência moderna, pode-se verificar como a competição entre os cientistas acaba por construir um ambiente tenso, estressante e agressivo. Quando alguma estudante tira uma nota muito alta. geralmente há comentários sobre uma possível ida da aluna à “sala do professor” Esta visita à “sala do professor” foi muito comentada pelas estudantes, que afirmavam que seus colegas homens julgam que suas notas altas seriam obtidas por capacidade de seduzir o professor e não de ter apreendido a matéria. Apesar dos alunos verem suas colegas através de seus atributos de feminilidade como algo mais delicado para o ambiente acadêmico, elas não se sentem valorizadas como mulheres e, muitas vezes, têm problemas no tratamento que recebem dos colegas homens. A famosa frase “o CTC é que nem navio pirata só tem homem e canhão”, acabou sendo cristalizada no imaginário dos próprios alunos e sentida pelas alunas na tentativa de se construir momentos de sociabilidades entre elas e eles. Apesar desta briga dos “gêneros” marcada num contexto que tende a julgar estas mulheres como “anormais” por cursarem engenharia, a incidência de namoros entre os estudantes foi muito comentada nas entrevistas. Sofrimento diagnosticado Para elas o sofrimento sentido durante o curso tende a aumentar gradativamente, algumas dizem que não sofrem muito, apenas sentem um estresse, uma ansiedade, uma leve angústia. Outras falam que sofrem muito, sentem vontade de desistir do curso. Teve uma que revelou que teve vontade de desistir da própria vida por causa da pressão presente no curso. O sofrimento causado no processo de formação tem se refletido nas vidas pessoais das estudantes, pois algumas precisaram, em algum momento, pensar sobre seus cotidianos e procurar algum tipo de auxílio psicológico como terapias. Outras estudantes tiveram que ir mais além, pois já estavam num momento que precisavam controlar este sofrimento, precisaram de medicação para criar mecanismos que ajudassem compreender que: “a vida não era só engenharia” . Todas as informantes desta pesquisa se auto-afirmaram “depressivas” ou terem já sofrido princípio de “depressão”. Segundo elas, a causa principal seria a pressão do curso. Das oito entrevistadas, apenas duas não procuraram algum tipo de terapia. Quatro delas já tomaram medicação, uma das quatro 6

continua tomando e outra, entre estas quatro, diz que já recebeu alta, mas continua tomando para prevenir a depressão. Esta incidência de depressão entre as estudantes é um problema que pode estar presente em todos os campos de conhecimento, mas na engenharia estes processos depressivos parece estar fazendo parte de um ritual de formação de algumas estudantes. A principal causa apontada como possível desencadeadora da “depressão” está relacionada à quantidade de horas utilizadas para estudar além do “normal”. Algumas entrevistadas costumam se auto-medicar antes de procurar a ajuda médica. Um hábito preocupante entre elas é consumo de “anti-depressivo” para prevenir a “depressão”, ou seja, muitas vezes, o medicamento não é usado apenas durante o tratamento médico, mas também para prevenir a “depressão”. Entre os motivos da depressão as estudantes indicaram os traumas que sofreram no relacionamento com seus professores, que ainda as amedrontam. O estresse causado pela pressão do curso também é indicado por elas como causadores da depressão. Neste contexto, a depressão, o estresse, a busca de terapias e o uso de medicamentos acabam fazendo parte do processo de formação subjetiva da engenheira. A auto-reflexão que estas estudantes fazem sobre o motivo de suas vivências, indicam como têm consciência das relações de poder presentes neste campo. No entanto, a repressão de seus sentimentos necessária para sua permanência neste contexto resulta num acúmulo de sofrimentos, que tem desencadeado problemas de saúde como a depressão. Considerações finais Diante desses processos depressivos que constatamos, a participação destas poucas mulheres deve ser muito bem pensada e planejada. O estudar matemática é o eixo que faz as estudantes de engenharia se diferenciarem das estudantes de outros cursos como pedagogia, serviço social, estes entendidos por elas como os cursos “procura marido engenheiro”. Elas não se comparam as matemáticas e as físicas, campos de conhecimentos de base. Elas (es) são preparadas (os), formadas (os) para atuar num campo de conhecimento historicamente masculino, moldado pelos valores que permeiam o modo de produção capitalista, elas (es) serão profissionais e sua formação destina-se ao mercado de trabalho. Na universidade elas (es) precisam competir para sobreviver, isso não quer dizer que todas (os) nós [sociólogas (os)] não competimos também, mas eles são treinados para competir e serem os melhores (ou acharem que são os melhores). A força dos valores culturais da engenharia e de um tipo ideal de engenheiro é tão significativa que a existência dos sujeitos neste contexto só é válida e garantida se eles conseguirem incorporar pelo menos uma parte dela, mesmo não concordando com o sofrimento. Para se pensar em mudanças neste campo, penso que a primeira medida seria introduzir os 7

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