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1 Gênero , Ciências e Tecnologia. ST. 22 Auri ... - Fazendo Gênero

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2 Uso de

2 Uso de Tecnologia na Fruticultura e a Qualificação da Mão de Obra Masculina e Feminina Nos Perímetros Irrigado de São Gonçalo e de Condado , localizado no sertão paraibano, ainda persistem as desigualdades no que concerne as relações de gênero e na divisão sexual do trabalho na fruticultura. Assim, o trabalho masculino a exemplo da irrigação, para qual são capacitados é valorizado, e o da mulher, não, produzindo uma distribuição desigual de prestígio e poder. Constatou-se durante a pesquisa, que a mão-de-obra feminina é utilizada, principalmente na colheita, na seleção e na embalagem dos frutos, atividades estas, que são realizadas numa determinada época do ano. Daí depreende-se, a nosso ver, a importância conferida à mulher para o desenvolvimento econômico da fruticultura. Seu trabalho é eventual, não é legalmente reconhecido, não havendo também o interesse de investir em capacitação desta mão-de-obra, que, pelo próprio processo de socialização a que foi submetida, se “adapta” à flexibilidade do trabalho agrícola. Observa-se que a própria qualificação é sexuada e reflete critérios diferentes para o trabalho realizado por homens e mulheres, ocorrendo freqüentemente uma desqualificação do trabalho feminino, assimilado a dons naturais, desconsiderando-se o treinamento formal. Das 40 agricultoras entrevistadas, nenhuma participou da capacitação sobre manejo adequado de irrigação, ministradas pelos técnicos da EMATER-PB/SAELPA em 2005. Assim, observa-se que irrigação é trabalho de homem. O que se tem verificado, na realidade, é que “(...) as mulheres continuam a ser largamente excluídas da capacitação que visa incorporar novas tecnologias que no contexto específico das zonas agrícolas, é parte integrante do processo educacional e informativo das pessoas.” ( TEIXEIRA et al , 1994 p. 43 ). O uso de tecnologias modernas na agricultura expulsa força de trabalho permanente e sazonal, masculina e feminina do campo. No entanto, o que se tem constatado, é que a força de trabalho permanente, especialmente a feminina, é a mais afetada pela modernização agrícola. Isto, porque o uso de tecnologias modernas, no geral, exige especialização de mãode-obra; assim, a tendência é só permanecerem no campo, como trabalhadores permanentes, aqueles com qualificação adequada às exigências das demandas tecnológicas para produção agrícola, ao mesmo tempo em que também mantém uma periferia de trabalhadoras e trabalhadores temporários. Durante a pesquisa observou-se , que as conseqüências dessa temporalidade vêm atingindo mais diretamente as mulheres, em decorrência do baixo nível de qualificação de sua mão-de-obra. 2

Assim, a desvalorização passa por critérios sexistas. As trabalhadoras rurais são consideradas como mão-de-obra desqualificada, porque a sua competência o seu saber fazer, está relacionado no geral a dons considerados naturais (delicadeza, habilidade manual e destreza, entre outros), que se supõe inatos e tipicamente femininos, em lugar de serem observados como o produto de uma formação social. É comum também dizer que as mulheres, por falta de capacitação ingressam nos postos menos qualificados, dentro da estrutura ocupacional, em vez de se reconhecer que elas têm a formação adequada para os postos que lhes são oferecidos (LOBO, 1991; FLORES, 1991 ). Estudos realizados na França demonstram que a introdução de novos padrões tecnológicos, nas pequenas propriedades, favoreceu o trabalho da mulher, e redefiniu o seu saber fazer, como assinala Wanderley (1990, p.21): A introdução de equipamentos e insumos modernos favoreceu, em particular, o trabalho das mulheres. Por exemplo, a introdução da ordenha elétrica reduziu o tempo de trabalho consagrado tradicionalmente à execução desta tarefa, tornou-a mais limpa e menos cansativa. Em conseqüência, as mulheres puderam se dedicar mais a casa e à família e puderam assumir outras atividades , tais como a elaboração da contabilidade do estabelecimento agrícola. Constata-se que a introdução de novas tecnologias redefiniu a organização do trabalho no interior da casa e na produção, como também proporcionou o acesso das mulheres a uma formação especializada, para assumir as tarefas administrativas do estabelecimento agrícola. As mulheres não foram descartadas como força de trabalho, mas requalificadas. Jean (1994, p.72), em estudos realizados no Quebec, ressalta : O que diferencia as duas formas de agricultura familiar é, ao mesmo tempo, seu fim ( reprodução da família e da unidade produtiva por um lado, versus produção intensiva e eficiente para mercados agrícolas de outro) e seus meios. Enquanto na economia camponesa a exploração familiar podia dispor de uma superabundância de mão-de-obra de origem familiar ( filhos e esposa do agricultor), a agricultura familiar moderna repousa bem mais sobre o recurso massivo à mecanização do trabalho agrícola. De fato na maioria dos casos, o trabalho da mulher do agricultor e de seus filhos praticamente desapareceu ou tornou-se insignificante. Muitas vezes, eles são simplesmente afastados do trabalho agrícola através de uma elevação significativa de sua tecnicidade. O agricultor não pode mais permitir correr o risco ( traduzindo-se rapidamente em termos de perdas financeiras) de um trabalho mal executado. Cercando-se de máquinas, contratando trabalhadores agrícolas 3

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