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1 Gênero , Ciências e Tecnologia. ST. 22 Auri ... - Fazendo Gênero

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Na representação dos

Na representação dos agricultores e das agricultoras familiares, o trabalho produtivo está ligado às atividades desenvolvidas no roçado, desde o preparo do solo até a colheita, fazendo-se também a distinção entre trabalho leve- competência da mulher e dos filhos menores tal como semear e colher, e trabalho pesado - competência do homem chefe de família, e de seus filhos mais velhos como preparo do solo, limpa e outros similares. Daí a divisão sexual do trabalho ser bastante clara para os agricultores familiares, inclusive encarada como algo “natural” e não questionável, dando sentido à oposição masculino e feminino. Por influência de fatores ideológicos e culturais é comum se afirmar que o controle da produção sempre está a cargo do homem e que à mulher compete à função secundária de ajudante _ o que se considera trabalho, nesta hierarquia de produção. Neste sentido consideramos pertinente a colocação de Lobo ( 1991, p. 61 ): Nem a hierarquia de gêneros na sociedade funda a divisão sexual do trabalho, nem a divisão sexual do trabalho funda a hierarquia de gêneros. A divisão sexual do trabalho se constrói como, estratégia de gestão da força de trabalho, através de representações e de linguagem do capital, tanto quanto como estratégia de resistência das mulheres e dos homens nas relações com o trabalho e em suas práticas sociais. Assim, o lugar que as mulheres ocupam na sociedade não é um produto direto do que elas fazem, mas o significado que suas atividades adquirem através da sua interação com a sociedade concreta. Como na área de fruticultura a mão-de-obra feminina é utilizada principalmente na época da colheita, da seleção e da embalagem dos frutos, este trabalho é sazonal, o que vem reforçar a descaracterização da mulher como trabalhadora. Vista desta ótica, a participação na esfera produtiva é a arena social que distingue o homem, e a mulher é vista como apoio ou ajuda, mera extensão do trabalho doméstico, subordinada a um chefe masculino em atividades que a colocam à margem do processo decisório Ela planta e colhe, mas não decide sobre o que plantar nem o que vender. O gerenciamento e a comercialização pertencem ao espaço público, ocupado, portanto, pelo homem. Este esquema ideológico, que tem sua base na estrutura do patriarcalismo, concorre para que se estabeleçam hierarquias de poder diferencial entre homens e mulheres tanto nas esferas da produção e reprodução como na sociedade em geral. Avançando nesta questão, as autoras feministas demonstram em vários estudos que as mulheres também trabalham. Apesar do grande avanço obtido através desses estudos, onde o sujeito mulher se torna visível e objeto de estudo das ciências sociais, o 6

enfoque teórico ainda tem como base a divisão sexual do trabalho, “segrega como objeto de estudo o sujeito mulher”. A sua subordinação é dada pela posição que ocupa no seio da família e a invisibilidade do trabalho da mulher, no campo, é atribuída ao seu caráter familiar. Segundo Bruschini (1990) , a geração mais recente de estudos sobre mulher, e o próprio feminismo ampliaram a ótica de análise, abrindo-se para novos temas, o enfrentamento da contradição entre a maternidade, a igualdade na família e a plena cidadania na sociedade bem como as possibilidades de vivermos, homens e mulheres, nossas diferenças e hierarquias, dentro ou fora de uma vida familiar. Desloca-se o objeto de construção social e de subordinação feminina para relações sociais entre homens e mulheres, isto é, “relações de gênero”. CONSIDERAÇÕES FINAIS Os dados obtidos através da pesquisa em foco demonstram que: o uso de novas tecnologias requer mão-de-obra qualificada e uma nova forma de organização e de gestão do trabalho e, conseqüentemente, uma redefinição da divisão sexual no processo produtivo e nas relações de gênero. As divergências e a solidariedade que permeiam os grupos domésticos nas divisões internas de papéis, podem expressar relações recíprocas de dominação e subordinação, dados os critérios utilizados na distribuição deles. Constatou-se que é do impacto entre os interesses divergentes que resultam mudanças redifinidoras das relações entre os seres humanos. Embora a reprodução seja subordinada à produção os dois antagonismos referidos merecem o mesmo estatuto teórico, se, de fato se pretende ir além da análise estrutural e apreender a dinâmica das relações sociais. Referências BRUSCHINI, M.C.A. Mulher, Casa e Família. São Paulo: Vértice, 1990. CAVALCANTI, J.S.B. Frutas para o Mercado Global. In: Estudos Avançados da USP. V.11, n. 29, p. 79-93, jan/abr.1997. FLORES, L. M. S. La Flexibilidade del Mercado de Trabajo Rural: Una Proposta que Involverá a la Mujeres. México: Revista Mexicana de Sociologia, México, 1994. GARCIA, J. Terra de Trabalho: Trabalho Familiar de Pequenos Produtores. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1983. JEAN, B. A Forma Social da Agricultura Familiar Contemporânea: Sobrevivência ou Criação da Economia Moderna. In: Cadernos de Sociologia – Produção Familiar, Processos e Conflitos Agrários. Porto Alegre: UFRGS. Vol. 6, 1994. 7

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