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Fazendo Gênero 9 Diásporas, Diversidades, Deslocamentos 23 a 26 de agosto de 2010 Nossas mulheres devem ser qualificadas porque serão as mães de nossos filhos. Como mães, são as primeiras amas e instrutoras das crianças; é delas que as crianças, conseqüentemente, obtêm suas primeiras impressões, que por serem sempre as mais duradouras, devem ser as mais corretas. 6 Portanto, a ideologia que atribuía à mulher uma função reprodutiva e educadora, também estava fortemente presente no discurso antiabolicionista. É natural, portanto, que a maternidade fosse usada como argumento contra a instituição da escravidão, já que desviava a mulher de sua verdadeira função. No entanto, na prática, as idéias iluministas pareciam servir apenas aos senhores, não aos seus escravos. Das mulheres brancas, esposas e filhas de donos de fazenda, esperava-se que casassem, constituíssem família e fossem boas mães, esposas e filhas. Eram criadas preparando-se para a maternidade e acreditando ser este o seu destino. Por outro lado, das escravas esperava-se que engravidassem o maior número de vezes possíveis, sem se importar se os filhos eram do mesmo pai, ou não. Após a gravidez, mães e filhos eram geralmente separados. A maternidade negra, nesse contexto, é vivenciada de maneira completamente oposta à visão iluminista. É uma maternidade vivida na distância e no abandono. Por outro lado, como mencionado anteriormente, era a mulher negra a responsável, muitas vezes, pelos cuidados aos filhos de seus senhores. Ou seja, era impedida de olhar pelos seus, e obrigada a zelar pela prole alheia. O seu leite e os seus carinhos eram reservados aos filhos de seus senhores, não aos seus próprios. Podemos afirmar, portanto, que mesmo imbuída de um contexto iluminista que pregava a beleza da maternidade e a função educadora da mulher, a maternidade negra estabeleceu outros parâmetros para a experiência de ser mãe. De algo a ser almejado e cultuado, tornou-se algo sofrido, e muitas vezes indesejado. Os muitos episódios de separação e violência determinaram essa nova vivência, reflexo tanto da diáspora, quanto da escravidão. Assim, a maternidade negra muitas vezes foi sinônimo de morte, e não de vida. Considerações Finais Retomando as considerações feitas anterirormente acerca da idealização da maternidade, podemos afirmar que tanto Amada, quanto Compaixão retratam uma vivência da maternidade que em muito difere a propagada pelo iluminismo e pelo cristianismo. O papel de educadora e mãe virtuosa é restrito a apenas um pequeno grupo de mulheres brancas, de classe social elevado. Às 6 GILROY, Paul. O Atlântico Negro: modernidade e dupla consciência. São Paulo: Editora 34,2001.p.77 6

Fazendo Gênero 9 Diásporas, Diversidades, Deslocamentos 23 a 26 de agosto de 2010 mulheres negras representadas em ambas as narrativas cabe o papel de reprodutora e serviçal. São meros corpos a disposição de seus senhores, sujeitas a todo tipo de humilhação. Tanto Sethe, em Amada, quanto Florens, são vítimas da maternidade vivida na perda e no abandono. Poderíamos, inclusive, afirmar que as duas narrativas se complementam, já que em Amada, o foco narrativo recai sobre o sofrimento da mãe, Sethe, enquanto que em Compaixão temos a retrato do abandono vivenciado pela filha, Florens. A presença dos deslocamentos e da diáspora, que determinam cabalmente as relações e as trajetórias de todos os personagens, é outro ponto em comum entre as duas narrativas.No entanto, os efeitos da diáspora e dos deslocamentos são ainda mais pungentes em Compaixão, que retrata, no último capítulo a saída da mãe de Florens da África. Como os senhores que a trouxeram são portugueses, Florens e sua mãe se comunicavam em português, e durante toda a narrativa Florens se refere a ela em português – minha mãe. Compaixão também apresenta uma escopo maior de vivências da maternidade e das experiências de mulheres de várias etnias, classes socias, religiões. Se para Rebekka, senhora da propriedade na qual Florens era escrava, a maternidade foi uma experiência de sofrimento devido a morte de todos os seus filhos, para Florens e sua mãe, escravas, a maternidade foi uma experiência de perda e abandono, assim como em Amada, cabalmente condicionada pela escravidão. As personagens femininas em Compaixão se encontram aprisionadas por um sistema que oferecia pouca ou nenhuma possibilidade de liberdade. Por algum espaço de tempo na narrativa, elas trabalhavam cooperando entre si e cuidando umas das outras. Porém, quando uma tragédia se abate sobre a propriedade de Jacob e Rebekka Vaark, as divisões impostas pelo racismo voltam a imperar. A cooperação entre mulheres brancas, índias e negras se dissolve, e o que resta a cada uma é permancer isolada em seu mundo interior, inacessível a quem quer que seja. Apesar desse isolamento e da impossibilidade de compartilhar tudo o que viveu e aprendeu, fica evidente que Florens, a dura penas, aprende a lição que sua mãe quis, mas não teve tempo de lhe ensinar. See? You are correct. A minha mãe too. I am become wilderness but I am also Florens. In full. Unforgiven. Unforgiving. No ruth, my love. None. Hear me? Slave. Free. I last. 7 Referências Bibliográficas GILROY, Paul. O Atlântico Negro: modernidade e dupla consciência. São Paulo: Editora 34,2001. 7 MORRISON, Toni. A Mercy. New York: Vintage Books, 2009.p.161 7

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