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A Cidade das Putas José Miguel Nieto Olivar ... - Fazendo Gênero

A Cidade das Putas José Miguel Nieto Olivar ... - Fazendo Gênero

namorar um pouco com

namorar um pouco com alguém. É, além de todas as óbvias reivindicações contra a violência, narrar de novo a história que se sente com alguma dor. 7. Para o movimento a situação fica muito difícil de assumir. Se por um lado avança na discussão da categoria profissional, por outro reproduz a violência sobre o gênero e as sexualidades. A “regulamentarização simbólica” é evidentemente uma estratégia de jogo político para poder construir aliados culturais contra os inimigos que se supõem mais pesados (políticos conservadores e policiais). Constroem-se alianças com os cidadãos liberais que podem tolerar a prostituição, mas não a vulgaridade e que conseguem entender que essas duas categorias não são sinônimos: os vizinhos, esposas que ficam menos assustadas, maridos que ficam menos expostos, movimentos trabalhistas e de mulheres. Mostram-se como profissionais não interessadas no sexo, nem na marginalidade, nem na subversão, mas só em oferecer um serviço qualquer e ganhar seu dinheiro. Não se enfrentam as razões do “estigma”, só algumas das suas formas mais grotescas. E é isso que faz com que essa estratégia seja uma faca de dois gumes. Que mesmo tendo bons resultados na luta política pela profissionalização e pelo reconhecimento de cidadania (em termos de não violência, de respeito, mobilização social e inclusão), alimenta-se a naturalização da sexualidade e dos padrões de gênero que fundamentam as emoções de ódio, controle e desprezo. Abraça-se a prostituta, cospe-se na puta 4 . Referências Bibliográficas CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano. 3. ed. Rio de Janeiro: Vozes, 1998. CORRÊA, Sonia. “Cruzando a linha vermelha: questões não resolvidas no debate sobre os direitos sexuais”. Horizontes antropológicos. Porto Alegre Vol. 12, n. 26 (jul./dez. 2006). CSORDAS, Thomas. “Embodiment as a paradigm for anthropology”. Ethos 18, 1990: 5-47. ______. “Introduction: the body as representation and being-in-the-world”. Csordas, T. (org). Embodiment and experience: the existencial ground of culture and self. New York: Cambrige University Press, 1994: 1-26. DOSSE, François. “Paul Ricoeur revoluciona a escrita da história”. Margem. Faculdade de Ciências Sociais – PUCSP. São Paulo. N° 5, dezembro de 1996. FONSECA, Claudia. “Familia y profesión : la doble carrera de la mujer prostituta”. La antropología brasileña contemporánea : contribuciones para un diálogo latinoamericano. Buenos Aires: Prometeo, 2003: 95-135. ______. “Ser mulher, mãe e pobre”. História das mulheres no Brasil. Del Priore, Mary (org). São Paulo: Editora Contexto, 2004: 510-553. 6

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