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Sujeitos do feminismo: políticas e teorias. ST 6 ... - Fazendo Gênero

Sujeitos do feminismo: políticas e teorias. ST 6 ... - Fazendo Gênero

mulheres aos recursos

mulheres aos recursos naturais e aos recursos tecnológicos e de conhecimentos, além das preocupações (pouco usuais) com os impactos dos problemas ambientais com a saúde das mulheres. Reconhece-se também como positivo o fato de adotar-se uma perspectiva de gênero em todas as discussões, que deslocavam o problema da questão “das mulheres” para uma visão focada nas relações sociais entre homens e mulheres, marcadas pela questão do poder. Da mesma forma, aceitou-se a afirmação sobre o papel das mulheres como participantes plenas das políticas de desenvolvimento, cabendo a garantia de espaços, inclusive, para que elas interferissem ativamente nas decisões sobre essas políticas. Outros temas permaneceram em disputa: qual o tipo de desenvolvimento preconizado (com distribuição de renda, apoiado em processos locais, voltado para atender prioritariamente às necessidades básicas da população?); o reconhecimento da conexão entre um novo paradigma que pensasse o desenvolvimento sustentável e a questão da igualdade de gênero (“não há desenvolvimento sustentável sem igualdade de gênero?”); a vinculação entre desenvolvimento e superação da pobreza, com justiça social; as críticas às políticas armamentistas e ao deslocamento forçado de populações; as críticas aos padrões de consumo dos países industrializados. Permaneceu ainda indefinida a forma de avaliação dos impactos das políticas sobre o acesso e controle das mulheres aos recursos ambientais. 3. O papel das mulheres na gestão ambiental: questões em aberto García (1999) afirma que as mulheres têm aparecido na discussão política do meio ambiente basicamente de três formas: como vítimas dos processos de degradação; como destruidoras do meio ambiente; ou ainda como “administradora privilegiada dos recursos”. Pode-se afirmar que, nos processos da Rio-92 e de Beijing-95, essas contradições também apareceram, e não há, ainda hoje, um discurso consensual entre os diferentes movimentos sobre a participação das mulheres nos processos de gestão ambiental. No entanto, claramente, ocorreu a constituição de um sujeito político: “mulheres”, com reivindicações, propostas, organizações próprias, visões de mundo, que não pode mais ser ignorado. Como é esse sujeito? Múltiplo, antes de mais nada. Pode ser reconhecido nos movimentos de mulheres rurais e urbanas, entre as indígenas, as quilombolas, as castanheiras, as mulheres atingidas por desastres ambientais, as consumidoras urbanas que se organizam contra os transgênicos ou contra os resíduos de agrotóxicos nos alimentos. A presença de movimentos de mulheres vinculados às lutas ambientais – ou o reconhecimento das questões levantadas pelas mulheres por parte dos movimentos mistos - é um fato. Como se constituem as suas agendas políticas? Se é verdade que tudo começou com o questionamento à sua ausência dos fóruns de discussão (como na Rio-92), muito se evoluiu desde então. Construíram-se pautas específicas, seja no nível local (sobre como os problemas ambientais

impactam a vida das mulheres) até as questões mais globais (de definição de modelos de desenvolvimento, das políticas internacionais, da relação com instituições de financiamento). Nesse processo, houve saltos também quanto ao aparecimento público das mulheres: elas são sujeitos econômicos, políticos, trabalhadoras, empreendedoras, cidadãs. Embora permaneçam diferentes posições entre ecologistas e feministas sobre as relações entre a humanidade e a natureza, tanto na análise dos sistemas opressivos causadores da crise ambiental e da exclusão social, quanto na forma de pensar um outro sistema de organização humana – ver, por exemplo, todo o debate existente sobre o ecofeminismo -, é possível identificar “pontes” entre esses movimentos, como é o caso da ecologia social e do ecofeminismo construtivista. O que une e o que separa as visões desses diferentes movimentos, são análises ainda a serem feitas. Referências CORRAL, Thais. De Miami ao Rio de Janeiro. In: CORRAL, Thais e OLIVEIRA, Rosiska. Planeta Fêmea. Rio de Janeiro: CIM, 1993. DE MOND, Nadia. Construindo espaços transnacionais a partir do feminismo. Estudos Feministas. Florianópolis, v.11, no.2, jul/dez 2003, p. 637-643. GARCÍA, Veronica Vazquez. Género, Medio ambiente y desarrollo sustentable: reflexiones teóricas y metodológicas. In: Garcia, V. V. Género, Sustentabilidad y Cambio Social en el México Rural. México: Colegio de Postgraduados, 1999. LE PRESTE, Philippe. Ecopolítica Internacional. São Paulo: Senac, 2000. NOBRE, Marcos; AMAZONAS, Mauricio. Desenvolvimento Sustentável: A institucionalização de um Conceito. Brasília e São Paulo: Edições IBAMA/CEBRAP, 2002. v. 1. 367 p. OLIVEIRA, Rosiska Darcy. Igualdade, Desenvolvimento e Paz. Estudos Feministas. Rio de Janeiro: v. 1, n. 1, jan/jun 1995, p. 203-211. RAMÍREZ, Hilda Salazar. Mujer y Medio Ambiente: acuerdos internacionales. In: Garcia, V. V. Género, Sustentabilidad y Cambio Social en el México Rural. México: Colegio de Postgraduados, 1999. SAFFIOTI, Heleieth I. B. Enfim, sós: o Brasil rumo à Pequim. Estudos Feministas. Rio de Janeiro: v. 1, n. 1, jan/jun 1995, p. 198-202. SILIPRANDI, Emma. Ecofeminismo: contribuições e limites para a abordagem de políticas ambientais. Agroecologia e Desenvolvimento Rural Sustentável, v.1, n.1, p.61 – 71, jan./mar. 2000. SOARES, Vera. O contraditório e ambíguo caminho para Beijing. Estudos Feministas. Rio de Janeiro: v. 1, n. 1, jan/jun 1995, p. 180- 190. VARGAS, Virginia. Una Mirada del proceso hacia Beijing. Estudos Feministas. Rio de Janeiro: v. 1, n. 1, jan/jun 1995, p. 172-179. 1 Eng. Agrônoma, Mestre em Sociologia, Doutoranda em Desenvolvimento Sustentável (UnB). Coordena o Projeto de Cooperação Técnica entre o Ministério do Desenvolvimento Agrário – MDA e a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação – FAO. E-mail: emmasili@uol.com.br 2 Estiveram presentes 178 países, oito mil delegados, dezenas de organizações internacionais, três mil representantes oficiais de organizações não governamentais, além de mais de mil organizações não governamentais na conferência paralela chamada Fórum Global (LE PRESTE, 2000: 201). Na plenária final, 103 chefes de Estado estiveram reunidos. 3 Estiveram presentes 189 países, e 2500 organizações não governamentais, entre os Fóruns Oficial e Paralelo. Foram publicados uma Declaração Oficial, uma Plataforma de Ação, os objetivos estratégicos, e medidas que deveriam ser adotadas até o ano 2000, por governos, instituições internacionais e movimentos sociais, para alcançar aqueles objetivos. 4 Sobre os processos de preparação dos movimentos feministas brasileiros e latino-americanos para a Conferência de Beijing, ver em especial Soares (1995), Vargas (1995), Oliveira (1995) e Saffioti (1995). 5 Para este item, usei como referência o artigo de Ramírez (1999), já citado.

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