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Entre o público e o privado: Interpretações sobre ... - Fazendo Gênero

Entre o público e o privado: Interpretações sobre ... - Fazendo Gênero

categorias: o sujeito

categorias: o sujeito abusador, sujeito vítima e a cena de abuso 1 . A análise leva em consideração a ação de movimentos sociais e a conseqüente luta pela garantia de direitos, fator que incide significativamente sobre a produção jornalística. No âmbito da infância, elenca-se algumas “oportunidades políticas”, conceito desenvolvido por McAdam et al (1996), para entender o surgimento, a atuação e a consolidação do movimento social inserido neste contexto. No ano seguinte à aprovação do ECA (1991) nasce uma organização que tem se empenhado em promover uma cultura jornalística que defenda os direitos da infância. A Andi, Agência de Notícias dos Direitos da Infância tem se constituído como “porta-voz”, (BOURDIEU, 2005) na “construção do problema social” 2 da infância no Brasil e América Latina. Formada por jornalistas e lideranças que contribuíram para a criação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a Andi criou um “repertório tático” (MCCARTHY, 1996), um modelo de ação e mobilização que hoje é reproduzido por outras 11 Agências de notícias no país (Rede Andi), para estimular que os meios de comunicação problematizem as violações sofridas por crianças e adolescentes, dentre estas o abuso sexual. Para fazer a análise das matérias em dois jornais do sul do país, parte-se do entendimento de Traquina (2001) que propõe tratar notícia como “estória”. O autor defende o conceito no intuito de distinguir notícia, de informação. A notícia – entende o pesquisador – é antes de tudo uma construção, não um relato, que pode produzir diferentes sentidos. Nesta perspectiva, a dissertação pretende responder a questionamentos de dois tipos: O que faz com que o abuso sexual saia do espaço privado e a partir da mídia, ganhe o contorno de um “problema social” da infância? O “enquadramento” é o de um tipo de violência doméstica? Ou seja, o abuso sexual é uma estória de violência intra-familiar que ocorre em todos os estratos sociais? Que estórias então as narrativas nos contam sobre o abusador, a vítima, e sobre a cena que cerca este drama? O segundo questionamento se relaciona à inserção da organização social Andi – compreendida como porta-voz do problema social da infância – nos dois meios de comunicação analisados. O objetivo é identificar elementos nos dois jornais que colaboram para que o discurso da Agência (especialmente o relacionado à temática do abuso sexual) tenha mais espaço para ser colocado “em prática”. Para responder a esta indagação trabalhamos com duas categorias: a visão da Andi sobre como os jornais pesquisados tratam o tema abuso sexual – utilizando indicadores tais como prêmios criados pela organização, posicionamento no ranking de qualidade, conteúdo das publicações – e a visão dos jornais pesquisados sobre a temática do abuso sexual abordada pela Andi. Já esta segunda categoria é estudada a partir das entrevistas feitas com os jornalistas dos dois jornais. Em síntese, o problema de pesquisa parte do pressuposto de que as notícias relacionadas a abuso sexual publicadas nos jornais produzem significado sobre este crime. E este significado tem 2

sido objeto de disputa de uma organização que pretende alinhar o discurso sobre o tema neste campo. Jornais Foram buscadas nos dois jornais, todas as inserções em que apareciam palavras relacionadas ao crime de abuso sexual, incluindo a própria expressão abuso sexual, relacionado a crianças (zero a 12 anos) ou adolescentes (12 a 18 anos incompletos). O levantamento prévio da literatura sobre o tema indicava que tal categoria envolvia crimes, tipificações criminais e conceitos descritos comumente como: abuso sexual, violência sexual, pedofilia, atentado violento ao pudor, incesto, molestar, violentar, estupro. A expressão exploração sexual, que também é um tipo de abuso, foi deixada propositadamente de lado. Isto porque a exploração sexual se refere a um tipo de violência sexual contra a criança e o adolescente visível no espaço público 3 , e o crime de abuso sexual 4 , ao contrário, no espaço privado. Análise das estórias No primeiro eixo, que investiga a construção de sentido do abuso sexual a partir das estórias construídas pelos jornais, o procedimento incluiu a separação das notícias em duas principais categorias: 1) As que trataram de um caso individualizado de abuso sexual, ou seja, em que as narrativas permitem a identificação do sujeito abusador, sujeito vítima, e cena de violência [“categorias referenciais” (BARDIN, 1976) quantificação das unidades, freqüência de elementos significativos (GRAWITZ, 1976)]. 2) As que trataram o abuso sexual de maneira mais conceitual ou transversal como fenômeno social “unidade de contexto” (BARDIN,1976). Algumas interpretações: discurso desloca a casa como espaço primeiro onde a violência ocorre Uma característica das notícias construídas pelos dois jornais é que o sujeito abusador é alguém que não tem relação de parentesco ou proximidade com a vítima. Apenas 8% das inserções jornalísticas na Zero Hora se referem a casos em que o abuso ocorreu com pai ou padrasto. Na Gazeta do Povo, o percentual de incesto é um pouco maior, 12%. A construção contrasta com o que as estatísticas revelam sobre o fenômeno do abuso sexual. No ano de 2007, nos casos em que o Ministério Público ofereceu denúncia relacionada a abuso sexual, exploração sexual e maus tratos, 3

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