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Entre o público e o privado: Interpretações sobre ... - Fazendo Gênero

Entre o público e o privado: Interpretações sobre ... - Fazendo Gênero

predominante. E quando a

predominante. E quando a abordagem é individualizada, os dois jornais – com algumas diferenças – enquadram o sujeito abusador como desconhecido da vítima, muitas vezes como um doente mental ou dependente de álcool e drogas. Ou seja, o abuso sexual parece não ter se constituído como categoria, apesar de seguir a problematização da sexualidade entre pessoas conhecidas ou mais frequentemente dentro da mesma família, como ocorreu primeiro com a violência contra a mulher, que no Brasil, virou sinônimo de violência doméstica. O abuso sexual de meninas e a exploração sexual infantil foram problematizados a partir das lutas feministas que se iniciaram nos anos 80, (GROSSI, 1994) tendo se tornado depois, um tema abrigado pelos movimentos de direitos das crianças. Os marcos legais foram conquistas destes movimentos, mas parece que hoje se faz necessário um passo adiante, como parece ter ocorrido com a exploração sexual infantil, o abuso que ocorre no espaço público. Para isso, para que a individualização dos casos possa produzir não apenas exposição, mas alento, alerta, talvez seja necessário que os jornais se posicionem mais claramente pelos direitos humanos, pelos direitos da infância. A prática do jornalismo cívico, que enxerga o jornalismo além da notícia, como ferramenta para transformação e formação do pensamento crítico no espaço público, pode ser uma alternativa. Mas a premissa talvez seja ainda anterior. Pensar que as crianças e adolescentes podem viver sem medo da violência sexual, como diz Correa (2001) é pré-requisito ao direito a ter direitos. Referências Bibliográficas ALMEIDA, Tânia Mara Campos de. Uma reflexão sobre a casa como lugar de violência inocente. In: SUAREZ, Mireya.; BANDEIRA, Lourdes (Org.) Violência, gênero e crime no Distrito Federal. Brasília, Paralelo 15: Editora Universidade de Brasília, 1999. ANDI. O grito dos Inocentes: os meios de comunicação e a violência sexual contra crianças e adolescentes. São Paulo: Cortez, 2003. BARDIN, Laurence. Análise de Conteúdo. Lisboa: Edições 70, 1977. BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005. CORRÊA, Sônia. Violência e os direitos humanos das mulheres – a ruptura dos anos 90. In: NOVAES, Regina (org.), Direitos Humanos Temas e Perspectivas. Rio de Janeiro: Mauad, 2001. pp 67-74. CROMBERG, Renata U. Cena Incestuosa: Abuso e Violência Sexual. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2001. GROSSI, Miriam Pillar. Novas/Velhas Violências contra a Mulher no Brasil. In: Revista Estudos Feministas. CIEC, Rio de Janeiro, pp 473.484, out/1994. LENOIR, Remi. Object Sociologique et Problème Social. In: CHAMPAGNE, Patrick et al. Initiation à la Pratique Sociologique. Paris: Dunod, 1989. MCADAM, Doug et al. Comparative perspectives on social movements: political opportunities, mobilizing structures, and cultural framings. Cambridge: Cambridge University Press, 1996. McCARTHY, John D. Constraints and opportunities in adopting, adapting, and inventing. In: MCADAM, Doug et al. Comparative perspectives on social movements: political opportunities, mobilizing structures, and cultural framings. Cambridge: Cambridge University Press, 1996. pp.141-151. 6

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