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Relações de gênero e geração em um assentamento rural de ...

Relações de gênero e geração em um assentamento rural de ...

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pela desqualificação de sua contribuição no trabalho agrícola, em muitos lugares representado pela categoria “ajuda”, atribuída também ao trabalho de jovens e crianças (BRUMER, 2004). Ainda, no que tange a herança, em muitos contextos rurais as jovens não são as herdeiras e não estabelecem um envolvimento e projeção futura relativa à agricultura. Assim, estou partindo da noção de gênero como conjunto de conceitos em uma sociedade sobre o que são as mulheres em relação aos homens, enquanto seres humanos sexualmente identificados, e que consistem em modos de classificação e identificação social que estruturam a sociedade, ou seja, a forma como a reprodução social é organizada (STOLKE, 2006). Ainda, é possível afirmar que o mesmo mecanismo opera com a noção de juventude, pois a juventude como categoria social construída sob uma concepção biológica do ciclo de vida, também possui significados que são relacionais e informam as relações de hierarquia, e o espaço social recortado pelas gerações (BOURDIEU, 1983). Dessa maneira, tratarei do lugar da juventude no assentamento pesquisado, especialmente das jovens mulheres. O assentamento Paz na Terra esta situado na região norte fluminense do estado do Rio de Janeiro, criado em 2005, e se encontra em processo de instalação, não houve os parcelamentos dos lotes ainda e a maior parte dos assentados vive em barracos de lona. 2. As jovens sem terra: entre a invisibilidade e a subordinação Os assentamentos rurais, como contextos de mudança social, espaços rurais em construção são, em sua maior parte, fruto de processos de mobilização social por meio de movimentos sociais e organizações sindicais, bem como da ação de diferentes atores, criados a partir de uma lógica de intervenção governamental sobre situações de conflito, conforme a visibilidade e gravidade dos mesmos (MEDEIROS e LEITE, 2004). Contudo, ao olhar para os assentamentos sob o prisma da reprodução social e dos recortes de gênero e geração, algumas questões e problemáticas têm sido colocadas, como a pouca participação de jovens e de mulheres nos assentamentos, sobretudo como beneficiárias titulares dos lotes. Ainda, o modelo de unidade familiar, centrado na família nuclear, adotado tanto pelos projetos governamentais como pela intervenção dos movimentos e organizações de trabalhadores rurais, que parece não contribuir muito para a maior visibilidade da juventude e das mulheres, ao reproduzir em grande medida as desigualdades entre os sexos. A dinâmica social em Paz na Terra é marcada por uma constante mobilidade, em muitos casos entre as localidades do entorno e a cidade de Campos dos Goytacazes, por motivo de estudo ou trabalho, mas também por redes de amizade, familiares que não foram rompidas com o ingresso na luta pela terra e no programa de reforma agrária. Essa circulação campo e cidade é característica dos assentamentos do estado do Rio de Janeiro (MEDEIROS e LEITE op.cit), criados próximos de centros urbanos e que compreendem uma população cujo perfil está muito longe de corresponder ao 2

agricultor familiar, pois muitos dos assentados nunca tiveram experiência com o trabalho agrícola além do trabalho no corte da cana de açúcar. A juventude transita por diversas esferas de sociabilidade e redes de relações como a escola, o futebol, os grupos religiosos, até mesmo outros acampamentos do MST, compreendendo o que Bailey (1971) chama de relações “multiplex”, redes de relações e interação que se cruzam, em uma intensa convivência que integra o assentamento, mas também a região do entorno. Entretanto, não participam das esferas e instâncias políticas do assentamento, restritas aos pais ou responsáveis pelos lotes. Contudo, a “invisibilidade” das moças no assentamento intrigou a pesquisadora, sobretudo frente à dificuldade em estabelecer maior contato com elas. Essa “primeira impressão” pode ser explicada por dois aspectos: a pouca presença de moças que residiam no assentamento, fato que era percebido pelos rapazes em suas queixam sobre a falta de meninas para namorar; bem como a menor circulação das jovens pelo assentamento, mais restritas ao universo doméstico. Portanto essa invisibilidade remetia às questões centrais nos estudos sobre os jovens rurais, tais como o controle sobre a circulação das moças, o peso autoridade paterna, a maior tendência das mesmas saírem do meio rural, bem como a conciliação entre estudo e emprego na cidade. O cotidiano das moças é marcado pela escola e pelo “serviço de casa”, cujas tarefas como buscar água, varrer, lavar roupas, lavar as louças, cozinhar, dentre outras, são divididas entre as mulheres de um mesmo lar. Até mesmo as mulheres (mais velhas) que trabalham fora do assentamento não estão dispensadas dessas tarefas. O trabalho na agricultura - ainda incipiente, pois os assentados não foram para os lotes - praticamente não conta com a participação de jovens, são poucos os que acompanham os pais nas roças, e não soube de nenhuma moça que o tenha feito. Entretanto, o mesmo não acontece com as mulheres mais velhas que participam em muitos casos do cuidado com a lavoura, embora em menor intensidade do que os homens. Há em Paz na Terra parcela significativa de mulheres que são “donas de casa” e mulheres que trabalham como domésticas em “casas de família” na cidade de Campos dos Goytacazes. Já para os rapazes as opções de emprego, embora limitadas, constituem-se o trabalho no corte da cana, ou mesmo um cargo dentro da estrutura hierárquica das usinas, como fiscal ou motorista, assim como o trabalho na construção civil, ou vigilante na cidade de Campos. E, embora alguns conciliem o trabalho com o estudo, o estudo parece estar dissociado da esfera profissional e, portanto, não é tido como prioridade para os rapazes, assim como para muitas moças também. Grande parte da juventude de Paz na Terra interrompeu os estudos antes de completar o ensino fundamental, apesar da ser apontada como importante espaço de sociabilidade juvenil em diversas pesquisas, bem como a escolarização ser muito valorizada pelos jovens rurais, conforme aponta a pesquisa nacional Retratos da Juventude Brasileira (CARNEIRO, 2005). Além o 3

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