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Brasileiras no mercado de trabalho na áre ... - Fazendo Gênero

Brasileiras no mercado de trabalho na áre ... - Fazendo Gênero

Somente a partir dos

Somente a partir dos anos de 1960-1970, a questão do gênero, foi impulsionado com a revitalização dos estudos étnicos e o desenvolvimento dos estudos feministas. Novas questões e problemáticas foram colocados para se compreender melhor os fluxos migratórios. A partir de então os estudos de imigração adotaram e incorporaram a perspectiva do gênero e as diferenças entre homens e mulheres migrantes começam a ser analisadas. (Assis, 2003) Recentemente vários estudos abordam a importância cada vez maior da participação feminina no processo transmigratório, pois cada vez mais elas têm ocupado a cabeça do agregado familiar e tornam-se participantes ativas das redes sociais,em muitos casos elas iniciam o processo migratório, articulando as redes sociais (Castles, 2005). Desta forma a migração dentro das redes sociais é vista não como uma decisão racional de um ator social, mas uma estratégia de grupos familiares, de amizade ou vizinhança em que as mulheres se inserem ativamente. “ Eu cheguei primeiro, depois trouxe a minha irmã e a minha filha. Estou querendo trazer o meu filho que vive com o pai dele no Brasil.” (Maria Aparecida, 35 anos). Se inicialmente a força impulsionadora da imigração era a estrutural, atualmente a força pertence as redes sociais que continuam e mantêm o fluxo migratório. Elas não estão isentas de fatores como o gênero, a classe social, o grau de parentesco e até mesmo a geração (Assis, 2003). Numa sociedade como a brasileira, com forte tradição familiar e machista as redes sociais demonstram essas diferenças, bem como os diferentes graus de adaptação ao mercado de trabalho, diferentes setores e formas de organização e em muitos casos formando nichos. Normalmente os migrantes continuam o caminho iniciado pelos “pioneiros” (Castles, 2005), onde a rede assente em laços familiares ou de conterraneidade facilita o sucesso ou fracasso de quem chega depois e a continuidade das redes sociais, onde os transmigrantes se apoiam para minimizar os riscos presentes na migração de longa distância (Assis, 2003). Fatores de atração e repulsão, isoladamente não explicam a nova corrente migratória, pois a decisão de migrar não pode ser vista como produto de um cálculo racional. No caso das migrações de longa distância, o estabelecimento de redes no local de destino favorece o migrante (Assis, 2003). Desta forma o capital social 1 é importante para as imigrantes brasileiras na Área Metropolitana de Lisboa (Portugal). Na migração feminina brasileira à Área Metropolitana de Lisboa (AML),um nicho ocupacional tem se formado. Muitas vezes auxiliado pelas redes sociais o que faz com que muitas mulheres acabem indo trabalhar como domésticas ou internas. Outro fator que as leva a trabalharem 1 Segundo Portes (1999: p.16), capital social é a capacidade dos indivíduos para mobilizar recursos escassos em virtude da sua pertença ou as estruturas sociais mais amplas. Estes recursos podem incluir bens econômicos tangíveis, como descontos e empréstimos sem juros, ou intangíveis, como informação sobre negócios, dicas de emprego e “boa vontade” generalizada nas transações de mercado. Os recursos em si não (grifo do autor) são capitais sociais; o conceito refere-se antes a capacidade (grifo do autor) do indivíduo para os mobilizar quando necessita. 2

neste segmento é a possibilidade de passarem desapercebida pela polícia da imigração, uma vez que grande maioria encontra-se indocumentada. As mulheres que trabalham como internas, mesmo com os poucos contatos iniciais formado apenas por sua rede social, arrumam tempo para poderem se encontrar e trocar informações importantes entre si, como arrumar trabalho ou locais para sair, se divertir. Os locais para o reforço dos contatos sociais são geralmente os cafés, afinal, muitas migrantes não participam de nenhuma associação ou igreja, por causa dos horários de trabalho e esse contato é extremamente importante para a continuidade ou ampliação dos laços e redes sociais. As redes sociais possuem uma dupla face nas experiências e percepções das mulheres migrantes: podem ajudar e dar apoio, mas podem também ser instrumento de pressão, discórdias, conflitos e isolamento, revelando a ambigüidade dessas relações, mesmo entre laços de parentesco e que envolve a própria dinâmica da migração (Sasaki e Assis, 2000). Verificamos portanto que as experiências não são homogêneas, pois há mulheres que vêem positivamente os contatos nas redes sociais, enquanto outras não. “Eu divido o apartamento com meu irmão e minha cunhada. Mas ultimamente ela tem criado atritos entre meu irmão e eu. Esses dias discutimos e deixei de falar com ela e com ele. Morar todo mundo junto não dá. Quero ver se mudo de lá, por causa dela, mas quem sofre mais é meu irmão e minha mãe que está no Brasil.” (Maria Bernadete, 24 anos) As mulheres que trabalham como internas têm maior dificuldades de ampliação das redes sociais em virtude do exercício de sua atividade que exige dedicação em tempo quase integral. As condições e o ambiente de trabalho levam-nas a serem muitas vezes desrespeitadas, molestadas ou agredidas. A necessidade de ganhar dinheiro suficiente para financiar estudos de filhos, uma casa ou mesmo quitar dívidas deixadas no Brasil é mais forte e a experiência migratória torna-se uma saída ou alternativa viável. Para tanto as transmigrantes muitas vezes recorrem ao apoio familiar ou de amigos para iniciarem o empreendimento migratório, usufruindo das redes sociais. “Quando saí do Brasil trabalhava como doméstica. Recebia um salário mínimo e morava com meus filhos. Recebi um convite de um casal amigo que já vivia em Portugal. Juntei um pouco de dinheiro, peguei emprestado também com amigos e familiares. Vim sozinha e com muitas dívidas. Já paguei a dívida e trouxe minha filha, já investi no Brasil e ainda envio dinheiro quase todo mês pra minha família no Brasil”. (Maria Aparecida, 35 anos) A denominada migração de origem econômica não é o único motivo para migrar. Outros fatores são apontados pelas mulheres para avançarem em seus projetos migratórios, como: relacionamentos desfeitos, sociedade machista e patriarcal, conflitos familiares, desejo de conhecer nova cultura e novas pessoas dentre outros (Assis, 2003, Hellerman, 2005). “Vivia numa cidade pequena no interior do Brasil. Cansada daquela vida, com o casamento desfeito e morando com meus pais, vivia num constante conflito familiar. Trouxe a minha sobrinha para a mãe dela. Pouco tempo depois a minha 3

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