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Brasileiras no mercado de trabalho na áre ... - Fazendo Gênero

Brasileiras no mercado de trabalho na áre ... - Fazendo Gênero

irmã conseguiu um

irmã conseguiu um emprego pra mim e acabei ficando por aqui." (Maria Cecília, 33 anos). Dentro das redes sociais a solidariedade ou empatia étnica (Padilla, 2005) que as transmigrantes constroem, criam ou ampliam é fundamental para o auxílio e fortalecimento em momentos difíceis. Em várias momentos as mulheres privam-se de pequenos prazeres, como uma simples xícara de café, vivendo com o mínimo para poderem enviar dinheiro a família que ficou no Brasil. Vivendo com o mínimo possível, negando a si próprias muitas vezes, prazeres pequenos como uma simples xícara de café, uma situação já citada por Hellerman 2005, em seu trabalho sobre as transmigrantes do “Leste”. Trabalhar como interna traz compensações financeiras, porém limita o contato social com as redes e dificulta muito no início a adaptação e ampliação das mesmas, mas com o passar do tempo essas relações se solidificam e ampliam. Inicialmente a rede social feminina fica estática ou mesmo se retrai por causa do seu trabalho de interna, que muitas vezes influencia as oportunidades de emprego, de permanência, bem como o percentual de legalização (Padilla, 2005). Mas através da empatia étnica vão sendo ampliadas. “Quando cheguei a convite de um casal de amigos, fui trabalhar numa casa de família como interna. Foi difícil, pois não conhecia ninguém no início, não falava com ninguém e não saia. Somente falava com o casal amigo, mas depois fui conhecendo mais gente e hoje quando saio de folga, aproveito pra encontrar a ‘galera’ e fazer novas amizades, até já consegui um namorado”. (Maria Denise. 44 anos) As transmigrantes destinam-se trabalhos precários e intáveis em que os nacionais não querem ou acreditam ser de menor prestígio social ou econômico. Inúmeras são as dificuldades como: obter contrato de trabalho, problemas com o empregador, salários não pagos, trabalhos perigosos, horas extraordinárias não pagas, falta de segurança dentre outros são fatores comuns a homens e mulheres (Hellermann, 2005). Porém, a mulher enfrenta outros problemas como relatou uma das entrevistadas: “Certo dia eu pensei estar sozinha no trabalho (casa dos patrões) onde eu fazia a faxina, de repente ouvi alguém correr em minha direção. Era o marido da minha patroa que chegou por trás de mim e me agarrou, não quis me largar e comecei a gritar. Aí ele soltou e nunca mais voltei áquela casa. Nem pra receber os dias que eu havia trabalhado” (Maria Cecília, 33 anos) Há muitos relatos de assédio ou abuso no local de trabalho (casas ou apartamentos) onde sofrem também violência física e ameaças, o trabalho como empregadas domésticas ou internas deixa-as vulneráveis a tais atos. Na falta de escolaridade, não fazer parte de uma rede social, pode dificultar a inserção no mercado de trabalho, mesmo para quem vai trabalhar como empregada doméstica ou interna. A 4

faixa etária das transmigrantes da área de serviços que encontramos na AML foi desde os 20 anos até mais de 40 anos, com a mais variada escolaridade. Desde quem não havia terminado o primeiro grau, até qeu já tinha uma pós-graduação. Encontramos profissionais que no Brasil foram: professora, jornalista, advogada, sofrendo uma mobilidade social para baixo (downward mobility), mas que conseguiram algum trabalho utilizando de redes sociais que fizeram na chegada. “Eu era professora efetiva no Brasil, mas por motivos pessoais, estava saindo de uma relação de 16 anos com meu ex-marido, resolvi mudar minha vida”. Peguei minhas economias, meus filhos (2) e vim com minha irmã. Trabalho atualmente na casa de uma família quem me foi indicada por uma amiga daqui que estava voltando ao Brasil e me indicou o serviço. Estou gostando, apesar do cansado e ainda consegui voltar a estudar. Apesar das dificuldades estou conseguindo levar a vida aqui. (Maria Eduarda, 39 anos) As relações familiares entre as mulheres é muito importantes para o projecto migratório. Desde a partida, a chegada, a manutenção, o apoio financeiro e emocional que muitas vezes contribuem para a permanência no país receptor. Alguns relatos mostram que nem sempre compensa financeiramente, afinal o lado afetivo familiar muitas vezes é deixado de lado na migração. A ausência familiar pode levar a um certo distanciamento afetivo dos filhos. Encontramos relatos de casais que se separaram ou de filhos que não se lembram mais das mães e acabam adotando tias ou avós como mães: “ Cheguei com meu marido em Portugal e deixamos nosso filho no Brasil. Nossos horários aqui eram desencontrados e acabamos por nos separar. Ele resolveu mudar de Portugal para a Espanha.. Mas a minha maior tristeza foi quando retornei ao Brasil. Após 3 anos a viver em Portugal, meu filho não me reconheceu. Ele demorou pra me chamar de mãe novamente. Consegui trazer ele comigo e como divido um apartamento com minha irmã a gente se revesa nos cuidados com ele. Aqui e onde a mãe chora e o filho não vê” (Maria Fernanda, 26 anos) No processo migratório muitos se separam ou se juntam mais (Assis, 2003) “ Meu casamento estava desestrutado no Brasil. Estava quase me separando. Mas ao chegar aqui meu marido mudou e me ajuda muito em casa. Se não fosse por causa dele eu já tinha retornado ao Brasil. Vejo que aqui estamos mais unidos e trabalhos com um objetivo comum. “ ( Maria das Graças, 32 anos) A decisão de migrar nem sempre é uma aventura no desconhecido. Através das redes sociais as migrações de longa distância tem sido cada vez mais um local de reunião familiar fora do país emissor. Essas redes tem no papel feminino uma importância cada vez maior, sendo que muitas mulheres são a cabeça do agregado familiar e as que migram primeiro. Pode-se verificar que não é somente o fator econômico que contribui para a migração, pois verificamos outros fatores responsáveis pela migração, fatores estes de ordem subjetiva. O desenvolvimento das novas tecnologias facilita o contato e a transmissão de informações aos parentes e amigos na outra ponta da rede social. A internet, o telefone e o transporte aéreo não 5

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