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Performance e etnoestética: a montagem como ritual ou como ...

Performance e etnoestética: a montagem como ritual ou como ...

elacionados ao

elacionados ao “domínio” da feminilidade. Porém, essa escolha não se dá de forma regular: há drags que escolhem seus próprios nomes outras são “batizadas” por amigo(a)s com a marca de algum produto ou com o nome de alguma personagem do cinema, do teatro ou da televisão. Contudo, a escolha do nome drag constitui uma das primeiras etapas da iniciação do neófito nas “artes” da montagem. Essa iniciação ocorre sempre que algum agente procura uma drag experiente nas técnicas referentes ao ato de “montar” para que esta o ensine a “montar” e utilizar um corpo. Quando isso acontece é comum que a drag preceptora torne-se mãe da pessoa iniciada se esta assim quiser.Uma vez que esse parentesco social-afetivo foi estabelecido, a filha recebe o sobrenome drag da mãe de montagem. Para tornar ilustrativo esse fato, vejamos o depoimento abaixo: Meu nome de drag é Iasmy D’Windson. Eu fui iniciada pela Nadege D’Windson. Que é minha mãe de montagem. O Windson é por causa da família real britânica. A minha mãe achou interessante ter esse sobrenome. Ela não foi iniciada por ninguém na montagem. Aí ela mesma decidiu qual seria seu nome e sobrenome. Mas como eu fui iniciada por ela e quis ser sua filha consegui seu sobrenome, o Windson. Iasmyn como filha de Nadege D’Windson mesmo que um dia inicie alguém na montagem jamais poderá ser considerada mãe e assim (re)passar seu sobrenome a pessoa iniciada. Iasmy para ser mãe terá que renegar o sobrenome Windson e criar outro, que seja inédito entre as famílias drags locais. É de praxes as personagens drags quando carregam o sobrenome da mãe nunca se tornarem matriarcas. No entanto, uma matriarca pode ter tantas filhas puder sendo que estas se reconhecem entre si como irmãs. As famílias drags demonstram a iniciação na montagem também como rito de agregação – o sobrenome drag indica de que família você vem. Mas como Gennep (1977) nos alerta, os ritos de agregação são também de exclusão. Segundo o autor se você é de um grupo, clã, casta, família, etc, logo significa que você não pertence a outro e que seus valores, sentimentos e ações podem ter e no mais das vezes têm características próprias. É corriqueiro as famílias drags possuírem uma série de regras de conduta singular, quase sempre impostas pela matriarca de cada grupo. Lembro aqui da família Killer: Na minha família é o seguinte: quando há algum concurso ou disputa de drags apenas uma filha minha ou eu participa como concorrente ao título. Em outro evento aí vai outra Killer na disputa. A lei entre as Killers é que todas nós decidimos em comum qual Killer vai participar ou não em tal concurso. Depois que sabemos quem será a Killer num concurso as outras Killers ajudam a escolhida na sua produção para o evento. Uma Killer nunca disputa com outra Killer. E quando uma 2

Killer ganha é como se todas as Killers ganhassem. O sentimento de vitória é um só. O trecho destacado acima parte de Roberta, matriarca da família Killer. O mesmo revela uma característica das Killers frente às disputas entre drags a qual dificilmente verifiquei em outras famílias. Em suma, poderia contar alhures acerca de particularidades dessa família e de outras com as quais tive oportunidade de dialogar durante o trabalho de campo .Mas, agora passarei a descrição de uma etapa central da iniciação na montagem, o manuseio dos objetos para construção do corpo montado. 2.Como montar um corpo drag Existem três modalidades de montagem drag. A primeira é a amapô 2 , que corresponde à construção de um corpo grotesco com preponderância de símbolos femininos sobre os demais. Nessa modalidade de montagem, há um humor negro de deboche, sarcasmo, ao feminino ao mesmo tempo em que mostra uma preocupação em ostentar glamour através do uso de objetos de luxo. A segunda constitui a caricata, uma espécie de montagem muito bizarra que lembra a figura feminina do palhaço. Aqui há a presença de um humor descontraído, de um riso solto e contagiante. A terceira trata-se da andrógena, que imiscui os mais variados símbolos possíveis, em especial os do mundo animal como garras, rabos, chifres, etc. Esta última qualidade de montagem transborda em surrealismo estético. Haja vista que, o iniciante na montagem drag têm três opções de como quer aprender a “se montar” ele pode escolher a aprendizagem por um estilo ou por dois ou mesmo por todos, que é o que realmente mais acontece nesse tipo de iniciação. E como “cada ritual tem sua própria maneira de interrelacionar os símbolos”(TURNER,2005: ,tradução minha) no último caso o neófito acaba por passar, na verdade, em três ritos menores (as aprendizagens nas três modalidades de montagem drag) que compõe um ritual maior de iniciação. Passemos a ver de perto a manipulação dos símbolos em cada um desses ritos. 2.1.Montagem amapô Antes de mais nada, vale informar que nenhum corpo oriundo de qualquer estilo de montagem drag é estritamente igual a outro. Dentro de cada estilo há um grande espaço de liberdade para a escolha da aparência do corpo que se quer manufaturar. E o que tenho em mente ao propor ver de perto cada forma dessa manufatura consiste em mais do que revelar os significados que as drags atribuem aos símbolos que elas utilizam na construção de si mesmas. Afinal: 3

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