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O que os alunos pensam sobre questões de ... - Fazendo Gênero

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os corpos ganham sentido socialmente e a inscrição dos gêneros – feminino ou masculino – nos corpos é feita, sempre, no contexto de uma determinada cultura e, portanto, com as marcas dessa cultura. As possibilidades da sexualidade – das formas de expressar os desejos e prazeres – também são sempre socialmente estabelecidas e codificadas. As identidades de gênero e sexuais são, portanto, compostas e definidas por relações sociais, elas são moldadas pelas redes de poder de uma sociedade”. Também Lucena Dall’ Alba, afirma que as identidades sexuais e de gênero são socialmente construídas implica pensar que elas não são “naturalmente” dadas, nem essenciais. Diferentes culturas constituem, de maneiras diversas, o sentido das práticas sexuais e de gênero assim como os sujeitos e seus lugares sociais. Para a mesma autora, gênero e sexualidade são alguns marcadores identitários que vão se inscrevendo em nossos corpos ao longo dos processos educativos que vivemos na família, na escola e outros grupos de convivência. No interior destes espaços educativos imposições culturais vão produzindo corpos adequados aos critérios higiênicos, morais e estéticos vigentes. Feitas essas explicações necessárias, passamos ao segundo ponto, que é tentar entender por que é importante trabalhar com essas questões em sala de aula. Primeiro, a sala de aula e a escola são os espaços privilegiados de transmissão dessas idéias que delimitam os papéis de homens e mulheres. A começar pelos nossos livros e cartilhas. São neles que muitas vezes aprendemos, nas primeiras séries, que meninos brincam com carrinhos e meninas com bonecas. Nas figuras e imagens as meninas são, geralmente, representadas como mais frágeis que os meninos. E nos livros didáticos de história, durante muito tempo, foi possível contar nos dedos das mãos o número de vezes em que as mulheres apareciam, e quando isso ocorria, era sempre como um acontecimento à parte, uma curiosidade, e hoje em dia não é muito diferente. Como salienta a pesquisadora Guacira Lopes Louro, “a sala de aula e a escola são os espaços de construção das diferenças”. (LOURO, 1999). Com relação às questões de gênero, vale afirmar que estas preocupações aparecem de forma muito contundentes nos Temas Transversais dos PCNs. Nele indica-se que estas deverão ser trabalhadas nas disciplinas de Educação Física e de História. Os papéis femininos e masculinos deveriam ser mostrados como construções sociais: “A discussão sobre as relações de gênero tem como objetivo combater relações autoritárias, questionar a rigidez dos padrões de conduta estabelecidos para homens e mulheres e apontar para sua transformação”. Igualmente, enfatiza-se a urgência de se apontar as flexibilizações dos padrões, visando permitir a expressão de potencialidades em cada ser humano que podem ser dificultadas pelos 2

estereótipos de gênero. Lembra-se como exemplo comum a repressão das expressões de sensibilidade, intuição e meiguice nos meninos ou de objetividade e agressividade nas meninas. Assim, para os PCNs, as diferenças devem ser vistas de modo a desconstruir os padrões estabelecidos, ou seja, podem e devem ser vividas a partir da singularidade de cada um, apontando para a eqüidade entre os sexos. Entende-se a relevância de se trabalhar as diferenças sexistas no espaço escolar, se levarmos em conta, como observa Guacira Lopes Louro, que a escola é um dos lugares onde se delimita espaços. Servindo-se de símbolos e códigos, a escola afirma o que cada um pode, ou não pode fazer, ela separa e institui. Para a autora: “(...) Através de seus quadros, crucifixos, santas ou esculturas, aponta aqueles/as que deverão ser modelos e permite, também, que os sujeitos se reconheçam (ou não) nesses modelos. O prédio escolar informa a todos/as a sua razão de existir. Suas marcas, seus símbolos e arranjos arquitetônicos “fazem sentido”, instituem múltiplos sentidos, constituem distintos sujeitos (...)”. (LOURO, 1997: 58). É no âmbito das relações sociais que se constroem os gêneros e as concepções de gênero diferem em determinados momentos históricos, sociedades e, mesmo no interior de uma dada sociedade, ao se considerar os diversos grupos que a compõem. Neste sentido, devemos levar em conta o que Joan Scott afirma que: “gênero é um elemento constitutivo de relações sociais fundadas sobre as diferenças percebidas entre os sexos, e o gênero é uma forma primária de dar significado às relações de poder”. Assim, podemos pensa como a escola e pode contribuir na construção dos gêneros e das diferenças quando esta institui gestos, condutas e posturas apropriadas a cada um/uma. Através de um longo aprendizado cada um vai sendo colocado em seu lugar: menino/menina; aluno/aluna; professor/professora, entre outras tantas posições de sujeito. Desta forma, concordamos com Rodrigo Tramutuolo Navarro quando afirma que uma leitura da realidade escolar indica que a instituição escolar se encontra num momento de crise. Interpretando a escola a partir da ótica de Foucault, enquanto uma instituição de disciplina e de controle, Navarro considera que, atualmente, esta não parece dar conta da realidade existente. A instituição disciplinar escola, constituída a partir de métodos e práticas normalizadoras, normatizadoras e homogeneizantes, parece insuficiente para atender às demandas da dinâmica social que temos hoje. Percebe-se, de forma muito explícita, a queixa por parte de professores/as acerca da indisciplina de alunos/as, assim como também, questionam os métodos de ensino, de avaliação, além de questões que dizem respeito ao universo das políticas educacionais, como o binômio inclusão/exclusão. Todos esses argumentos, muitas vezes de forma silenciosa, convivem com 3

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