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O “eu - Fazendo Gênero - UFSC

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jornalísticos e

jornalísticos e políticos criados por mecanismos automáticos e alimentados também dessa forma 4 . Contudo, é impossível falar sobre blog sem falar de como surgiu o novo sistema eletrônico de comunicação caracterizado pelo seu alcance global, integração de todos os meios de comunicação e interatividade potencial que está mudando e mudará para sempre a nossa cultura: a Internet. Nas palavras do sociólogo Manuel Castells - cujo estudo está sistematizado na trilogia A era da informação: economia, sociedade e cultura, “a criação e o desenvolvimento da Internet nas últimas três décadas do século XX foram conseqüência de uma fusão singular de estratégia militar, grande cooperação científica, iniciativa tecnológica e inovação contracultural” (CASTELLS, 2000, p. 83). O cenário de formação e difusão da Internet e da Comunicação Mediada por Computador (CMC) moldando de forma definitiva a estrutura das comunicações humanas e cultura de seus usuários formou o berço propício para o surgimento dos blogs. 3 - Do diário ao blog Assim como no uso da Internet, os pioneiros na prática do blog foram os estadudinenses. Aliás, não há como ignorar um determinado viés. Em conferência recente, Alain Rouquié, embaixador da França no Brasil, apresentou um quadro sobre a presença das línguas latinas na Internet 5 , no qual uma dicotomia fez-se evidente. Enquanto os países de língua latina representam uma população de oitocentos milhões de pessoas (13% da população mundial), os países que falam a língua inglesa representam seiscentos e trinta milhões de pessoas (10% da população mundial). No entanto, um estudo feito pela Agência da Francofonia e pela União Latina revela que a presença do inglês na Internet é de 75%, do francês é de 2,81%, do espanhol é de 2,53%, do italiano é de 1,50% e do português é de apenas 0,82%. Isto explicaria então, porque os estudos acerca da Internet e suas interfaces estão muito mais desenvolvidos na língua inglesa e praticamente inexistem em língua portuguesa brasileira. Por outro lado, acreditamos que essa seja uma realidade que deverá mudar nos próximos anos, devido ao recente aumento no número de horas navegadas na Internet e ao crescimento na produção de blogs no Brasil. Uma pesquisa realizada pelo Ibope/NetRatings 6 revelou que em maio de 2005 o Brasil passou à frente de Estados 2

Unidos, França e Japão em horas de navegação por mês (16h55), conforme matéria da Revista Meio e Mensagem. A mesma matéria afirma que, de acordo com a apuração do National Institute for Tecnology and Liberal Education (Nitle), que classifica os blogs de acordo com o idioma, a língua portuguesa ficou em terceiro lugar em quantidade de blogs do mundo com a marca de 81.077 blogs. Voltando aos pioneiros e J.C. Silvério e Justin Hall, constatamos que o blog serviu para eles como uma espécie de confessionário onde discorriam tudo sobre suas vidas. J. C. Silvério 7 , uma web design e programadora de Web TV, começou a escrever o diário chamado Ceej’s Black Book em 1994, aos 30 anos. “Decidi escrever meu diário porque eu queria tocar outras pessoas diretamente, intimamente. Porque estou fascinada pela idéia de deixar que outras pessoas saibam o que se passa em minha mente”. Já Justin Hall 8 , que estreou como escritor de diários íntimos na Rede em janeiro de 1994, aos 21 anos de idade, quando era estudante da Faculdade Swarthmore, no Estado americano da Pensilvânia; declarou que um dos motivos que o levaram a escrever um diário on-line foi a necessidade de partilhar suas experiências: “Porque nós estamos sozinhos. Nós necessitamos de mais amigos ou ouvidos simpáticos, pessoas que possam ouvir nossas estórias e falar-nos as suas próprias. Ou nos dizer onde elas foram mudadas. Nós gostamos de ler as estórias de outras pessoas porque elas nos ajudam a afirmar a nós mesmos. Fora dali nos não estamos sozinhos (…) colocar nossas vidas on-line não significa conduzir nossas vidas on-line, mas utilizar um veículo de partilha sem precedentes. Nós interagimos no mundo real e usamos o ciberespaço para colaborar, dividir e conjurar nossas possibilidades”. (LEMOS, PALÁCIOS, 2001, p.235) Temos assim a transição objetiva das escritas do “eu”, com seus segredos e intimidades que antes eram reservadas às páginas de um confidencial “diário”, para o diário virtual, percorrendo o mundo nas páginas da Web. Os blogs passaram a ocupar o lugar do antigo diário íntimo para milhares de pessoas que optam por tornar públicos muitos aspectos de suas vidas, suas experiências, memórias e opiniões. Essa passagem do antigo diário de um “eu” reservado e misterioso às confissões públicas do diário virtual de hoje, 3

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