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O “eu - Fazendo Gênero - UFSC

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foi empreendida por

foi empreendida por homens e mulheres de diferentes idades que, deixando de lado escrúpulos e quiçá, falsos moralismos, revelam a vontade de ter uma “platéia” para “ver”, “ouvir”, “aplaudir”, concordar e discordar de suas idéias, opiniões, atitudes, experiências e julgamentos. Mas, o que leva essas pessoas a optarem por tornar públicas as suas experiências, inclusive, as mais íntimas? Elas podem estar se perguntando que importância tem viver e escrever sobre o passar de seus dias e noites sem que haja um interlocutor para isso? Ora, a razão para a explosão de escritas pessoais e íntimas na Internet pode residir no desejo imanente do sujeito 9 de ser lembrado, de ver a singularidade de sua trajetória inscrita na história. No percurso de construção da identidade ao longo do ato da escrita, o blog dá ao sujeito a oportunidade de empenhar-se no projeto de uma vida diferente, com maior notoriedade e sentido, aumentando assim suas possibilidades de, quando deixar de existir, ser lembrado por um número maior de pessoas, ao mesmo tempo em que, no transcorrer de seus dias, ele pode voltar aos seus escritos e reavivar a memória. O diário virtual permite ao sujeito rebobinar o filme da vida, operar flashbacks ou cortes abruptos em certas seqüências, focalizar ou aplicar zoom sobre determinado detalhe, evocar uma cena em câmera lenta ou realizar uma decupagem cuidadosa, fazer um travelling numa paisagem ou num cenário em particular, fazer um close-up sobre um rosto específico, repassar uma seqüência inteira do próprio passado, de maneira linear e pormenorizada, priorizar a trilha sonora de um determinado episódio ou editar a montagem de diversos eventos como se fosse um vídeo-clipe. Tal como em A ordem do discurso, Foucault 10 se refere à emissão de uma mensagem, nesse novo suporte, as narrativas do eu repousam em suspensão na rede mundial de computadores, num permanente estado de vir-a-ser, podendo o/a blogueiro/a receber a influência do leitor na sua experiência, a cada novo comentário postado. Sua identidade, então, pode ser alterada, interseccionada, refeita. Como ser inacabado que é o sujeito-blogueiro se recria e constrói sua identidade a todo instante, a cada nova escritura em seu blog, confirmando a tese de Judith Butler 11 de que “identidade” é um efeito de práticas discursivas. Ao se recriar através da linguagem, pode eleger as facetas confessionais – heróicas, trágicas, engraçadas, engajadas, 4

omanescas - que mobilizem a atenção ou a emoção do/a leitor/a e permitam a interatividade. Algumas narrativas, então, se revestem de um valor heróico, transcendente, cujos anseios de glória, de posteridade parecem evidentes. À medida que o/a blogueiro/a pode voltar aos seus escritos e refazê-los a cada dia, a cada hora, a cada minuto, o blog permite-lhe um outro cotidiano, de caráter aberto, inacabado, cambiante no processo vivencial, tal como sua subjetividade, como explica Leonor Arfuch 12 : ““(...) la concepción de sujeto, y correlativamente, de identidad, que guía mi indagación: la de un sujeto no esencial, constitutivamente incompleto y por lo tanto abierto a identificaciones múltiples, en tensión hacia lo otro, lo diferente, a través de posicionamientos contingentes que es llamado a ocupar – en este “ser llamado” opera tanto el deseo como las determinaciones de lo social -, sujeto susceptible sin embargo de autocreación. En esta óptica, la dimensión simbólico/narrativa aparece a su vez como constituyente: más que un simple devenir de los relatos, una necesidad de subjetivación e identificación, una búsqueda consecuente de aquellootro que permita articular, aun temporariamente, una imagem de autorreconociemient.” (2002, p. 64) Nessa busca do autorreconhecimento de que fala Arfuch, o/a blogueiro/a deixa-se tocar pelos comentários postados, e, talvez assim impregnar-se do outro e de sua experiência, ou, até mais do que isso, ao ler o que o outro escreve, saber sobre si mesmo. Para muitos/as blogueiros/as essa tecitura é uma imersão numa outra realidade, e o blog transforma-se então numa janela aberta e generosa que dá vazão aos ímpetos de criatividade e acesso à ficção. Nesse caso, a narrativa passa a ser uma mistura de vida real com o que o/a narrador/a gostaria que fosse. Como sustenta Nara Araújo 13 , as escritas de si como a autobiografia não estão isentas de certa dose, não declarada, de ficcionalização da experiência vivida, ao passo que De Man 14 defende que os fantasmas e sonhos do autor/protagonista são desvios da realidade que, no entanto, permanecem ancorados no sujeito. Para a autora, esses fantasmas e sonhos de que fala De Man, modelam a experiência, a autoconstrução do sujeito-narrador-personagem, e, essa construção é a própria ficção. 5

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