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GÊNERO, MASCULINIDADE E DOCÊNCIA: - Fazendo Gênero

GÊNERO, MASCULINIDADE E DOCÊNCIA: - Fazendo Gênero

práticas do cuidado, da

práticas do cuidado, da nutrição, da higiene, do controle maternal das crianças. Na escola, a docência nas séries iniciais espelharia, pois, como um seu duplo, o trabalho “natural” que as mulheres já realizavam em casa. Entretanto, a oposição público (masculino) e privado (feminino) não dá conta da complexidade e das imbricações entre esses espaços como palcos de exercícios de práticas pedagógicas e de poder, tanto de mulheres, quanto de homens. Nesse sentido, as configurações teóricas construídas a partir dessas oposições muito rígidas impedem de se perceberem outras nuances. Pretendo analisar o “como” da generificação concretizada no processo formativo do professor, buscando segundo sugestão de Marília Pinto de Carvalho (1998), explicá-la para além da feminização, na tentativa de não deixar de lado todo um processo de profundas transformações nos significados sociais atribuídos à docência nas séries iniciais, processo que acompanhou paralelamente a mudança de seu perfil demográfico de sexo, sem que se possa falar, sem simplificações, em causas e efeitos. No texto referencial para as/os que trabalham com a abordagem gênero, Gênero: Uma Categoria útil para a análise histórica, Joan Scott, numa clara influência do Foucault d’As palavras e as Coisas, inicia sua reflexão lembrando-nos da luta vã dos que se propõem a codificar, fixar e controlar os sentidos das palavras, porque essas, como as idéias e as coisas que elas significam, têm uma história. A autora também menciona o uso inadequado, que muitas vezes se faz, da categoria gramatical como metáfora para significar sexo. E afirma, entretanto, que ao longo dos séculos esse uso se deu, uma vez que os termos gramaticais eram usados para evocar traços de caráter ou traços sexuais. Foram as feministas americanas que começaram a utilizar a palavra “gênero” no sentido mais literal, como uma maneira de referir-se à organização social da relação entre os sexos. O termo gênero indicava uma rejeição ao determinismo biológico implícito no uso de termos como “sexo” ou “diferença sexual” e também sublinhava o aspecto relacional das definições normativas de feminilidade e, conseqüentemente, de masculinidade. O termo gênero, pois, constrói-se como instrumental teórico importante na análise das realidades sociais, desautomatizando leituras essencialistas e propondo pensar o como das desigualdades sociais se constituírem a partir das diferenças percebidas entre homens e mulheres. Logo, essas são fundamentalmente sociais, baseadas que são na diferença biológica entre os sexos, servindo como “verdades” para justificar discursivamente experiências de opressão. Em minha pesquisa, entretanto, tentarei mapear e analisar o “como” da generificação concretizada no cotidiano do processo formativo: Em que medida os significados sociais constituídos a partir da percepção das diferenças entre homens e mulheres generificam o processo de formação profissional superior para a docência? Como a sexualização das profissões legitima e

informa as relações de gênero? Como, através da “fala” dos alunos homens do curso de Pedagogia, noções sobre gênero, masculinidade e docência se exibem? Como é que determinada concepção de feminino vai sendo associada à docência através de mecanismos e de práticas discursivas como currículo do curso de formação, proposta pedagógica do curso, estágio, relação com professores(as) formador@s? Aqui, considero práticas discursivas aquelas práticas sociais que instituem ou o "objeto" de que falam – o discurso, ou o comportamento aprendido pelo visível – o não-discursivo (FOUCAULT, 1993). O estudo da(s) masculinidade(s) Apesar de sua provisoriedade conceitual, Pedro Paulo de Oliveira (2004, p.13), define masculinidade como um lugar simbólico/imaginário de sentido estruturante nos processos de subjetivação. Enquanto estrato constitutivo e articulado do socius, apresenta-se como uma significação social, um ideal culturalmente elaborado ou sistema relacional que aponta para uma ordem de comportamentos socialmente sancionados. Nesse sentido, a masculinidade, tal como vivenciada no Ocidente, fundamenta valores e, em si própria, constitui um valor social, mantendo-se e reproduzindo-se, dada sua importância inegável em processos sociais diversos. O autor parte da premissa de que a masculinidade articula e constitui um dos estratos da região do socius, esse espaço-processual ou processo-espacializante dinâmico, intangível, mas efetivo, que compreende todos os objetos da vida social (agentes, leis, instituições, símbolos, valores etc.), ao lado ou mesmo articulada a outros como nacionalidade, religião, profissão, grupos de status, posição de inserção social, região de origem, etnia, grupo de idade etc. Tal premissa deve ser entendida, conforme lembra o autor, dentro daquilo que chama de teoria da imbricação dos estratos sociais (entendidos aqui como lugares simbólicos de sentido estruturante), pois, enquanto estrato, a masculinidade articula-se, ladeia, esparrama-se rizomaticamente junto aos demais. Dinamicamente, dispõe-se ou sobrepõe-se, mais ou menos, em determinadas regiões e momentos históricos, modifica-se ao se fortalecer ou mesmo se esvair no contato com a realidade histórica dos outros estratos. (p.15) A partir da idéia da inexistência de uma forma única de construção do masculino nas sociedades, Connell (1995) propõe que as masculinidades deveriam ser compreendidas como configurações de prática em torno da posição dos homens nas relações de gênero. Esclarece o uso da expressão ‘configuração de prática’ como sendo a ênfase nas experiências concretas presentes no cotidiano de muitos homens e não apenas os comportamentos que as sociedades esperam dos homens nos diferentes contextos socioculturais.

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