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GÊNERO, MASCULINIDADE E DOCÊNCIA: - Fazendo Gênero

GÊNERO, MASCULINIDADE E DOCÊNCIA: - Fazendo Gênero

Um itinerário

Um itinerário metodológico – Os homens falam da formação e das expectativas profissionais Dados coletados na Coordenação do curso de Pedagogia da UFPB, dão conta de um total de 1.159 matrículas no período de 2005.1. Nessa totalização não estão especificados os trancamentos, nem as desistências. São 1.024 matrículas de alunas do sexo feminino e 135 do sexo masculino. Para a formação do grupo focal optei por trabalhar inicialmente com os alunos do sexo masculino matriculados no turno da noite, em virtude da maior concentração deles dar-se nesse período. Procedi ao trabalho de contatar os alunos nos momentos que antecediam o início das aulas. Na fase de visitas às salas de aula, pude verificar que os dados obtidos através do controle de matrícula não correspondiam necessariamente ao total de alunos do sexo masculino que se podia encontrar nas aulas (76 alunos homens matriculados no período). Algumas alunas das salas visitadas informaram-me que muitos desistiram logo no início do semestre, e outros eram alunos que costumavam não freqüentar regularmente as aulas. No entanto, os alunos aos quais pude expor a proposta e finalidade de formação do grupo focal mostraram-se, pelo menos nesse primeiro contato, interessados e disponíveis em participar. Desses, apenas sete puderam comparecer ao encontro. Colaboraram para tanto o reforço do convite feito por professoras do Centro de Educação que sabiam da finalidade da pesquisa. Meu objetivo era, nesse primeiro encontro, obter informações sobre os alunos do sexo masculino do curso de Pedagogia da UFPB, tendo como desencadeadoras da discussão as seguintes questões: O que estão buscando em termos de formação e exercício profissional? Como se posicionam em relação à chamada feminização do magistério? Que sentidos atribuem ao processo de formação profissional e à docência nas séries iniciais do ensino fundamental? A análise que apresento aqui é bastante preliminar, dada a insuficiência do material coletado para dar contas de todas as questões levantadas. O registro da fala dos participantes obtida a partir desse primeiro grupo de discussão, ajudou-me a aprimorar determinadas questões, bem como a planejar a incorporação de determinadas práticas ao fazer metodológico da pesquisa. Além dos momentos da interação, da conversa e da discussão, e de expressão do pensamento através do discurso-fala, pretendo no próximo encontro criar possibilidades para que eles também “escrevam”, individual ou coletivamente, a partir da alguma das questões geradoras. Dentre os sete participantes desse primeiro grupo focal, três dos alunos são do segundo período, dois do terceiro e os outros dois do quarto período. Com exceção de um deles, Pedagogia foi a primeira opção na inscrição para o exame vestibular. A maioria tem ou já teve alguma experiência profissional ligada à educação, nenhuma como professor das séries iniciais. M diz que foi educador popular numa ONG que trabalha com adolescentes e crianças, e C atualmente é integrante de um projeto de extensão que desenvolve um trabalho junto a crianças hospitalizadas no Hospital Universitário.

Quando perguntados a respeito das motivações para ingresso no curso de Pedagogia eles responderam: E: "Achei que seria coerente...sou oficial militar e... o... a... nossa instituição tem um colégio, já trabalhava lá – e achei que deveria me preparar mais...” G: “...é...desisti do curso de Matemática...cursei três semestres de Geografia...apesar de ser um curso muito extenso... e... é de se perder muito tempo com muita teoria... porque falta discutir mais questões mais práticas, sabe? controle de turma, como aplicar uma aula...eu estou gostando do curso...” C: “...eu queria fazer Geografia, mas não deu... entrei pra Pedagogia... no início achei que não iria gostar... mas estou me identificando mais com o curso, principalmente a partir do segundo semestre... as pessoas acham que Curso de Pedagogia é só curso pra mulher e... é pra ensinar criança pequena... e a gente vê que não é não.” Na fala dos alunos fica claro um reconhecimento da parte deles de que no curso há uma predominância de mulheres, e de que elas ‘naturalmente’ seriam mais ‘inclinadas’ para lidar com as crianças. Quando falam de suas expectativas, eles sugerem que o ensino nas séries iniciais não seria uma opção, a não ser “...não tendo outra alternativa...”. Já quando mencionam que “as pessoas” pensam que o curso de Pedagogia forma apenas mulheres e para a docência em salas das primeiras séries, eles mencionam a existência de outras habilitações no curso, a exemplo da supervisão e orientação educacional, área na qual pretendem atuar. Esses são resultados ainda muito parciais, como mencionado anteriormente, mas lançam luz, sugerem pistas e firmam a necessidade de aprofundamento de muitas questões. Acredito, entretanto, que embora não definitivas, essas análises dão sinais da importância do estudo de gênero, masculinidade e docência, uma vez que ignorar suas interconexões é contribuir para a manutenção de dispositivos e de práticas discursivas e pedagógicas sexistas. Referências: CARVALHO, Marília Pinto de. No coração da sala de aula: gênero e trabalho docente nas séries iniciais. São Paulo: Xamã, 1999. CONNELL, Robert. “Políticas da masculinidade”. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 20, n. 2, p. 185-206, jul./dez. 1995. DELEUZE, Gilles. Foucault. São Paulo: Brasiliense, 2005. FOUCAULT, Michel. Microfísica do poder. 11ª ed. Rio de Janeiro: Graal, 1993. OLIVEIRA, Pedro Paulo. A construção social da masculinidade. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2004. SCOTT, Joan. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 20, n. 2, p. 71-99, jul./dez. 1995.

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