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Engenharias no Brasil: mudanças no perfil de ... - Fazendo Gênero

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Mulheres

Mulheres no ensino superior Os indicadores educacionais do país revelam que a maioria dos(as) estudantes do ensino superior é composta por mulheres. Considerando os dados referentes ao ano de 2005 (RISTOFF, 2007), verifica-se que a vantagem feminina ocorre entre ingressantes, alunos(as) matriculados(as) e concluintes de graduação presencial. A ampliação da participação feminina no ensino superior tem ocorrido já há algumas décadas, tanto em termos relativos quanto em números absolutos, pois se entre os concluintes de 1991, 59,9% eram mulheres – 141.678 concluintes – em 2005, esse percentual se amplia para 62,2% (446.724 mulheres). Em 2005, entre os(as) ingressantes, as mulheres representavam 55% e, entre os (as) matriculados(as), 55.9%. A vantagem numérica das mulheres se amplia quando consideramos aqueles(as) que obtém êxito, concluindo o curso superior iniciado. Todavia essa participação não se reflete em todos os cursos, pois as mulheres concentram- se em determinadas áreas, em geral a de humanas, conforme mostra a participação feminina entre as matrículas do ensino superior presencial de 2005: • Administração: 49,2%; • Direito: 48,9%; • Pedagogia: 91,3%; • Engenharia: 20,3%; • Comunicação Social: 56,6%; • Letras: 80%; • Ciências Contábeis: 50,7%; • Educação Física: 43,1%; • Enfermagem: 82,9%; • Ciência da Computação: 18,8%. Podemos verificar uma distribuição de gênero desigual entre os cursos. Há uma nítida divisão sexual nos processos de formação, destacando-se a baixa participação feminina nos cursos de Engenharia e Ciência da Computação e a elevada presença das mulheres nos cursos de Pedagogia e Enfermagem. Dados que confirmam a permanência de uma presença masculina maior na área tecnológica e uma concentração feminina em áreas associadas ao cuidado (magistério e enfermagem), socialmente visto como áreas de atuação feminina. Quando comparados os números de 2005 com os dados referentes ao ano de 2000 (RISTOFF, 2007), verificamos que a participação das mulheres na Engenharia, embora reduzida, 2

tem se ampliado. Elas, em 2000, representavam 19,5% do total de matriculados (as), ampliando para 20,3%, em 2005. Para os cursos mais feminizados, verifica-se uma ampliação, embora pequena, da participação masculina nos cursos de Pedagogia (os homens representavam 7,53% em 2000 e passam a representar 8,7% em 2005) e Letras (17,5% em 2000 e 20% em 2005). Já o curso de Ciência da computação, verificamos uma tendência de permanecer majoritariamente masculino, pois em 2000, a participação masculina era de 73,5% e desde lá esse percentual vem se ampliando ano a ano, chegando, em 2005, a 81,2%. A distribuição de gênero do sistema educacional tem relação direta com a manutenção da tradicional divisão sexual do trabalho, na qual atividades femininas estão associadas ao cuidado e as masculinas com a racionalidade. A educação formal, especificamente a educação para o trabalho, consiste em uma das fases da construção dessa divisão. Entre outras instituições, a família é, em geral, o espaço no qual se inicia o direcionamento da escolha profissional, em geral, reproduzindo atributos e papéis tradicionais de gênero. Nos processos de socialização familiar, é comum que os brinquedos sejam diferentes para meninos e meninas – jogos eletrônicos para eles e bonecas para elas, por exemplo – o que desde cedo contribui para estimular e interferir sobre a escolha profissional de homens e mulheres. Mulheres engenheiras Transformações demográficas, mudanças nos padrões culturais e nos valores relativos ao papel social da mulher têm alterado a identidade feminina, voltando-a cada vez mais para o trabalho remunerado (BRUSCHINI, 2007). É inegável que a constante ampliação da escolaridade feminina tem contribuído para o avanço das mulheres nos diversos campos profissionais, entretanto esse fator não consolidou um mercado de trabalho não sexista. A discriminação da mulher no mundo do trabalho é ocasionada por inúmeros fatores, entre os quais o machismo, a percepção social do feminino, a baixa valorização do que se relaciona às mulheres e a forma como são distribuídas as tarefas domésticas. Tem sido comum que a presença feminina no mundo do trabalho seja marcada por processos que contribuem para a sua desvalorização – precarização (terceirização, informalidade, tempo parcial, baixos salários, etc.) e segregação ocupacional de gênero seja vertical (pouca mobilidade na carreira e dificuldade para ascender aos postos hierarquicamente mais altos) ou horizontal (concentração do trabalho feminino em determinados setores ou funções). A partir da Relação Anual de Informações Sociais do Ministério do Trabalho e Emprego (RAIS), observamos que, em 2006, de aproximadamente 50 milhões de empregos formais, 40% deles eram ocupados por mulheres. No que tange à questão salarial, os dados apontam que a taxa de participação feminina vai se reduzindo à medida que as faixas salariais vão aumentando. Se entre os 3

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