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Engenharias no Brasil: mudanças no perfil de ... - Fazendo Gênero

Engenharias no Brasil: mudanças no perfil de ... - Fazendo Gênero

trabalhadores que

trabalhadores que recebem até 0,5 salário mínimo, aproximadamente 52% são mulheres, já entre os que recebem mais de 20 salários mínimos, aproximadamente 27% deles são do sexo feminino. Poderíamos supor que com a ampliação da escolarização das mulheres, as desigualdades de gênero se reduziriam. Entretanto, embora possa, em muitos casos, ser um fator que contribua para amenizar a discriminação da mulher no mercado de trabalho, não há uma relação diretamente proporcional entre essas duas variáveis. A escolarização, todavia, consiste em condição sine qua non para o ingresso das mulheres em determinadas profissões, particularmente nas Engenharias. As profissões, de forma geral, ocupam espaços sociais relevantes para toda a sociedade, seja ou não da área tecnológica. Entretanto algumas delas têm recebido maior prestígio que outras, refletido em maior status social e melhores salários. Entre as profissões que detém maior prestígio podemos destacar, por exemplo, as Engenharias, que historicamente tiveram uma composição com predominância masculina e, entre as profissões menos valorizadas encontra-se o emprego doméstico, ocupado em sua maioria por mulheres. Passamos a analisar a presença feminina entre os empregos na área de Engenharia, cuja composição de gênero não teve alteração significativa entre os anos de 2001 e 2006, conforme dados da RAIS. Verificamos uma distribuição de gênero bastante desigual e uma permanência desse quadro, que pouco se altera de 2001 a 2006 e mostra que a Engenharia permanece sendo um universo predominantemente masculino. Em 2001, a taxa de participação feminina nos empregos formais na Engenharia Civil ou na Arquitetura era de 22% (9.405 empregos formais). Em 2006, os dados (RAIS) sobre essas duas profissões foram tabulados separadamente, nos quais aparece a participação feminina de 59,4% (5.430 empregos formais) na Arquitetura e uma participação de 17,5% (8.750 empregos formais) na Engenharia Civil. Esses números apontam para uma continuidade da caracterização da Engenharia Civil como campo de atuação profissional com predominância masculina e, a Arquitetura, como campo de trabalho que vem se feminizando. Na Engenharia Elétrica e Eletrônica, a participação feminina teve uma pequena redução percentual, passando de 10% (2.148 empregos formais) em 2001 para 9,7% (2.767 empregos formais) em 2006. Ao considerarmos os dados sobre Engenharia Mecânica, tem-se pouca alteração na reduzida participação feminina que era de 5,3% (698 empregos formais) e passou para 5,65% (1200 empregos formais) em 2006. Essa engenharia apresenta a menor participação das mulheres, mantendo uma tradição histórica de área de atuação majoritariamente masculino. Esses dados, por outro lado, representam também o crescimento da participação feminina nas Engenharias, pois de acordo com BRUSCHINI (2007), na categoria dos engenheiros, a participação das mulheres, que, em 1993, era de 12%, atingiu 14% em 2004 e, entre os arquitetos, a 4

fatia feminina era bem mais substantiva, representavam mais da metade da categoria (54%), dado que consolida a tendência de feminização da profissão, uma vez que as mulheres já ocupavam cerca de 52% dos empregos dessa área em 1993. No que se refere aos salários, verificamos que, em 2006, as mulheres, de forma geral, permanecem com remunerações inferiores às masculinas. Enquanto 51% das mulheres engenheiras ou arquitetas recebem salários até dez salários mínimos, entre os homens, apenas 35% deles estão concentrados nessa faixa salarial. No que se refere à idade desses profissionais, verificamos que a maior parte das mulheres (64%) possui idade até 39 anos, enquanto que metade dos engenheiros e arquitetos homens concentram-se nessa faixa etária. Considerações finais A ciência e tecnologia têm uma dimensão de gênero que se faz presente quando analisamos as profissões associadas a elas, entre as quais a Engenharia. Percebemos, nesse campo profissional, diferenças consideráveis no que se refere à participação masculina e feminina e desigualdades de gênero, conforme os dados aqui apresentados, apontando que a eqüidade de gênero é algo a ser construído. Uma distribuição de gênero com eqüidade, seja nos processos de pesquisa, ensino, produção, reprodução e distribuição dos benefícios da ciência e tecnologia geraria impacto não só para a sociedade, mas para o próprio conhecimento e tudo que dele deriva. Nesta perspectiva, alguns elementos devem ser considerados. Entre eles, os conceitos de ciência e tecnologia que, socialmente construídos, foram frutos de relações de poder que contribuíram para classificar e valorizar conhecimentos e atividades de forma desigual. O que é considerado científico e tecnológico, como é o caso das Engenharias, eminentemente tecnológica, tem recebido maior valor e prestígio social. Já aquelas atividades que envolvem atividades não classificadas como científicas e tecnológicas, como é o caso daquelas desenvolvidas por intermédio de atividades manuais ou por habilidades relacionais. Essa construção de forma nítida beneficiou mais os homens do que as mulheres, o que nos impõe o desafio de questionar esses conceitos. Schiebinger (2001) nos lembra que, boa parte do que não tem sido contado como ciência trata-se do lado privado da vida e era associado às mulheres. E, que entre esses campos está, por exemplo a enfermagem que trabalha com o cuidado de pacientes. De forma geral, o conceito de ciência e de tecnologia acaba não abarcando as atividades femininas. Outros elementos a serem teorizados e debatidos podem ser, a implementação de políticas que contribuam para ampliar a participação das mulheres em carreiras científicas e tecnológicas e reduzir as desigualdades de gênero já detectadas nesse universo; a construção de uma distribuição 5

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