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Gênero, Ciência e Tecnologia. ST 22 Isabel ... - Fazendo Gênero

Gênero, Ciência e Tecnologia. ST 22 Isabel ... - Fazendo Gênero

futuro. Mais

futuro. Mais particularmente, são as dificuldades/facilidades de acesso a esse nível de escolaridade, assim como o prestígio relativo desse emprego em comparação ao emprego/situação ocupacional anterior (de declassificação ou de promoção profissional), que definem o valor dessa atividade ao ver dos(das) próprios(as) tele - atendentes (Georges, 2005a). Nesse sentido, as "carreiras informais" (Hughes, 1937) dos(das) tele - operadores(as) são principalmente orientadas para as possibilidades de efetivação e de acesso a um mínimo de direitos sociais, isto é, buscando a melhoria do estatuto do emprego. Mais particularmente, o modo de entrada mais comum atualmente nesse setor são as agências de trabalho temporário e/ou as cooperativas de trabalhadores. No caso destas últimas, elas agem em função da demanda dos empregadores como ator de recrutamento, treinamento e seleção da mão-de-obra. Os(as) trabalhadores(as) passam frequentemente um período determinado de tempo com um contrato de alguns meses, através de uma agência de trabalho temporário, por exemplo, dentro de uma empresa terceirizada antes de serem eventualmente efetivados(as) por estas últimas. Em geral, a perspectiva é de chegar a trabalhar dentro de uma das empresas chamadas tradicionais, com melhores condições de trabalho, o que muitas vezes, não acontece. Neste contexto, uma estratégia possível, por causa da jornada de trabalho reduzida de 6 horas, é a acumulação pelos(as) trabalhadores(as) de diversos estatutos ao mesmo tempo, como o de cooperado e de assalariado em uma outra empresa, possibilitando desta forma uma transição mais suave entre as diversas empresas e relações de emprego, de atividade e de inatividade, como no caso de Noélia explicitado abaixo. (Sintratel) Noélia, em 2002, com 29 anos, trabalha como operadora de telemarketing registrada em uma empresa de tele-marketing de fim de linha de São Paulo (Ckapt) na parte da tarde e, na parte da manhã, trabalha em uma cooperativa (CTI) prestando serviços para a UOL. Nasceu em 1973, no Itaim Paulista (S.P.), como segunda filha de um pai que era autônomo na área de construção (aposentado por invalidez desde 1980, mas ativo até o seu falecimento em 2001), e de uma mãe sem profissão, mas com várias atividades informais de vendas. Os pais são da Bahia e têm três filhas. Teve seu primeiro emprego em 1990, com 17 anos, como estagiária na Secretaria do Estado (Secretaria do Trabalho e da Promoção Social) durante o último ano dos estudos do segundo grau técnico, de secretariado, na Escola Técnica Estadual "Condessa Filomena Matarazzo", na zona leste. Seu segundo emprego, de 1992 até 1994, dos 19 aos 21 anos, foi como operadora de máquina em uma empresa terceirizada que opera em uma agência da Caixa Econômica, no bairro do Brás. De 1994 até 1997, dos 21 aos 24 anos, houve um período de desemprego com alternância de empregos de curta duração através de agências de trabalho terceirizado que presta serviços para uma empresa de cartões de crédito (Credicard), depois de uma mudança para o município de Osasco. Ela cuida também da mãe depois de sua cirurgia. Seu terceiro emprego, também registrado, de 1997 até 1999, dos 24 aos 26 anos, foi como operadora em uma central de atendimento de pager, com uma jornada de trabalho de 6 horas. Também, durante 4 meses no início desta época, teve um segundo emprego através de uma agência de trabalho temporário, prestando serviços para a mesma empresa de cartões de Crédito. Houve um segundo período de desemprego de 6 meses, entre 1999 e 2000, com 26/27 anos, depois de cortes na central de atendimento do pager, por causa da queda da atividade. O seu último salário era de R$ 800,00. Ela - 4 -

tem o quarto, e último emprego registrado, como operadora de telemarketing, em uma empresa terceirizada de fim de linha (Ckapt), desde 2000, com 27 anos, com uma jornada de trabalho de 6 horas. Também, em 2000, e em 2002, ela teve um segundo emprego em uma cooperativa (serviço ativo de vendas, depois receptivo), durante a parte da manhã ou da tarde. Desligou-se só em 2001 da cooperativa, para cuidar do pai até o seu falecimento. A família mora em casa própria. Mesmo se, globalmente, a diferença de origem social é muito grande entre os dois grupos (não teve nenhum caso de engenheira negra, por exemplo), observam-se, também, algumas formas de diferenciação social interna no grupo sócio - profissional dos(das) engenheiros(as). Para poder trabalhar como engenheiro(a), no Brasil, precisa-se do título académico de engenheiro. Porém, é nesse nível que existe uma diferenciação social entre as engenheiras que ingressam no mercado de trabalho na sua profissão após ter completada a sua formação de terceira grau (a maioria) e os(as) engenheiros(as) que estudam e trabalham simultaneamente (por exemplo como técnica), assim como os(as) engenheir(os)as que têm uma carreira profissional anterior em outra área de atuação, estudando tardiamente (como no caso de Adriana, veja abaixo). Nesse sentido, existe uma possibilidade de mobilidade social ascendente para as mulheres de uma origem social mais baixa, trabalhando e estudando ao mesmo tempo, à condição de ter uma certa origem social mínima (permitindo, notadamente, de ter uma escolaridade contínua com boas condições e de não precisar trabalhar para sustentar os pais, como no caso de Noélia), como mostra o exemplo de Adriana: (Empresa T) Adriana, em 2004, com 36 anos, trabalha como engenheira plena de eletrônica numa grande Empresa de telecomunicações multinacional, no grupo de desenvolvimento de produtos. Ela tem um salário de 3000,00 R$, trabalhando de 9h até 18h. Cursa à noite o mestrado de engenharia eletrônica na USP. Nasceu em 1968 em Belo Horizonte, Minas Gerais. O pai era diretor de imagens na TV Cultura, a mãe dona de casa, com várias atividades ocasionais (auxiliar de dentista, etc.). Três irmãos, um irmão mais velho entregador de carnes bovinas, uma irmã mais jovem operadora de telemarketing e uma irmã caçula secretária, cursando o segundo grau (escola privada) e um cursinho para fazer faculdade. Todos os irmãos fizeram escola privada de Padres até o segundo grau completo. Em 1984, com 16 anos, ela começa a trabalhar num Banco no período da tarde. Em 1986, com 18 anos, acaba o segundo grau completo. Em 1989, com 21 anos, ela pede transferência ao Banco e migra para São Paulo, onde mora na casa de uma família amiga na Zona Norte. No ano seguinte, ela é demitida do Banco e começa a trabalhar como recepcionista em uma concessionária FIAT onde vai fazer carreira até chegar ao nível de gerente, trocando três vezes de concessionária. Em 1995, com 27 anos, ela presta o vestibular e começa os estudos de engenharia eléctrica na PUC e dá entrada em um apartamento situado no Jardim Prudência, com a ajuda financeiro do seu namorado (sócio de uma seguradora de carros e professor de economia). Desde 1999, ela começa a trabalhar na Empresa de telecomunicações onde trabalha até hoje como estagiária na área de eletrônica, para ser efetivada como assistente técnica. Em 2000, com 32 anos, ela é formada e registra-se no CREA (Conselho Regional de Engenharia e de Arquitectura) para acabar sendo engenheira efetiva na empresa, com um salário de 1800,00 R$. Ela começa um mestrado de microeletrônica na USP. Em 2004, com 36 anos, ela continua solteira, morando no seu apartamento próprio (desde 1999). Ela ganha 3000,00 R$, e chegou no quarto estepe hierárquico da empresa, ficando no lugar de sua chefe quando ela sai de férias. - 5 -

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