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A construção de gênero e sexualidade no currículo - Fazendo Gênero

A construção de gênero e sexualidade no currículo - Fazendo Gênero

Assim, acredito que um

Assim, acredito que um estudo que evidencie as construções discursivas de professores/as no domínio do currículo sobre aqueles/as que subvertem as lógicas binárias de gênero e sexualidade pode contribuir para que se pense num currículo que não se feche na construção de identidades com fronteiras demarcadas rigidamente que instituem o normal e o anormal, construindo o que vem se chamando de políticas pós-identitárias e de um currículo queer (LOURO, 2004a). Essa possibilidade se insere no campo das teorias pós-críticas de currículo, pois desloca o foco de discussão das questões de ideologia, classe social, conscientização próprias das teorias críticas de currículo para questões de saber-poder, identidade, diferença, discurso e significação, cultura (SILVA, 2003). Isto posto, considero que não existe um sujeito, homem e mulher, heterossexual e homossexual originário e pré-discursivo, pois cada discurso instala o sujeito em certa posição, certo lugar e que, a partir disso, a cada discurso contraditório e fluído, corresponde um homem e uma mulher, o que constitui uma matriz de posição-de-sujeito contraditória e móvel. A identidade de gênero e sexualidade é discursivamente construída, fabricada. O sujeito, ao final, é resultado de um processo discursivo, portanto, não há sujeito transcendental, originário, autônomo e centrado. Os gêneros e sexualidades são construídos a partir dos poderes que se exercem em relação aos corpos, demarcando lugares determinados, como já foram apontados por várias pesquisas (LOURO, 1998, 2004a; BRITZMAN, 1996), mas também através dos saberes produzidos para instituir o gênero e a sexualidade considerados corretos. Entretanto, no jogos se saber-poder que fabricam sujeitos generificados e sexualizados “normais” surge fissuras que permite que os corpos deslizem, assumindo as zonas fronteiriças, a provisoriedade, a instabilidade, a fluidez (LOURO, 2003). Problematizar as construções de gênero e sexualidade no currículo como a partir da perspectiva pós-estruturalista de pesquisa permite a construção de conhecimento que não se pretende fixo, pois as próprias categorias em estudos estão em constantes mutações, resultantes do que Silva (1994) chama denovo mapa social e cultural”. Para Maués (2006) o campo intelectual do currículo precisa experimentar a composição, a criação para romper com um paradigma disciplinar tanto em nossas formulações teóricas quanto nos desenhos curriculares cristalizados das escolas. Analisar as construções de gênero e sexualidade no currículo possibilita o questionamento por parte dos/as próprios/as professores/as universitários e/ou da educação básica das questões referentes a gênero e sexualidade em suas conexões com o saber-poder e com o currículo, de modo que sejam repensados tanto em termos conceituais quanto políticos e educacionais. Dessa forma, poderá contribuir para a ampliação da “luta” contra o sexismo e a homofobia, que ainda se inscrevem no que podemos considerar como questões “intoleráveis”, mas que ainda são 4

consideradas “naturais” em uma sociedade cujas marcas são as referências seguras, as certezas, a fixação de fronteiras e binarismos diversos. Referências bibliográficas BRÍCIO, Vilma Nonato de. Do pedagógico ao cultural: o trabalho da coordenação pedagógica como política cultural. In: BRITO, Maria dos Remédios; GONÇALVES, Jadson Fernando Garcia; OLIVEIRA, Damião Bezerra (orgs). Filosofia, educação e formação: apontamentos e perspectivas. Belém: EDUFPA, 2008. ______. Entre o controle e a transgressão: a construção escolar das diferenças entre os gêneros. In: Margens. Revista Interdisciplinar da Divisão de Pesquisa e Pós-Graduação do Campus Universitário de Abaetetuba/Baixo Tocantins/UFPA. Vol. 01, N. 04, Belém: Paka Tatu, 2007. ______. Coordenação Pedagógica: Construindo uma Política de Significados de Gênero. Monografia de Conclusão de Curso de Especialização em Coordenação e Organização do trabalho Pedagógico. Campus Universitário do Baixo Tocantins/UFPA. 2006. Orientadora Profª Msc. Joyce Ribeiro. ______. Gênero e Educação: um estudo sobre as relações de gênero na sala de aula no município Moju. Trabalho de Conclusão de Curso. Campus Universitário do Baixo Tocantins/UFPA. 2001.Orientadora Profª Drª Josenilda Maués. BRITZMAN, Deborah P. O que é essa coisa chamada amor. Identidade homossexual, educação e currículo. Educação e Realidade. Vol. 21 (1), Jan./Jul. 1996. CORAZZA, Sandra Mara. Labirintos da pesquisa, diante dos ferrolhos. In: COSTA, Mariza V. (org.). Caminhos Investigativos: novos olhares na pesquisa em educação. Rio de Janeiro: DP&A, 2002. COSTA, Marisa V. Novos Olhares na Pesquisa em Educação. Introdução. In: COSTA, M.V. (org). Caminhos Investigativos: novos olhares na pesquisa em educação. Rio de Janeiro: DP&A, 2002. FISCHER, Rosa M. B. A paixão de trabalhar com Foucault. In: COSTA, M.V. (org). Caminhos Investigativos: novos olhares na pesquisa em educação. Rio de Janeiro: DP&A, 2002a. ______. Verdades em suspenso: Foucault e os perigos a enfrentar. In: COSTA, M.V. (org). Caminhos Investigativos: outros modos de pensar e fazer pesquisa em educação. Rio de Janeiro: DP&A, 2002b. ______. Foucault e a análise do discurso em educação. In: Cadernos de Pesquisa, n. 114, novembro/ 2001. FOUCAULT, Michel. A Ordem do Discurso. São Paulo: Edições Loyola, 2004. ______. História da sexualidade 1: A vontade de saber. Rio de Janeiro: Graal, 2005. ______. Microfísica do Poder. Rio de Janeiro: Graal, 2006. LARROSA, Jorge. Tecnologias do Eu e Educação. In: SILVA, T.T. (org.) O Sujeito da Educação. Petrópolis: Vozes, 1994. LOURO, Guacira L.. Um corpo estranho – ensaios sobre sexualidade e teoria queer. Belo Horizonte: Autêntica, 2004a. ______. Conhecer, pesquisar, escrever,... Comunicação apresentada na V ANPED Sul. 2004b. (Texto da internet). ______. Corpos que escapam. Revista Estudos feministas. N. 4 agosto/dezembro 2003. 5

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